Se nem pais mandam, nem educadores, cumprem, é tudo à balda!

As crianças têm que, cada vez mais ter carinho, sendo desejadas, devem ter o espaço de amor que lhes é merecido. Porém, a educação, que mais que instrução, faz-se educando e também instruindo. E todos e cada um sejam mães/pães, educadores, professores e todos mais que com crianças possam lidar, devem passar vivências dignas de presente, com aprendizagens do passado e preparação para o futuro.

E, apesar de haver uma tendência cada vez mais em força de que as crianças não podem ter regras, nem disciplina, para não ficarem – tadinhas – traumatizadas, estamos, não de agora, mas quase há duas décadas, a lidar mal com o que deve ser lidado, bem.

As mães/pais se se demitirem de amar e educarem os seus filhos, pelo exemplo, pelos comportamentos, pelas regras impostas, e com carinho ,cada coisa a seu tempo, não só vão perder as crianças, como se arriscam a criar adolescentes, que aos 40 anos, ainda não chegaram a adultos. Sem traumatismos, claro.

Os educadores, se não criarem os seus espaços com disciplina, para poderem cabalmente exercer as suas funções, como é evidente, nas as cumprem.

E andamos todos num passa culpas que entrou em círculos e todos nos desresponsabilizamos das nossas obrigações, para ser fixe, para se estar na onda, porque é assim que está a dar.

E vemos em todo o lado, crianças, mais novas ou nem por isso, que não obedecem a quem quer que seja, porque lhes foi incutida a ideia que não têm que obedecer.

E como por azar vivemos em sociedade, e como por azar os espaços em que nos movimentamos não são infinitos, com cada um a só ser educado e preparado para pensar em si e só em si, estamos em plena selva.

Mas é fixe, todos em todo o lado a falarem aos berros. É fixe não haver respeito. É fixe gritar-se ao telemóvel como se estivéssemos sózinhos. É fixe fazer dos locais públicos, locais de continuação de comportamentos que nem em casa deveríamos ter, que não quereríamos que aplicar em casa. Mas aplicamos, por certo e mal! Ou pelo contrário, quanto pior, melhor!

E, nunca, ninguém tem “disto” culpa. São sempre os outros, nunca somos nós.

E convém repetir até à exaustação que tem que se ter muito cudado com as criancinhas, para as não traumatizar, para não lhes aplicar regras, para andar tudo de qualquer jeito e feitio. Assim é que é bom, assim é que criamos valores de futuro, vividos no presente e sem história, nem memória.

Talvez seja de todos e cada, um conseguirmos reflectir nesta situação. Talvez seja de todos e cada esforçarmo-nos por fazer, já, com que a educação e a instrução ocupem os seus espaços e ajudem-nos a (re)construir uma sociedade civilizada.

Talvez seja de pensarmos que se insistirmos nesta balda, nesta desordem, nessa selvageria, continuado todos e cada um demasiado vidrados em nós próprios, somos demasiados a fazer o mesmo erro. Talvez seja de querer tudo melhor ou então deixar andar, e começarmo-nos, quais canibais, a comermo-nos uns aos outros, mas é fixe! É moderno. Não traumatiza, mata!

Augusto Küttner

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