Domingo, 14 de Dezembro, 2014


Anthony e Lou Reed, Candy Says

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Já não interessa nada se o Ricardo Salgado está preso em Évora, se o Sócrates tem um visto gold para a Venezuela ou se o advogado do Portas vai apresentar um requerimento para ele se libertar da coligação.

  • Não avaliar os alunos porque é uma coisa discriminatória, elitista e pouco inclusiva. E porque as retenções são caras.
  • Não passar trabalhos de casa porque aumenta as desigualdades, aborrece os pais e cansa a miudagem.

A seguir e porque não, proponho eu:

  • O fim dos currículos e programas porque estão desactualizados e estão eternamente condenados a está-lo, pelo que o melhor é ficarmos por umas conversas acerca disso. Cada um disserta sobre um tema a seu gosto e, desde que cumpra o número de palavras e se sinta feliz com isso, está passado.
  • O fim das aulas formais porque é uma chatice e é mais giro se tudo for por e-learning e com base em jogos no feici. A medida tem o bónus suplementar de acabar com toda a burocracia ligada à assiduidade e de diminuir a indisciplina nas aulas. em vez de avaliação teríamos um concurso de popularidade, baseada nos laikes em vídeos munta giros.
  • O fim dos professores, pois o pós-modernismo e o multiculturalismo boaventuriano nos ensinou que não existem categorias fixas e imutáveis, que o conhecimento é relativo, os paradigmas meras convenções e que as posições de autoridade em matéria de saber ou não, ensinar ou aprender não passam de posições em movimento num cenário em que os actores mudam de papel a cada momento.
  • O fim das escolas, organização típica de um taylorismo capitalista e de uma massificação fordiana, como consequência do novo paradigma educacional acima descrito, muito mais humanista, muito mais focado no indivíduo, na sua liberdade enquanto aprendente num mundo globalizado, sem fronteiras, sem portões, sem toques, sem vedações.

Os DFT (donos da fruta toda) que decidam entre si quem fica com o melão.

soneca

Há gente animada com a iniciativa francesa de tornar a avaliação dos alunos muito holística.

Por um lado, podemos alegar que sempre se reduziria a papelada, a burocracia, as grelhas.

Por outro, tenho por experiência directa vivida que muitos defensores destas abordagens assim a modos que “globais” das “competências” dos alunos tendem a ser muito mais palavrosos e reflexivos do que aqueles que se ficam pela avaliação mais simplista.

Posso estar muito enganado, mas quer-me parecer que um sistema de avaliação dos alunos sem notas quantitativas ainda acabaria por ser um labirinto maior de conversa fiada do que o sistema que temos.

Mas, por mim, podem experimentar tudo, que eu aguento-me ao barulho. Mas depois não apareçam a sacudir a água do capote, que se não funcionou a culpa é de quem não percebeu a operacionalização ou a dizerem que nunca gostaram da ideia, tal como nunca votaram no Cavaco há 25 anos, nem no Sócrates há 10, que foram sempre os outros a ter más ideias.

querolasaber

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