José Manuel Fernandes mete a cassete e vai de fazer o mesmo de sempre… acenar com o bicho-papão vermelho Mário Nogueira como se ele fosse: a) a personificação de todos os docentes; b) um intrépido e perigoso revolucionário que domina o MEC há anos e anos.

JMF sabe mais do que isto, mas, mesmo sabendo, insiste na ladainha costumeira daqueles que acenam com o espantalho do “professor comunista” a quem não interessam as criancinhas (excepto ao pequeno almoço).

A argumentação é chata, repetitiva e preguiçosa em extremo. Para além daqueles crentes ferrenhos na conspiração comunista global, só ao próprio Mário Nogueira este tipo de verborreia agrada, porque o catapulta para a glória, logo ele que tanto gosta de assinar entendimentos e acordos ao som de pizzas no corredor, quando não anuncia o fim de greves em decurso, com 24 horas de antecedência.

JMF escreve coisas em piloto automático como esta, que se poderia encontrar em qualquer recanto da mais básica blogosfera anti-profes:

A verdade é outra: as dificuldades, maiores ou menores, que há todos os anos por altura da abertura do ano escolar são uma consequência directa do gigantismo paquidérmico do Ministério da Educação, do seu centralismo e da sua obsessão monopolista. É também uma consequência de o foco das suas políticas ser há muitos anos os professores, as suas carreiras e os seus direitos, e não os alunos e as suas famílias.

Isto é falso – os direitos dos alunos passam por amesquinhar os professores e colocá-los de acordo com processos errados? – e todos sabemos bem que o MN nem tem qualquer voto na matéria desde que Crato decidiu desgovernar a Educação, recorrendo apenas à FNE como parceiro legitimador dos seus disparates.

Quanto ao “mastodonte”… que Nuno Crato (será que o seu amigo JMF se lembra?) ia implodir é apenas uma estrutura equivalente à de outras regiões (nem digo países) ou cidades do mundo “livre”.

E já repararam que quando fala de professores, JMF insiste em fulanizar em alguém que nem dá aulas, mas quando fala do MEC nunca personaliza seja o que for em Nuno Crato?

Para além de que JMF escreve coisas que são factualmente erradas, como as suas reminiscências do ano de 2004 e a resolução dos problemas desse concurso… alegando que nenhum computador aguentaria tratar a informação relativa a umas dezenas de milhar (é batota dar a entender que toda a gente concorreu… eu, por exemplo, não concorri… e qualquer bom computador aguentaria… o software é que estava bichado e é triste confundir o soft com o hardware) e omitindo por completo que a coisa “estoirou” com Maria do Carmo Seabra já como ministra.

Já agora, o sistema “centralizado” que eliminou os mini-concursos pode ter sido “negociado” com os sindicatos, mas não foi uma proposta destes.

Basta confirmar com o próprio DJ (e é assunto de que ele já falou publicamente muitas vezes), coisa que eu sei que o JMF pode fazer em muito pouco tempo.

JMF ou erra por problemas de memória ou engana-se por falhas de raciocínio.

Mas o mais grave é mesmo a preguiça, a imensa preguiça de tentar espantalhar as gentes com o Super-Mauzão-Mário, O Comunista, chefe da horda terrível de profes vermelhos façanhudos..

Fica mal, ao fim destes anos, usar este tipo de estratégia digna de uma sebenta dos tempos da Guerra Fria.

Mas a agenda política do Observador assim o exige…