Vamos sendo engolidos na selvajaria

A progressiva falta de civilidade e respeito entre nós, como cidadãos, aumenta a cada dia que passa. Passou a ser normal falar, sempre, aos berros em locais públicos, abertos ou fechados, incomodando tudo e todos. Como será em casa?

Passou a ser usual em qualquer lugar pegar no “indispensável” telemóvel e falar, falar, alto também, cruzando-se no mesmo tempo e espaço conversas, desde que a nossa seja a mais alta. Todos incomodando. Mas, qual o problema?

Passou a ser vulgar, já nem sequer deixar passar à frente uma senhora junto a uma porta – a igualdade confundindo-se com a identidade – como até, independentemente do sexo, largar ostensivamente a porta em cima de quem vem atrás, tal, como nem a um cão se faz. Seria o que mais faltava, estar a fazer de porteiro, estar a ser simpático, a segurar a porta. Já não se usa. Para, e por quê?

O “faz favor, obrigado, não têm de quê” talvez tenham sido “levados” com o acordo ortográfico, que até nem vai ser “acordado”, mas perdem-se estas palavras, e essencialmente, o seu conteúdo. Por que não?

Estas pequenas regras comportamentais em sociedade, talvez, de certeza, por se chamarem “regras” e poderem implicar alguma correcção de actuações comportamentais em sociedade, não servem. Não são para usar, são para deitar fora.

E, vamos gloriosamente progredindo na selvajaria, no vale tudo, no quanto pior, melhor. Por que não?

Quando tudo estiver sem conserto – já esteve mais longe -, quando batermos o mais baixo possível, voltaremos a pulso – já não nós, mas as gerações mais novas, e as vindouras – a fazer progressivamente o percurso ascendente, para se notar a diferença entre Pessoas e animais selvagens. Que está a ficar totalmente esbatida!

Tudo, apesar de em tempos diferentes, se repetir enquanto houver humanos, e não seria necessário se, se aprendesse com a história e a memória, não tendo que estar sempre a repetir exaustiva e permanentemente os mesmos erros.

A. Küttner de Magalhães