Vai ser um ano de mentiras a decuplicar, sendo que os últimos já foram de aldrabice aos terabytes.
A situação vai dizer que salvou o país do abismo e que agora o perigo está afastado se os mantiverem por lá. É mentira, porque eles ainda querem fazer pior do que já fizeram e nem sequer o escondem entre eles. O CDS faz de corno manso nesta estórinha, aparecendo a dar a entender que se preocupa muito com as famílias e os cidadãos e os aposentados, mas, no fundo, apenas querem garantir a alapagem ao poder e arquivamentos a condizer.
A oposição que se pretende alternativa governamental vai dizer parte do que disse acima, acrescentando que tem um caminho diferente e um destino muito mais aprazível, mas também é mentira porque eles nem conseguem alinhavar três parágrafos coerentes sobre uma forma (concreta) diferente de governar. Entre romarias a Évora e piscadelas aos trânsfugas do Bloco, resta um enorme vazio de verdadeira alternativa, apenas estando em discussão se a porta para o futuro negro vai ser pintada em azul-anil ou azul-cobalto.
A oposição que se pretende alternativa mesmo alternativa (a que sonha ser Syriza ou algo assim, mas não consegue) apresentará propostas muito concretas de fazer diferente, mas sem explorar completamente as consequências dessas suas alternativas, nem como as colocariam em prática se tivessem problemas “institucionais” ou “forças de bloqueio” como aquelas que gostam de ver colocadas aos outros. e nem sempre dão os melhores exemplos nos seus micro-feudos locais onde têm poder para fazer diferente, mas acabam a fazer parecido em termos de clientelas e negociatas afins.
No meio de tudo isto, note-se que não falo em márinhos, porque esses não passam de poltrões armados em fanfarrões, porque quando a coisa aperta, são iguais aos que criticam, mas com muito menos legitimidade porque se ergueram em justicialistas, mas apenas para terem um lugar mais próximo da gamela.
Vai ser um ano de muito falar no passado para encobrir os falhanços do presente, mas também de muita conversa no presente para disfarçar a porcaria do passado. O futuro, todos dirão que será sorridente se forem eles os escolhidos e certamente será sorridente para eles, se forem os escolhidos, pois poderão repartir o bolo e atirar as migalhas aos kapos que manterão os mexilhões na ordem.
A abstenção é um caminho?
Depende do que se faça com ela. Se é para virar as costas a tudo, se é para sublinhar um enorme vazio que precisa ser preenchido. Ainda dentro do sistema, mas a caminho de outra coisa.
Que coisa?
Um regime democrático a sério, de representação transparente e coerência nas palavras e actos (não confundir com o caturrismo televisivo dos medinas ou o narcisismo exacerbado dos gomesferreiras) ,onde os actores políticos não tenham sempre o telefone disponível para quem (nacional ou internacional) lá os colocou, a ver que cargo vem a seguir para garantir a vidinha.
Se isto parece impossível e daqui resulta pouca esperança em qualquer mudança positiva?
Poizé!
Dezembro 31, 2014 at 4:50 pm
http://www.jornaldenegocios.pt/multimedia/bloomberg/areas/tecnologia/detalhe/foxconn_plans_to_replace_workers_with_machines_roubini.html
Dezembro 31, 2014 at 5:37 pm
A abstenção é o meu caminho já há alguns anos. Não por desinteresse ou desleixo mas sim por acção e revolta. Essa então dos “márinhos” justicialeiros viu-se logo na colagem à defesa de Sócrates que esse senhor enveredou. Esse e muitos outros do tipo “Eixo do Mal” e companhia. NOJO! Nojo me mete essa gente toda e por mim só levarão “Bordalos” bem afincados.
Dezembro 31, 2014 at 5:45 pm
Olhando para o que aí vem em 2015, o que mais apetece dizer é que estou, estamos todos fartos deste modo de fazer política, que transforma esta numa arruada sem fim, que torna as campanhas eleitorais em mero ruído ou poluição, das excursões comicieiras de 3ª idade e funcionários de município, dos políticos-animadores-de-rua-e-televisão, das mensagens plastificadas e sem conteúdo, das “estratégias políticas” que não passam de consumíveis para sondagens fast-food. Já se atingiu o ponto de saturação em que a Política verdadeiramente não tem mais lugar.
Escrevi Política com maiúscula porque, justamente, o problema fulcral que aqui emerge prende-se com um fenómeno que atingiu mortalmente o coração da nossa democracia: a dessacralização da política.
Dessacralização da política não no sentido que Maquiavel trouxe, bem entendido, mas no de tornar a Política algo intrinsecamente baixo, rasteiro, desprezível, que os cidadãos sentem não decisivo, mas intrusivo, que não lhes diz fundamentalmente respeito, tornada uma actividade de “profissionais do embuste e da dissimulação” – e que, por isso, pode ou deve ficar distante -, transformando a vida cívica numa feira de vaidades e o debte político num desfile de inanidades.
Esta dessacralização da política, que se traduz no definhamento da cultura cívica e no ocaso do empenhamento e da participação na vida democrática, é, justamente, que está na base do fenómeno mais preocupante que enfrentamos: o declínio e desvitalização da Democracia, como valor e como forma de vida colectiva e projecto de humanidade.
Para 2015, o debate que talvez tenha mais urgência travar – designadamente à Esquerda – é sobre esse fenómeno maciço de despolitização, e da consequente procura de um Pensamento que tem que saber comprender, para poder transformar, uma sociedade global devastada por uma vaga pós-política, pós-ideológica, entregue à vertigem suicidária do capitalismo digital.
Dezembro 31, 2014 at 5:46 pm
Eu nas últimas eleições escolhi a melhor foto. Como sou bióloga escolhi a papoula. O meu namorado escolheu o trevo o que também não está mal. Parece que há mais gente como nós. 😛
Nota: nem sabia o nome dos fulanos.
Dezembro 31, 2014 at 5:52 pm
Em 2015 nem sequer já espero que o novo acordo ortográfico seja revogado.
Restam nichos, cada vez mais escassos, de resistência à forma de escrita que não é mais do que um exemplo da nossa submissão, enquanto povo/nação, às múltiplas imposições vindas do exterior (financeira, económica e cultural)…
Apesar de tudo, desejo a todos o melhor ano que quiserem ou conseguirem viver!
Dezembro 31, 2014 at 5:55 pm
Concordando com tudo apenas não acredito na ideia de uma “representação transparente”.
A política não é uma caixa de vidro onde se possa anular a distância do Outro em quem confio. A actual desconfiança advém de um sistema injusto e corrupto, não por causa da ausência de transparencia, mas precisamente pelo excesso dela: quando um politico se apresenta para governar nas actuais condições, sabe-se se antemão que vai jogar segundo as regras do capitalismo. Logo só pode ser submisso e alinhar com o poder dominante.
A representação opõe-se à transparencia porque esta última é a essência da exposição no mercado das intimidades, onde os políticos exibem sem pudor os seus cálculos de conquista e exploração dos outros.
Não há pensamento, não há distanciamento, não há ritual, resta apenas o vazio pornográfico da vontade de poder, sem qualquer sentido para a reabilitação dos valores humanos.
Cada sujeito que se promove na politica torna-se no seu próprio objecto de publicidade, e por isso exigir ainda mais transparência só pode redundar numa ditadura porno panóptica.
Dezembro 31, 2014 at 6:02 pm
#3 e 5
Sem combinarmos acabamos por descrever a mesma situação com particularidades diferentes e com esquemas de resistência que ainda nos restam.
Já #4 é um belo exemplo daquilo a que chegou a “escolha” política numa sociedade hiper narcisista…
Dezembro 31, 2014 at 6:24 pm
“A abstenção é um caminho?”
Não é o único caminho:
http://lishbuna.blogspot.pt/search?q=cadeiras+vazias
Dezembro 31, 2014 at 6:37 pm
Poizé!
Acho que estaremos ” fritos ” … em banhos antónios/paulinhos/pedros/aníbal.
Dezembro 31, 2014 at 7:08 pm
Faltavam 6 dias e de repente estamos na reta final.
http://oduilio.wordpress.com/2014/12/25/faltam-6-dias-para-o-ano-terminar/#respond
Janeiro 1, 2015 at 12:55 am
2015 vai ser sempre a cair Vamos ver se dizem alguma coisa na televisão Amanhã já deve haver notícias
Janeiro 1, 2015 at 1:22 am
Os ânimos não abundam por aqui. Que me perdoem os circunstantes, mas parece-me faltarem ideias chave para desfazer o nó górdio em que nos encontramos. É pena, num fórum de professores. Todas as políticas tẽm sido justificadas pelo estado de emergência do curto prazo, mas a situação vai piorando precisamente em consequẽncia das medidas promulgadas supostamente para contrariar o estado de emergẽncia. Começámos por responder à chamada eleitoral sob ameaça de não receber o salário do mês seguinte. Hoje vemos a juventude – os nossos filhos – em debandada e Portugal a marcar pontos no baixo nível de natalidade. Nem sei o que será pior, se deixar de receber um salário, de assistir à lenta agonia do país.
No entanto a ofensiva para reduzir ainda mais a influência dos cidadãos nos actos do governo prossegue: há tentativas para eliminar do parlamento os partidos que não estão no “arco da governação”. Assim como tentativas para garantir a supremacia do quartel-general da NATO em Bruxelas sobre a hierarquia militar nacional. Tentativas para domesticar o aparelho judicial. Tentativas para rasgar a Constituição, instaurando um governo sem lei. Tentativas para retirar do sector público o pouco que resta rentável. Tentativas para privatizar a água, a totalidade da banca e dos seguros, a quase totalidade do ensino, dos serviços sociais e do sistema nacional de saúde.
Com clichés não vamos a lado algum. Há que afinar a pontaria. Mais grave do que alguém inverter o discurso ao chegar ao poder é permitir-se que tal seja feito impunemente. Não vejo, mas será limitação minha certamente, como é que a abstenção vá contrariar isso. Não vejo como é que as debilidades do sistema democrático se combatem com maior enfraquecimento propositado.
Ainda assim, desejo um Bom Ano Novo para todos.
Janeiro 1, 2015 at 3:27 am
Votos de um excelente 2015!
Janeiro 1, 2015 at 10:52 am
Eu inté estou animadu para 2015. Com a equi-pá ministeri-al Fiolhais Guineote a entrar para o anu, todus us probremas seraum resolbidos. hic hic
Janeiro 1, 2015 at 11:01 am
#12:
Sem dúvida, António Ferrão.
Bom ano.
Janeiro 1, 2015 at 12:53 pm
#12
Concordo inteiramente.
A abstenção é, a minha opinião, um tiro no pé. É preciso afinar melhor a pontaria para fora do arco da (des)governação.
Janeiro 1, 2015 at 1:42 pm
#14,
Vargas… o hic hic é quando a gente se cruza com o teu delfim e ele bafeja na nossa direcção. 🙂
Aquilo lá pela Amadora em termos de Educação? Está tudo resolvido ou a ida foi mesmo só para as senhas e o currículo do conselheiro?
Janeiro 1, 2015 at 1:52 pm
#6,
Tenho de manter alguma esperança numa democracia transparente, por paradoxal que pareça em relação ao que conhecemos.
Porquê?
Porque as alternativas são piores, muito piores e porque mesmo uma democracia “basista” (ou “popular” a sério, sem o centralismo disfarçado das soluções de outros tempos) corre riscos de profundas manipulações.