“Shukov adormeceu completamente satisfeito, feliz. Fora bafejado por vários golpes se sorte durante aquele dia: não o haviam posto no xadrez; não haviam enviado a brigada para o Centro; surripiara uma tigela de kasha ao almoço; o chefe da brigada fixara bem as rações; construíra uma parede e tirara prazer do seu trabalho; arranjara aquele pedaço de metal e conseguira passá-lo; recebera qualquer coisa de Tsezar, à noite; comprara o tabaco. E não caíra doente.

Um dia sem uma nuvem carregada, sombria. Quase um dia feliz.

Contava já no seu activo três mil seiscentos e cinquenta e três dias como este. Desde o primeiro até ao último toque na barra de carril.

Os três suplementares pertenciam a anos bissextos.”

(Alexandre Soljenitsin, Um dia na vida de Ivan Denisovich, 1972, p. 198)

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