Setenta por cento dos docentes do 1.º ciclo dizem que ler livros ou revistas por iniciativa própria tem “muita” ou “bastante” influência na forma de ensinarem. Mais do que a formação inicial.

Acho que esta atitude até é razoavelmente saudável e tenho algumas dificuldades em assumir que os professores são incapazes de uma análise crítica das suas fontes de informação (pronto, pronto, temos o caso do SE Grancho para me desmentir), o que parece ser convicção do autor do estudo. Bem como parece mais interessado numa homogeneização dos métodos pedagógicos do que em abordagens diferentes e abertas a novidades.

O autodidactismo preocupa João Lopes por ser “muito permeável a coisas erradas do ponto de vista científico”. No estudo, pode ler-se que o autodidactismo levanta “algumas interrogações”, porque aumentará “a probabilidade de cada professor ensinar à sua maneira”.

Outro aspecto salientado pelo investigador prende-se com o facto de, num bloco de duas horas de Português, os docentes privilegiarem a leitura, a compreensão e a escrita de texto, mas valorizarem menos a literatura e a ortografia.

Já agora, a Literatura aprende-se lendo e compreendendo. Sem se ler e compreender, papagueia-se Literatura.

E papagaios presumidos já temos muitos.