Os que têm o vício inveterado de comprar livros muito acima da média ou que têm a possibilidade de pagar 15 euros por qualquer mini-ensaio, cerca de 20 por reedições de obras com décadas, a que se acrescentou um prefácio que nem deve ter sido pago ou essa quantia ou mesmo muito mais por qualquer obra (de ficção ou não-ficção) que se apresenta em “grande formato”, de produção nacional ou a necessitar de tradução, como justificação para o aparatoso preçário (embora daqui a pouco mais de um ano seja possível achar entre os 5 e 10 euros nas promoções meio disfarçadas de super e hipermercados).

Assim, nunca conseguiremos inverter a desigualdade de termos cada vez menos gente a comprar e ler muito e cada vez mais a comprar e ler menos ou mesmo nada.

Continua a apostar-se na rotação rapidíssima das propostas, tentando recuperar o investimento com poucas vendas de elevado valor unitário e desistindo de uma estratégia de (nem que seja incipiente) massificação do consumo. Apresar da manutenção de algumas colecções “de bolso”.

E o disparate já atinge a literatura infanto-juvenil, cortesia de certas listas ministeriais de leituras recomendadas, que começa a ter reedições de obras (mesmo com autores bem defuntos e com direitos de autor inertes) a 10-12 ou mais euros.

No meu caso, cada vez mais acabo por desertar do “negócio”, pois se posso comprar a metade do preço, a única decisão racional em termos de economia doméstica é essa e não me digam que são a tradução ou a qualidade da edição que justificam o “desvio colossal”.

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