Descentralização da educação: como se fez lá fora
(…)
No ano 2000, os estudantes suecos apresentaram resultados acima da média dos países sujeitos aos testes PISA, que avaliam o desempenho académico dos alunos de 15 anos em áreas como a matemática, a ciência e a leitura. A partir dessa data, no entanto, a performance da Suécia começou a baixar significativamente. De tal forma que a OCDE escrevia em 2014 que “nenhum outro país participante no PISA viu um declínio tão acentuado da performance dos seus alunos como aquele que aconteceu na Suécia na última década”.
De acordo com o relatório da OCDE já citado, a igualdade na educação na Suécia também se deteriorou. Nos testes PISA de 2000, 2003 e 2006, o impacto do background socioeconómico dos estudantes nos seus desempenhos académicos era abaixo da média. Esta situação mudou significativamente em 2009, altura em que aumentou substancialmente o peso da origem social e económica dos alunos no desempenho em termos de leitura. Esta situação pôs a Suécia acima da média neste indicador.
Ao Observador, Leif Lewin disse que o processo de descentralização da educação na Suécia aumentou a desigualdade na educação, uma vez que as famílias com mais posses “utilizam a possibilidade de escolher a escolha dos filhos em maior grau do que outros grupos”.
Na conferência de imprensa em que apresentou os resultados do estudo governamental, o professor de Ciência Política disse aos jornalistas suecos que a reforma do sistema educativo tinha sido “brutal” e criado “desconfiança em vez de confiança”. Leif Lewin apresentou um diagnóstico claro: “o controlo municipal das escolas foi um falhanço”, uma vez que “nem os municípios, nem os diretores de escola, nem os professores estavam à altura da tarefa.” Em consequência, “os resultados académicos desceram, tal como a igualdade e a atitude e motivação dos professores”.
Desde 2008 que os sindicatos dos professores suecos têm reivindicado uma posição mais central do Estado na gestão das escolas. Jan Björklund, que até 2014 foi ministro da Educação, defendeu a renacionalização das escolas. Processo que, como confirmou Leif Lewin ao Observador, está já em curso. “A recentralização do ensino na Suécia já começou.”
Na investigação conduzida por este professor fica claro não ser possível regressar ao sistema anterior à municipalização. “Um sistema educativo moderno que responde perante um Governo central exige uma organização governamental a nível regional ou local com uma certa independência do Governo e das autoridades centrais de educação. Mas o Governo central não pode abdicar das suas responsabilidades na educação”, lê-se.
Janeiro 16, 2015
A Ler Com Atenção, Em Especial A Parte Sobre A Sagrada Suécia
Posted by Paulo Guinote under Descentralização, Educação, Lá Fora, Municipalização, Suécia[5] Comments
Janeiro 16, 2015 at 5:25 pm
Resposta do Crato: Mas isto foi na Suécia (lugar onde vivem os suecos que, como é do conhecimento geral, têm menos capacidade organizativa do que os tugas). Cá, sob a bandeira dos grandes timoneiros Crato, Coelho, Portas & Cia, tudo será um infindável paraíso de melhorias infinitas dos resultados dos alunos, prevendo-se que os alunos portugueses atinjam o topo dos rankings em menos de um ano.
Janeiro 16, 2015 at 6:14 pm
Ui, como é que o Rosenberg permitiu que o seu Beobachter publicasse tal coisa?
Janeiro 16, 2015 at 7:26 pm
Mas, ó experiência, que podes tu contra a formatação ideológica?
Bom senso, queres tu, meu ingénuo, medir-te com a irracionalidade das clientelas ávidas?
Bem comum, como conseguirás tu impor-te ante gente que não é de “bem” e não tem nada em comum a não ser com os seus interesses próprios?
– E daqui a uns anos haverá também um relatório (inconsequente como os demais) sobre os malefícios do “experimentalismo municipalista” na educação em Portugal, que, contudo, terá apenas falhado devido à falta de empenho e de envolvimento dos agentes educativos…
Janeiro 16, 2015 at 7:33 pm
Não é como se fez lá fora. São os resultados do “lá fora”. Desmotivação dos professores, estratificação social acentuada.
Em Portugal há a acrescentar o pouco investimento material que teremos por parte da camaras com a renuncia a inúmeros recursos que nos fazem falta.(já se ve agora).
Será um case study interessantíssimo para quem está de fora. Uma dor de cabeça para quem estiver dentro.
Por enquanto estou fora, mas por quanto tempo? Em Portugal não se fazem avaliações. Generaliza-se e pronto.
Janeiro 16, 2015 at 7:44 pm
Out of post
Mais uma brilhante ideia do ministro Lord Nash (UK education minister):
“cut teenage pregnancies with army cadets”
http://www.telegraph.co.uk/news/uknews/defence/11349420/Minister-cut-teenage-pregnancies-with-army-cadets.html