Demasiado imediatismo é destruidor

De modo algum podemos ir a conduzir um automóvel e a olhar sempre para o retrovisor, uma vez que para além de se tornar muito perigoso, o caminho é para a frente, e unicamente a indicação pontual, deve vir de trás. No resto da vida que é muita mais que o automóvel – para alguns talvez não! – fazer isso é inconsequente, e um desnecessário saudosismo.

Mas, hoje, estamos a viver o “imediato”, o tal “um dia de cada vez”, um tempo demasiado mediatizado, um tempo sem balanceamento, sem equilíbrio, para uma suposta vivência não totalmente anormal.

Daí, a necessidade do sensacionalismo mediático e das redes sociais a ampliá-lo e de seguida a controlá-lo, que faz tudo girar em círculos imparáveis e quase roçando a inconsistência, a leveza de tudo e de todos.

De repente parece que “pensar fora da caixa”, fora do que é a notícia mais sensacionalista do dia, é de pessoas ultrapassadas, que não vivem no seu tempo, que não vão na “onda” – seja lá o que isto possa ser – que ficaram apalermados, parados no tempo.

Sendo que o imediatismo vigente, que embrulha todos ao mesmo pensamento, inconsequente e diário, formata, igualiza, faz com que estejamos todos a funcionar sem ideias – já nem falar nem idealismos. Como robôs programados, com um automatismo que cria uma massa amorfa e sem rumo. Se é para dizer mal todos dizem, se é para partir todos partem, se é para parar todos param. Pouco, talvez.

As não referências é o que “está a dar” e todos temos, têm, que seguir este vazio de conteúdo, sem amanhã, sem aprendizagem, sem interesse, dado se estar a moldar um tempo vazio de comportamentos e de princípios, indispensáveis para viver menos mal em sociedade.

Enquanto não quisermos desligar deste imediatismo que nos entra diariamente ouvidos e olhos adentro, com tudo pela espuma dos acontecimentos, na noticia que ontem foi, hoje é outra e amanhã nova será, tudo demasiado superficial, e se não acharmos valer “perder” algum do nosso tempo, a pensar, a aprender, a apreender, a ler história e memória, evidentemente não nos vamos endireitar – nada tendo a ver com políticas – e vamo-nos a cada dia mais afundando.

A evidência de cada dia vai-se tornado mais dolorosa que a vivência do anterior!

A. Küttner de Magalhães