… sobre a piolheira, a choldra, o pântano. Já cansa e não produz resultados, porque os mandantes encerram-se num casulo mental de auto-suficiência que roça o patológico.

Até porque o que diz o que está é exactamente o que dizia o anterior. Também Sócrates insistia em que avançar para o abismo era sinal de força, firmeza, liderança.

A cegueira que acomete aqueles que se sentam no cadeirão é quase imediata.

O líder social-democrata, Pedro Passos Coelho, disse hoje, na Guarda, que os políticos em Portugal não são todos iguais, dizendo que não se pode hesitar e «andar para trás» à primeira dificuldade.

«Nós só alcançamos na vida, com esforço, aquilo que sonhámos e porque nos batemos, se à primeira dificuldade, com medo de perder as eleições, de desagradar seja a quem for, começamos a hesitar, a andar para trás. Então, nesse dia, os portugueses têm razão para pensar que somos todos iguais [os políticos]», afirmou, na sessão de encerramento da Academia do Poder Local, na Guarda.

Comparemos com Sócrates em Março de 2011, a poucas semanas do descalabro:

O secretário-geral do PS, José Sócrates, afirmou na segunda-feira à noite que o partido “nunca virou a cara às dificuldades” e que “quando está no Governo faz aquilo que deve fazer para servir o seu país”.

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Sócrates acrescentou que o PS existe “para servir o país” e quando “está no Governo o que faz é abdicar de qualquer sentimento egoísta de popularidade” e de “qualquer tentativa ou de qualquer tentação de resvalar para a demagogia e oportunismo”. “Os portugueses sabem que, quando nós estamos no Governo frente a situações difíceis, nós somos capazes de fazer aquilo que é preciso fazer, sem nunca vacilar e sem nunca pensar em nós próprios”, frisou.

Os políticos podem não ser todos iguais, mas alguns são muito, muito parecidos.

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