“Shukov adormeceu completamente satisfeito, feliz. Fora bafejado por vários golpes se sorte durante aquele dia: não o haviam posto no xadrez; não haviam enviado a brigada para o Centro; surripiara uma tigela de kasha ao almoço; o chefe da brigada fixara bem as rações; construíra uma parede e tirara prazer do seu trabalho; arranjara aquele pedaço de metal e conseguira passá-lo; recebera qualquer coisa de Tsezar, à noite; comprara o tabaco. E não caíra doente.
Um dia sem uma nuvem carregada, sombria. Quase um dia feliz.
Contava já no seu activo três mil seiscentos e cinquenta e três dias como este. Desde o primeiro até ao último toque na barra de carril.
Os três suplementares pertenciam a anos bissextos.”
(Alexandre Soljenitsin, Um dia na vida de Ivan Denisovich, 1972, p. 198)
Dezembro 29, 2014
Dezembro 29, 2014 at 11:48 am
Soljenitsin, ou aquele agente da CIA que nunca chegou aos calcanhares do Saramago…
Dezembro 29, 2014 at 12:32 pm
Os dias felizes são mesmo aqueles em que o sol espreita num dia de Inverno. Eu vivo em simbiose com cianobactérias e faço a fotossíntese, por isso, fico de cara voltada para o sol a absorver o tempo. Em completo sossego.
Dezembro 29, 2014 at 1:13 pm
Quase um dia feliz…
Dezembro 29, 2014 at 1:52 pm
O primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, propôs hoje 25 de Janeiro para a realização de eleições legislativas antecipadas, na sequência do fracasso do parlamento em eleger um presidente e da consequente dissolução da assembleia.
“Amanhã [terça-feira], vou pedir ao actual presidente a dissolução do parlamento e a realização de legislativas antecipadas a 25 de Janeiro”, disse Samaras, citado pela agência France Presse.
O parlamento da Grécia voltou hoje a não conseguir eleger um presidente, pela terceira vez, com o candidato apresentado pelo governo, Stavros Dimas, a não obter os 180 votos necessários para ser eleito.
A Constituição da Grécia estipula que a não-eleição do presidente ao fim de três rondas implica a dissolução do parlamento nos próximos 10 dias e a convocação de eleições legislativas antecipadas.
Lusa/SOL
Dezembro 29, 2014 at 11:07 pm
Estou a ler Gulag. A History, da Anne Applebaum – uma experiência única sobre como um mal extremo conseguia ser tão proficuamente inútil, mas sempre levado muito a sério… e pelas melhores razões. Esta e outras obras de Soljenitsin são abundantemente citadas, juntamente com um levantamento arquivístico monumental.