O Observador achou um relatório internacional e vai de anunciar que:

Portugal está entre os países menos eficientes na educação

Fui ler a notícia, mas entretanto deixaram-me a ligação para o relatório original e pasmei.

Porquê?

Porque ou no Observador não sabem ler um relatório inteiro ou então fazem aquela coisa gira de truncar os dados e ignorar o que desinteressa.

Comecemos pelo quadro que o Observador usa como referência para o mau desempenho do sistema de ensino português…

Eficiencia1

Para os mais distraídos, esta tabela revela que Portugal é alegadamente pouco eficiente (24º lugar) mas consegue melhores resultados que muitos outros países (19º lugar), batendo países como os EUA, a Suécia ou Israel no desempenho em Matemática.

Mas podemos ver um outro gráfico muito interessante que demonstra como Portugal consegue bons resultados com o mesmo ou menos dinheiro que outros países:

Eficiencia

A leitura é simples: Portugal está juntinho da média no desempenho dos alunos, acima dos EUA e do Reino Unido (os lampiões do “liberalismo), bem como dos vizinhos latinos (Itália e Espanha) e bem perto da Nova Zelândia (um dos países que querem que copiemos na privatização das escolas), mas gastando muito menos do países como a Holanda ou a Suíça, para além dos referidos EUA e Reino Unido.

Surpreendidos?

Então vão ficar mais.

Qual é a lógica deste estudo? A “eficiência” é apresentada como valor único e absoluto?

Longe disso!

Eis o título do capítulo em que se procede à “arrumação” dos países por características afins:

Eficiencia4

Ora bem… ora bem… a “eficiência” quase parece ser considerada antónimo de “qualidade”, mas eu não chego a esse ponto.

O que está em causa é que há países em que se dá prioridade à eficiência financeira, acima de tudo, enquanto outros pretendem apostar mais na qualidade dos resultados.

Eis como o relatório distribui os países, sendo notório que Portugal não está na “cauda” do que mais interessa… a qualidade do ensino, ao contrário das más-línguas.

Eficiencia3

O caso português está equiparado ao de países como a Áustria, a Alemanha, a Dinamarca,a  Holanda e etc, que apostam mais na qualidade do que na eficiência.

Já alguns países que nos querem fazer engolir como dignos de ser emulados (Suécia, Reino Unido, EUA) são exemplos de poucos gastos com a Educação e MAUS RESULTADOS.

Claro que temos sempre os exemplos da Coreia, do Japão e da sacramental Finlândia (outrora muito elogiada, mas agora caída em desgraça entre os nossos decisores, pois tem poucos exames…), que são mestres na eficiência e desempenho.

Pois… cada um escolhe as suas prioridades.

Seja em matéria de Educação, seja de Informação.