A Europa no século XXI perde o século XX.
No século XX, a Europa passou por duas Guerras que se tornaram mundiais, por não conseguir até meados do mesmo, entender-se a bem. A partir daí contra todas as expectativas, tenta uma unidade que não à força, nem pelas armas, que até aos anos noventa, parece poder vir a ser uma realidade. Mas a partir daí começam a vir “ao de cima” uma vez mais, as diferenças sobre as vontades de igualar, e tudo o que supostamente se foi compondo para unificar, vai-se desfazendo.
No início do século XXI, aquele que parecia vir a poder ser “o fim do Mundo” – ano 2000-, a Europa tendo até uma moeda própria, que deveria aproximar os diversos países, começa o seu forte declínio, ao que parece imparável. Declínio esse, sentido internamente, e já dado como uma certeza externamente. E uma vez mais a Europa perde a oportunidade de continuar a ser e ter, alguma centralidade num mundo, “agora” global.
Num mundo em que ser demasiado pequeno é quase não existir. Num tempo em que muitos valores se deixaram ultrapassar pelo “valor” do dinheiro, e que o exemplo de sofrimentos dado pelas últimas duas Guerras deixou de estar presente, e tudo o que foi sendo criado como espaço de unificação, ou seja ONU, Nato, União Europeia, não passam de nomes cada vez com menos conteúdo e relevância.
E a Europa reconhecendo-se a perder espaço e relevo nesta segunda década do seculo XXI não faz um mínimo de esforço para contrariar esta situação, bem pelo contrário, deixa-se arrastar por orgulho perdido, em vez de dar o salto em frente e de uma vez por todas, se juntar.
Não, os alemães com o seu poderio, que já não mundial, mas local, não querem ceder um pouco e abrir caminhos a novas oportunidades de unificação. Os países do sul europeu, têm momentos que reagem como se fossem parte de África do norte e não parte da Europa a Sul. E deixam-se levar por falta de regras, como se fosse a melhor forma de se organizarem.
Em toda a Europa perde-se o prestígio, que se conseguiu ciar não só no seculo XX, como em vários séculos antecedentes, em que fomos a centralidade e demos espaço a outros para se poderem desenvolver, com a civilização que nos foi possível ter e até partilhar.
Se continuarmos neste movimento decrescente, se continuarmos a pensar que a História e a Memória têm duas semanas, se tanto. Se continuarmos a achar que sem uma verdadeira vontade de levar avante um projecto europeu sem vencedores nem vencidos. Se, assim continuarmos, iremos ficar como o tal verdeiro “museu do mundo”.
Museu, onde o Oriente, como já vai acontecendo, nos vem visitar, nos vem olhar, já não só aos nossos monumentos e à nossa história, mas a nós todos, como restos de um tempo em que fomos exemplares e estamos a passar a rudimentares.
Que pena não sabermos sequer olhar pela nossa História, pela nossa Memória, que não tendo que recuar séculos, bastaria pensarmos no XX para não fazermos tantos disparates e tanto desatino em declínio!
Augusto Küttner de Magalhães