Jovens entre os 20 e os 35 anos vitimizam-se ou emigram.

Todos que tivemos – temos! – filhos ,hoje já crescidos, entre os 20 e os 37 anos – talvez ainda adolescentes – e, com a intenção de lhes proporcionar “tudo”, não os preparamos adequadamente, se algo visse a falhar. E falhou. Logo, falhámos, nós, por certo.

A ideia foi boa, mas demasiado inconsistente, dependente de um sem número de variáveis, totalmente fora do nosso alcance. Logo falharam, logo falhámos.

Assim, o percurso delineado, em ter várias comodidades desde o primeiro dia de vida, fazendo um percurso sem quaisquer dificuldades até ao fim da licenciatura, ter um excelente emprego e bem remunerado, um grande automóvel na garagem, um belíssimo apartamento, férias de primeira, ipads, telemóveis, e tudo mais que o dinheiro pode comprar, acabou.

Andávamos a viver numa bolha fictícia, materializada, que furou.

E, por culpa nossa, estes jovens adolescentes, dado que assim muitos continuam entre os 20 e os 37 anos, até pais e mães já o sendo, ou se vitimizam por “não poder ter tudo, como adquirido foi”, ou emigram em procura do que acham “lá fora” ser ainda alcançável.

Como nós, velhadas, já não podemos recuar no que fizemos – mal – assumindo bem, estar a fazer, talvez caiba a estes jovens a tentativa de forma civilizada, programada, realista, humilde, com pontualidade, mudar “cá dentro” o que não é possível “ter”, como se o unicamente “ter” fosse o objectivo de vida, apesar de pouco consequente. E abraçarem, cá dentro, desafios dignos de jovens que por certo aos 20 deveriam já não ter que ser adolescentes, muito menos aos 37.

Sendo que, ao fazerem tudo diferente, para melhor, num tempo em que deixem a vitimização – unicamente – para quando de facto houver para tal motivos, talvez consigam “cá dentro” arriscar e fazer o que “lá fora” os mesmos jovens “de lá, lá constroem”. Dando tudo por tudo, arregaçando as mangas, fazendo-se de facto à vida, sem esperar que tudo apareça feito.

Em simultâneo, mesmo relativamente a nós, velhadas, talvez antes de nos matarem uns atrás dos outros, em fila, talvez seja de nos tentarem considerar como ainda uteis. Na reconstrução de um tempo melhor, com mais ”ser”, com algum “ter” que a todos e dentro dos possíveis proporcione qualidade de vida, sem se armarem ao importante e com força também, no imaterial, na Família, no que a vida pode outorgar ,e se não está a aproveitar. Ou não!

A. Küttner de Magalhães