Um modelo profundamente estúpido de colocação de professores devido à sua fragmentação, que permite múltiplas e sucessivas colocações, está a atingir de forma dramática algumas das escolas, turmas e alunos que mais precisavam de competência no MEC.

É uma completa vergonha e maior vergonha é tentar dar a entender que isto é causado pelo “centralismo”.

Não… quando se permitem dezenas ou centenas de concursos em simultâneo, não comunicantes, abre-se a porta a um ciclo vicioso de colocações repetidas, desistências, recolocações, permanência de vagas por preencher num loop que se promete acabar sempre na próxima semana.

A responsabilidade política é do ministro por não querer saber, na base do “deleguei isso no secretário de Estado”, e do secretário de Estado que mandou fazer aos serviços aquilo que ele não entende e não sabe fiscalizar. E, em primeira e última instância, de um PM que nada percebe de Educação e fala do assunto com menos conhecimento de causa do que o papagaio morto da loja dos Monty Python.

Um desastre que resulta de incompetência técnica, desleixo político e mais coisas, mas nenhuma delas é um problema “de comunicação” (teoria de Luís Montenegro, essa sumidade comunicacional, hoje na TSF), a menos que se admita que a comunicação do desgoverno nesta matéria se caracterizou por sucessivas mentiras, voluntárias ou não.