Um bom cartoon raramente é desenhado a traço grosso. A coragem de quem reduz um momento ou um contexto a uma quadrícula de desenho representa, simultaneamente, um desafio largo de abrangência e um terrível esforço de síntese. De forma muito semelhante a quem procura contar estórias na formatação de uma canção, um cartoonista procura passar uma mensagem forte num curto espaço, com ou sem legenda, mas com um “punch-line” que demanda muito mais ao que está implícito do que ao que denota. Este é um dos segredos da síntese, resguardar para o pensamento e reflexão dos outros a imagem da vida que se mostra em desenho. É, no fundo, um apelo à coragem dos outros.
Em 1992, o cartoonista António desenhou de forma brilhante João Paulo II com um preservativo enfiado no nariz, quando o Papa criticou o uso do preservativo numa jornada pastoral em África. As reacções à publicação no jornal “Expresso” foram semelhantes a um furacão indignado, alimentado pela polémica de quem não admitia que a síntese se fizesse por uma metáfora.
Uma espécie de Jihad católica portuguesa levantou-se em coro indignado, como Kruz Abecassis (na altura, presidente da Câmara de Lisboa) se havia indignado aquando da exibição de “Je vous salue, Marie”, de Jean-Luc Godard, na Cinemateca num verão quente de 1985. É nestes momentos que a Igreja Católica faz os cálculos e conta com poucos devotos: o abaixo-assinado contra a caricatura de António, discutido no Parlamento, esperava cerca de um milhão de assinaturas mas esgotou o seu prazo de validade com 28 mil indignados contra o desaforo papal.
Quando António volta a aproximar um preservativo de um sumo pontífice, em 2009, enfiando-o na cabeça do Papa Bento XVI já só recebeu duas cartas de indignação. Neste momento, até o Papa admitia o uso do preservativo para evitar a contaminação com o vírus da sida, nomeadamente em África.
Mudam-se os tempos, mudam-se os cartoons.
É também por isso que a arte é uma prova da realidade dos homens no tempo à espera de ser interpretada.
Não é um privilégio português ou do catolicismo, pelo contrário. Basta recordar, no passado recente, às reacções do Islão à publicação de duas representações de Maomé num jornal dinamarquês e posterior divulgação na Noruega. Os protestos no mundo muçulmano foram violentos e merecerem, eles mesmos, diversos cartoons. Talvez porque seja um retrato mais fiel da realidade, uma fotografia não convoca tamanha indignação. Qualquer representação é mais forte e mais disruptiva, menos anulável pelo antídoto do contrafactual. Numa representação, os factos estão à mão do pensamento e fazem um apelo à interpretação e ao juízo.
Apesar de todos os prismas de aferição, a realidade ainda é o que é.
Xeique Munir: “Se não estão satisfeitos em viver num país liberal, podem emigrar”
Imã da Mesquita de Lisboa critica “actos bárbaros” que “utilizam o Islão de forma negativa”, denigrindo a “mensagem da tolerância e da paz que ele transmite”.
A comunidade muçulmana de Lisboa está chocada com o ataque ao jornal satírico francês “Charlie Hebdo”, que fez 12 mortos, e cujos atiradores terão gritado “vingámos o profeta”, de acordo com testemunhas citadas pelo jornal “Le Parisien”.
“Estamos chocados porque não esperávamos que isto acontecesse e estas pessoas – que ainda não sabemos quem são, mas se forem muçulmanos preocupa-nos ainda mais – estão a denegrir a imagem do Islão”, disse à Renascença o Xeique David Munir.
O Imã da Mesquita de Lisboa criticou estes “actos bárbaros de crueldade”, que não são compatíveis com o ambiente de liberdade dos países liberais.
“Se não estão satisfeitos em viver num país liberal, podem emigrar e deixem-nos em paz”, afirmou peremptório.
Na sua opinião, os autores do ataque “utilizam o Islão de forma negativa” e denigrem a “mensagem da tolerância e da paz que ele transmite”.
O representante da comunidade muçulmana de Lisboa aponta uma solução para estes movimentos extremistas, que passa pela “educação, integração e fazer ver as pessoas de que é possível conviver com o seu próximo, independentemente da crença que tem”.
“A minha liberdade acaba onde começa a liberdade do outro”, lembra.
Janeiro 7, 2015 at 3:20 pm
A Liberdade…
http://visao.sapo.pt/tweet-do-charlie-hebdo-publicado-minutos-antes-do-atentado-torna-se-viral=f806221
Janeiro 7, 2015 at 3:52 pm
La louange est à Allah, il n’y a de divinité qu’Allah et Allah est le Plus Grand
Janeiro 7, 2015 at 4:43 pm
tradução 2.
“Louvado seja Deus, não há outro Deus senão Alá e Alá é o Maior”
E…????
Janeiro 7, 2015 at 4:56 pm
Liberté, Egalité, Fraternité …
Um cartoon vale por mil palavras
Um bom cartoon raramente é desenhado a traço grosso. A coragem de quem reduz um momento ou um contexto a uma quadrícula de desenho representa, simultaneamente, um desafio largo de abrangência e um terrível esforço de síntese. De forma muito semelhante a quem procura contar estórias na formatação de uma canção, um cartoonista procura passar uma mensagem forte num curto espaço, com ou sem legenda, mas com um “punch-line” que demanda muito mais ao que está implícito do que ao que denota. Este é um dos segredos da síntese, resguardar para o pensamento e reflexão dos outros a imagem da vida que se mostra em desenho. É, no fundo, um apelo à coragem dos outros.
Em 1992, o cartoonista António desenhou de forma brilhante João Paulo II com um preservativo enfiado no nariz, quando o Papa criticou o uso do preservativo numa jornada pastoral em África. As reacções à publicação no jornal “Expresso” foram semelhantes a um furacão indignado, alimentado pela polémica de quem não admitia que a síntese se fizesse por uma metáfora.
Uma espécie de Jihad católica portuguesa levantou-se em coro indignado, como Kruz Abecassis (na altura, presidente da Câmara de Lisboa) se havia indignado aquando da exibição de “Je vous salue, Marie”, de Jean-Luc Godard, na Cinemateca num verão quente de 1985. É nestes momentos que a Igreja Católica faz os cálculos e conta com poucos devotos: o abaixo-assinado contra a caricatura de António, discutido no Parlamento, esperava cerca de um milhão de assinaturas mas esgotou o seu prazo de validade com 28 mil indignados contra o desaforo papal.
Quando António volta a aproximar um preservativo de um sumo pontífice, em 2009, enfiando-o na cabeça do Papa Bento XVI já só recebeu duas cartas de indignação. Neste momento, até o Papa admitia o uso do preservativo para evitar a contaminação com o vírus da sida, nomeadamente em África.
Mudam-se os tempos, mudam-se os cartoons.
É também por isso que a arte é uma prova da realidade dos homens no tempo à espera de ser interpretada.
Não é um privilégio português ou do catolicismo, pelo contrário. Basta recordar, no passado recente, às reacções do Islão à publicação de duas representações de Maomé num jornal dinamarquês e posterior divulgação na Noruega. Os protestos no mundo muçulmano foram violentos e merecerem, eles mesmos, diversos cartoons. Talvez porque seja um retrato mais fiel da realidade, uma fotografia não convoca tamanha indignação. Qualquer representação é mais forte e mais disruptiva, menos anulável pelo antídoto do contrafactual. Numa representação, os factos estão à mão do pensamento e fazem um apelo à interpretação e ao juízo.
Apesar de todos os prismas de aferição, a realidade ainda é o que é.
http://www.jn.pt/Opiniao/default.aspx?content_id=4325305&opiniao=Miguel%20Guedes
Janeiro 7, 2015 at 5:16 pm
Xeique Munir: “Se não estão satisfeitos em viver num país liberal, podem emigrar”
Imã da Mesquita de Lisboa critica “actos bárbaros” que “utilizam o Islão de forma negativa”, denigrindo a “mensagem da tolerância e da paz que ele transmite”.
A comunidade muçulmana de Lisboa está chocada com o ataque ao jornal satírico francês “Charlie Hebdo”, que fez 12 mortos, e cujos atiradores terão gritado “vingámos o profeta”, de acordo com testemunhas citadas pelo jornal “Le Parisien”.
“Estamos chocados porque não esperávamos que isto acontecesse e estas pessoas – que ainda não sabemos quem são, mas se forem muçulmanos preocupa-nos ainda mais – estão a denegrir a imagem do Islão”, disse à Renascença o Xeique David Munir.
O Imã da Mesquita de Lisboa criticou estes “actos bárbaros de crueldade”, que não são compatíveis com o ambiente de liberdade dos países liberais.
“Se não estão satisfeitos em viver num país liberal, podem emigrar e deixem-nos em paz”, afirmou peremptório.
Na sua opinião, os autores do ataque “utilizam o Islão de forma negativa” e denigrem a “mensagem da tolerância e da paz que ele transmite”.
O representante da comunidade muçulmana de Lisboa aponta uma solução para estes movimentos extremistas, que passa pela “educação, integração e fazer ver as pessoas de que é possível conviver com o seu próximo, independentemente da crença que tem”.
“A minha liberdade acaba onde começa a liberdade do outro”, lembra.
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=1&did=174055
Janeiro 7, 2015 at 5:23 pm
ALÁ É GRANDE E UM PORCO SELVAGEM..
https://bulimunda.wordpress.com/2015/01/07/se-sufocarmos-o-nosso-medo-perderemos-a-possibilidade-de-nos-orientarmos-numa-direccao-determinada-e-daremos-aqui-e-ali-lugar-a-uma-serie-de-estupidas-explosoes-privadas-causando-os-piores-estragos/
Janeiro 7, 2015 at 5:24 pm
https://bulimunda.wordpress.com/2015/01/07/tom-waits-gods-away-on-business/
Janeiro 7, 2015 at 5:24 pm
Janeiro 7, 2015 at 5:44 pm
#2
Pode ser grande, alguns que o seguem é que são muito baixos.