Quinta-feira, 25 de Setembro, 2014


All Saints, Black Coffee

… pode vir a ser… caso continue assim sempre a flutuar com a brisa, o Ulrico.

Aposta segura, com a segurança possível num país de génios feitos de barro pouco divino.

Mesmo que acabe por falhar, não será de propósito.

Parece que está na moda o lugar comum do errar é humano e até parece que acertar é uma vergonha.

A malta já sabe que erra, prometam é que tentam acertar.

 

Fiz um curso, comecei a dar aulas, fiz outras coisas, voltei a dar aulas. Não fiz o Ramo de Formação educacional, criado mesmo quando eu estava a acabar o curso.

Fiz mestrado na minha área (História) enquanto professor contratado. Universidade pública, quatro aninhos.

Pelo caminho, fui fazendo investigação, colaborei em obras colectivas, escrevi muitos artigos, publiquei livros em co-autoria ou em nome próprio.

Entrei para QZP uma dúzia de anos depois de ter começado a dar aulas. Fiz um doutoramento em História da Educação por essas alturas. Universidade pública, cinco aninhos. Os últimos três com equiparação a bolseiro, desculpem lá…

Entrei para o quadro da minha escola/agrupamento mesmo quando o estava a acabar. Dou aulas a menos de 3 km do local onde vivi os meus primeiros 33 anos, por gosto e opção (nunca concorri para turista acidental, mesmo se isso me levava a colocações tardias), mas a cerca de 20 do actual domicílio.

Criei um blogue, desenvolvi uma intervenção que se tornou pública, apesar de todos os meus feitios e defeitos.

(e ainda tive tempo e oportunidade para procriar e plantar a ocasional árvore)

Quando me perguntam como gosto de ser apresentado, costumo dizer “professor do Ensino Básico”, podendo acrescentar “autor do blogue…” ou “doutorado em História da Educação”.

É tudo verdade, de nada tendo vergonha ou me embaraçando.

Mas há sempre os complexados a pairar por aí.

Se um gajo se apresenta como “simples” professor do Ensino Básico, é porque só sabe ver o seu quintal, não consegue alcançar uma perspectiva “global” ou “sistémica”, está preso a preconceitos corporativos.

Se um tipo é apresentado como “doutorado em História da Educação” é porque é peneirento, porque é teórico, porque se tenta armar e não desce ao terreno, porque isto e aquilo.

Ó complexados da treta… e se fossem chatear a vossa tataravó?

Uma pessoa é o que é e não o que outros querem que seja.

Se têm complexos de algum tipo, paguem consultas, mediquem-se… arranjem uma vida que vos satisfaça.

Deixem-se de bocas enviesadas, a armar ao pingarelho rameloso.

Não projectem os vossos fantasmas e frustrações em mim, que já me chega ser do Sporting.

ZePovinhoOraToma

(nota final… amigo Garrido, este post é em grande parte dedicado a ti, que percebes muito mais da vida do que muita desta malta que só sabe garganeirar… e nasce em boa parte da nossa conversa de sábado passado).

Denúncia anónima contra Passos Coelho foi arquivada por prescrição dos eventuais crimes

Mais que implodir, organizar!

Não sei se fez o que parece. Não sei se cometeu ilícito ou não. Se cometendo, já prescreveu.

O que sei é que a forma como está a lidar com a coisa não me parece a mais transparente. Eu já deitei fora as minhas declarações de IRS do século passado. Mas ainda me lembro de quem me pagou quantias minimamente relevantes.

E se Passos fugiu ao fisco e mentiu ao Parlamento?

O “problema” é que o que anda em discussão é algo que me parece ter sido encarado com muita ligeireza em tempos em que estas coisas pareciam “menores” e naturais no quotidiano da pequena elite política nacional, alavancada na base do arrivismo e do olho no emprego a seguir ao exercício do cargo.

E eram práticas transversais, no âmbito das competências básicas para o sucesso.

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