A Síria e a Ucrânia e o resto do Mundo

 

Será possível, tão facilmente, estar a ver ou ler sobre as atrocidades que se estão a passar entre humanos, quer na Síria, quer na Ucrânia, sem pensar que de facto o ser humano, com qualidades atribuídas por quem possa ter sido, muito superiores a outros animais, quando se trata de selvajaria os ultrapassa em grande?

Será possível com a maior naturalidade, alguém ver um telejornal que enche minutos atrás de minutos com estas barbaridades, praticadas ao vivo e a cores aqui tão perto, quase em directo e depois passar “na maior” a ver um qualquer entretimento -pouco cultural – que se lhe segue no mesmo local, como se tudo estivesse bem? Claro que tudo “isto” é possível. Claro que tudo isto acontece sequencialmente. Claro que eles lá a matarem-se, a passarem mal, a sofrer, a perder tudo, a começar pela família e a acabar na comida, e cá, apesar da crise – que tanto nos afecta e prejudica – ainda nos entretemos a olhá-los.

Será que a humanidade nunca mas vai aprender, relendo a história e apreendendo a memória, que não de uma ou de três semanas, mas “viajando” – por exemplo- ao século passado aqui na europa, onde tivemos duas guerras que se espalharam pelo mundo, a não repetir.

Claro que a Europa já deixou de ser a centralidade do que quer que seja, mas, é onde nós estamos. Claro que a indústria do armamento dá dinheiro a muitos, e em muito locais e muito. Claro que o egoísmo do bem-estar, faz esquecer a dor do mal-estar. Dos outros.

A Síria a Ucrânia são os exemplos ao momento, do que não queremos ver, mas vemos. E toda a Europa faz de conta, como continua a fazer com Lampeduza.

E sem querer encontrar soluções globais humanas, para evitar tamanhas atrocidades praticadas por cidadãos exactamete iguais a nós, querem – não só na Europa, até menos por falta de meios, hoje, nesta – todos, quando enriquecem, espremendo os pobres, quer quando matam os mais fracos, fazer igual ou pior.

E não havendo hipótese de sermos todos iguais, o que também seria uma grande maçada e uma pior monotonia, haveria que agarrarmos as diferenças com qualidade de vida, não igual mas nimiamente capaz, a todos e cada um.

Sem diferenças tão acentuadas entre pobres e ricos, e com algum humanismo. Mas vamos andando de mal a pior em todos os lados, consoante o dinheiro e os que por trás dele estão, o vão tendo, em cada momento. Que muda de mãos, e se olharmos momentos recente,s a Líbia, a Venezuela e não só já estiveram em alta, com  desumanos a governar, e tantos a bajular!

Augusto Küttner de Magalhães