… por um tema como o da deriva hiper-burocrática dos tempos modernos que se faz sentir nas escolas, pois passámos a ter um duplo controle de quase todos os actos, não tendo servido os meios digitais para aligeirar mas, em muitos casos, para duplicar o tempo gasto no registo de todos os actos, praticados, por praticar ou que é necessário demonstrar ter praticado.
Outubro 30, 2014
Tenho Um Especial Gosto…
Posted by Paulo Guinote under Agenda, Burocracia, Penso Eu De Que...[16] Comments

Outubro 30, 2014 at 9:09 pm
Eia! Há mais alguém no mundo que se deu conta deste pesadelo?!
Outubro 30, 2014 at 9:43 pm
Hiperpesadelo!
Outubro 30, 2014 at 9:50 pm
Pois..ainda hoje a falar do fordismo e a da produção em série perguntei aos alunos o seu número de serie..o prof está gozar?? não disse eu..o vosso nº de bilhete de identidade é o quê ??…é o vosso número de série..e eles ficaram calados…pois..olha que caraças.!!.disse um..a burocracia é a conexão dos números e o desfazer das pessoas..quando se reduz tudo a meros números tudo o resto deixa de ter sentido algum..
Outubro 30, 2014 at 10:05 pm
Fordismo ? Com ou sem imagens ?
Abordas essa temática nas aulas ?
🙂
Grande Henry Ford !
Outubro 30, 2014 at 10:09 pm
no 9 ano..
Outubro 30, 2014 at 10:14 pm
Já qui tenho chamado a atenção para a circunstância de, nas escolas, as tecnologias da informação, em vez de aligeirarem o trabalho burocrático aos professores, têm, ao invés, tornado possível que o mesmo se venha avolumando progressivamente.
Na maioria das escolas impera uma mentalidade burocrática, que basicamente, assenta na/induz a crença de que toda a realidade pode e deve ser uniformizada e regulamentada, e que encontra naquelas tecnologias um instrumento privilegiado de expansão e de dominação.
A burocracia revela-se, afinal, uma das formas mais eficazes a que o poder político pode recorrer para controlar as escolas e os professores, e conseguiu mesmo – esse é o seu maior triunfo – que o seu espírito fosse interiorizado na cultura dominante nas escolas e assimilada por grande parte dos professores.
Não por acaso, assiste-se, em paralelo, a uma progressiva proletarização dos docentes e à descaracterização do seu trabalho, de natureza humanizante e intelectual e, nessa medida, libertadora – perigosamente libertadora… -, que aparecem cada vez menos reconhecidos e valorizados
A mentalidade burocrática dominante parece, em suma, obedecer a este princípio compulsivo: se a informática permite produzir mais “papéis”, porque não produzi-los?
E porque não antes: agora que os computadores podem fazer grande parte do trabalho burocrático por nós, porque não empregarmos o tempo em coisas mais importantes e significativas para nós e para a nossa actividade profissional, para nos dedicarmos às coisas do espírito e da cultura, por exemplo?
Outubro 30, 2014 at 10:16 pm
http://bulimunda.wordpress.com/2014/10/30/ivans-childhood-la-infancia-de-ivan-1962/
Outubro 30, 2014 at 10:42 pm
#6
Inteiramente de acordo. A mudança que interessa verdadeiramente é a mudança de mentalidades.
E o curioso é que muitas vezes há esta mentalidade burocrática que exige mais e mais papéis, existem os computadores que permitem produzi-los e multiplicá-los rapidamente, e o único travão é o gasto incomportável em papel e fotocópias que obriga a moderar a “febre”.
Ainda assim, vão-se inventando formas de tornear as dificuldades. Por exemplo, lá para os meus lados, o sucessor do defunto PCT sobrevive como um documento com dezenas de páginas, inteiramente digital, que ninguém lê e que para nada serve, mas que tem de ser diligentemente alimentado ao longo do ano pelos directores de turma.
Trabalhar para os papéis em vez de trabalhar para os alunos é algo contra o qual sempre me tenho insurgido, muitas vezes em vão, que a luta contra a inércia é quase sempre uma batalha longa e difícil de vencer.
Outubro 30, 2014 at 10:45 pm
Na minha escola há uma obsessão por grelha, tudo e mais alguma coisa acaba numa gelha de excel; eu grelhados prefiro a carvão mas lá vou tendo que fazer dos outros…
Outubro 30, 2014 at 11:12 pm
É verdade…sinto saudades do papel…do lápis e da máquina de escrever!
O computador limita-nos a liberdade e a criatividade…é mais fácil ir à procura duma ficha sobre não sei quê do que inventar a ficha… já é demasiada tecnologia… e é preciso ver o mail… e responder ao mail…e as normas e orientações multiplicam-se em documentos digitais que mandam elaborar mais não sei quantos documentos que devem ser publicados na plataforma moodle… e que depois ninguém vai ler…
MAS se aparecer a INSPEÇÂO com as suas avaliações externas…vem perguntar pelos milhares de documentos…e das grelhas…e das avaliações internas e dos planos de melhoria e dos relatorios intermédios e trazem mais não sei quantas grelhas para preencher com base nas evidências dos documentos produzidos…dos gráficos elaborados a partir dos dados recolhidos…e de mais não sei quantas exportações de dados para não
sei quantas plataformas do MEC!!! E depois as exportações dos dados dos programas da secretaria nunca ficam bem exportados…dá sempre 20 ou 30 páginas de erros…que têm de ser corrigidos uma a um…e ás vezes o que falta ´preencher um campo com zeros! E ficam-se horas a olhar para a lista dos erros e a tentar corrigir para ver se a exportação corre bem… e depois…depois? Ninguém cruza os dados exportados com outra aplicação que pede exatamente os mesmos dados…mas nessa será preciso lançar tudo …campo a campo…
É uma dor de alma! tanto dado que se lança em tanto programa…em tanta aplicação…em tanta plataforma!!!
Até apetece que falte a luz durante umas horas e não haja net, nem computadores nem telefones… nem telemóveis…é um alívio!
Outubro 31, 2014 at 8:58 am
Paulo Guinote, desta vez até fica mais perto de Viseu, mas já tenho compromissos de cidadania assumidos.
Lamento não poder estar presente!
Outubro 31, 2014 at 10:40 am
Já agora: nas escolas onde foram adoptados os sumários electrónicos, foi posta online toda a informação que deu na bolha a alguém – penso que sejam as direcções – incluindo coisas como o mail privado dos professores, o número de telefone e telemóvel e até o recibo de vencimento com o nib. Isto é legal?
Outubro 31, 2014 at 10:49 am
#12,
É tudo légale, incluindo quem controla o programa ou a rede aceder ao que toda a gente faz e, se necessário, usar esse tipo de informação quando o humor anda em baixa.
Pelo menos, é o que me contam porque eu sou míope, não vejo nada.
Outubro 31, 2014 at 1:32 pm
Dois fatores, precisamente: 1. uma mania induzida pelas avaliações externas e SWATs; 2. e assimilada com entusiasmo por um punhado de professores deslumbrados com as tecnologias e com as equipas de auto-avaliação. De cima, o medo (temos de nos “salvaguardar”, dizem-me); do lado, o fascínio de inventar a roda. Pela milésima vez. E todos a usar a mesma roda, em nome da uniformização!
Já que não se pode erradicar, eu só pedia que fizessem nas escolas mais uma equipa: a da racionalização burocrática! Que pelo menos a circulação de informação das dúzias de grelhas, formulários, impressos, inquéritos e outros seguisse um modelo racional, que se arrumasse a casa, para não haver duplicações, para se fixarem com rigor os canais de distribuição e as metodologias. Uma espécie de mapa do caos.
Eu, quando preciso de um daqueles formulários, nunca sei em secção do moodle está, ou se veio por mail, para o meu endereço pessoal ou para o endereço de serviço! Basicamente, arranjem-me um manual de instruções para saber os rituais todos quando um aluno for mal-educado e tiver de o repreender.
Outubro 31, 2014 at 5:02 pm
Verdade!
A tecnologia deveria ter vindo para simplificar, mas, em vez disso, o pessoal gosta mesmo é de multiplicar a mesma informação em sítios diferentes! Só para dar um exemplo caricato: para os meus lados, a lista dos alunos, as suas fotografias e os seus contactos têm que estar na Secretaria, no Dossier de Turma, no PCT, no Programa de Sumários/ Gestão da DT, na Direcção, no dossier individual do DT e nos Dossiers individuais dos Profs!! É de loucos! O pessoal ainda não percebeu que bastava estar NUM SÍTIO SÓ e a partir de qualquer PC clicar e imprimir se necessário! Infelizmente, acho que os últimos anos ensandeceram-nos de vez…
Outubro 31, 2014 at 10:55 pm
http://www.redtapechallenge.cabinetoffice.gov.uk/themehome/red-tape-challenge-results/