Não sei se fica mal falar nestas coisas… mas sempre me pareceu que as bestas devem ser denunciadas, sem um especial remorso tardio de colonialista (que nunca fui) ou receio de empreendedor ansioso por não insatisfazer os potenciais patrões e/ou financiadores.

Foi algemada para não poder defender-se, descreve a própria num vídeo que circula na Internet, onde também foram publicadas fotografias dos hematomas e ferimentos que lhe marcam o corpo. “Quando começou, eram 16h. E só terminaram às 18h”, diz a estudante de 26 anos sobre a tortura de que foi vítima. O caso também é denunciado no site de notícias Maka Angola, do activista Rafael Marques.

No vídeo, a estudante do 2.º ano de Filosofia da Universidade Católica de Angola conta que, durante as duas horas ininterruptas em que foi espancada, várias vezes pediu perdão, “por não aguentar mais”. Um oficial respondeu-lhe: “Essas histórias de desculpas vieram tarde de mais. Você tem que nos prometer aqui, agora, que nunca mais vai participar em nenhuma manifestação.”

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“Seis comandantes da polícia e oficiais à paisana do SINSE fizeram um círculo para me torturarem, enquanto os subordinados assistiam”, conta a activista, enfatizando que eram os responsáveis que a espancavam enquanto os agentes assistiam ou filmavam. “Arrastaram-me com a cabeça no asfalto, atiraram-me para um carro e levaram-me para a esquadra.” E lembra como começou: estava com outros três activistas junto ao Largo da Independência, para a manifestação convocada pelo Movimento Revolucionário, que organizou vários protestos contra o Governo nos últimos anos.