Desacreditamo-nos, a cada dia que passa

Não se trata – sequer – do crédito monetário que as agências de rating têm sobre nós, mais os credores que nos levam juros alargados, antes e muitíssimo mais grave, o crédito que de nós sobre nós próprios, deixámos de ter.

Não se trata de dinheiro, trata-se de muito mais do que isso, se bem que este – dinheiro – hoje, comanda a vida. Trata-se de confiarmos em nós, na passagem deste presente bastante atribulado, a um futuro mais promissor, evitando tantos e consequentemente repetidos erros do passado recente e mais longínquo.

Não se trata de confiar em políticos que não sabem fazem política, mas se instalam nesta como modo eterno de vida. Trata-se de nos ajudarmos como um todo, como Pessoas num espaço e tempo que são os nossos – e são os únicos a ser vividos – estando à beira do colapso, e que se conseguirmos e quisermos, ainda poderá vir a ter futuro.

Não se trata de esperar por um Estado que parece omnipresente e omnipotente, mas não o é, longe disso, dado ser feito por demasiados iguais a nós, com excessivos defeitos. Trata-se de enfrentarmos desafios com prespectivas consistentes de mais do que “um dia de cada vez”, mas com humildade e sem arrogância, sem invejas, sem desenrascanços, sem xico-espertismo, com educação, princípios, respeito e futuro.

Não se trata de esperar que “alguém” nos resolva tudo o que está por resolver e que aumenta a cada dia que passa. Trata-se, antes, de todos e cada um, sermos parte activa das soluções e nunca só dos problemas, que se aglomeram, estes, sem aquelas.

Ou, continuamos a desacreditarmo-nos, mais e mais, até ficar ainda mais sem conserto. Já esteve mais longe.

A. Küttner de Magalhães