Geralmente, no que funciona bem não se mexe, diz-nos a experiência de vida, ou mexe-se o mínimo possível, para não estragar.
Já na educação, eternamente em “crise”, há muito que se sente que as coisas não vão bem, e por isso é grande a tentação da mudança, do fazer diferente, do experimentar.
Caindo-se às vezes no oposto, o do experiencialismo permanente que não permite consolidar mudanças, muito menos avaliar os ganhos, reais ou ilusórios, que se conseguiram obter.
E depois há ali no texto uma ideia algo perigosa, que é a de que não importa se estamos a fazer dos alunos cobaias, porque já o são de qualquer forma. Afirmação por demonstrar e “verdade” digna de um qualquer “investigador” que não tem de contactar, muito menos de se responsabilizar, pelas aprendizagens de alunos reais.
Tenho que concordar com o A. Duarte neste particular.
Porque a segunda tentação mais perigosa na educação será precisamente a introdução de técnicas e modelos experimentais defendidos por peritos e cientistas credenciados.
O mercado e os produtos mudam e alteram as suas características muito rapidamente, mas os seres humanos são uma outra realidade que evolui muito lentamente e com uma certa cadência cósmica.
Querer confundir os dois universos e pensar a relação pedagógica como um campo de experimentação e transformação do ser humano, é um caminho perigoso e taumatúrgico: nazismo e comunismo nas suas diferentes facetas.
Deixemo-nos de tretas: o mais “perigoso” na Educação – que está a ocorrer na Educação – é perder de vista que ensinar não é uma simples técnica (com as tão perniciosas como consabidas ligações à “produtividade”, à “eficiência”, à “padronização”, ao “adestramento” ou, enfim, à mercantilização), mas sobretudo uma arte, no sentido em que o que se pretende “criar” ou “produzir” é um ser moral, i. e., alguém a quem se deve mostrar apenas o caminho da sua própria emancipação, da sua autodeterminação, que mais ninguém poderá fazer senão o próprio.
A desumanização da escola, a massificação alienante: são esses os verdadeiros perigos – perigos crescentes e cada vez mais insidiosos – que ameaçam a Educação.
ora bem..já o huxley o dizia…
Neste Mundo Novo a reprodução humana está inteiramente baseada na reprodução artificial. Dependendo da classe genética a que determinado grupo pertencia (Alfa+, Alfa, Beta+, Beta, Gama, Delta ou Épsilon), eram tratados com substâncias diferentes durante a gestação.
Quanto ao controle e difusão de informações, em geral eram subliminais. Durante a infância, as informações eram transmitidas às crianças por hipnopedia (método de ensinar durante o sono). Esse método não era eficiente quando se precisava raciocinar sobre as informações, essa era a intenção. Não é muito diferente do que acontece hoje em dia com músicas e mesmo com frases de propagandas publicitárias. A diferença está no conteúdo das mensagens: ao invés de usá-las para vender um produto, criavam – se regras morais cujo objetivo era, por exemplo, constantemente afirmar a perfeição do Estado vigente, ou uma receita em forma de versos sobre quantas doses de Soma eram necessárias em cada tipo possível de esgotamento mental (impulso de querer raciocinar).
Como se vê, tratava-se de uma sociedade de autômatos, na qual não era necessário recorrer à repressão violenta porque simplesmente não havia o mínimo risco de ocorrer qualquer tipo de revolta. Uma sociedade em que cada indivíduo se sentia feliz com a função exercida (pois desde o início haviam sido condicionados a exercerem tal função). Pode-se questionar que havia sido eliminada a criatividade humana, e que isto poderia gerar revolta. Não é verdade: a criatividade reprimida era perfeitamente compensada com a ingestão regular do Soma, droga aparentemente inócua que era produzida e distribuída pelo Estado, e que poderia aliviar qualquer desejo de criatividade que o indivíduo sentisse estar reprimida, sem que isto pudesse afetar de alguma maneira a ordem que já estava mantida há muito tempo. http://assisprocura.blogspot.pt/p/admiravel-mundo-novo.html
E claro, que este tipo de sugestao, o de fazer experiencias , so poderia acontecer numa atividade como a educacao, em que as consequencias nao sao imediatamente aparentes.
Facam isso na medicina, e vai ser uma mortandade.Aqui, usam-se os protocolos que resultam. Apenas em casos desesperados se faz tratamento experimental. Talvez nao fosse mau, que os pedagogos pensassem um pouco desta maneira, em vez de fazerem experiencias para afagar o ego e a carreira e cunharem frases sonsas como “cultura da retencao”.
Setembro 8, 2014 at 12:45 pm
Não sei, não.
Geralmente, no que funciona bem não se mexe, diz-nos a experiência de vida, ou mexe-se o mínimo possível, para não estragar.
Já na educação, eternamente em “crise”, há muito que se sente que as coisas não vão bem, e por isso é grande a tentação da mudança, do fazer diferente, do experimentar.
Caindo-se às vezes no oposto, o do experiencialismo permanente que não permite consolidar mudanças, muito menos avaliar os ganhos, reais ou ilusórios, que se conseguiram obter.
E depois há ali no texto uma ideia algo perigosa, que é a de que não importa se estamos a fazer dos alunos cobaias, porque já o são de qualquer forma. Afirmação por demonstrar e “verdade” digna de um qualquer “investigador” que não tem de contactar, muito menos de se responsabilizar, pelas aprendizagens de alunos reais.
Setembro 8, 2014 at 1:20 pm
Tenho que concordar com o A. Duarte neste particular.
Porque a segunda tentação mais perigosa na educação será precisamente a introdução de técnicas e modelos experimentais defendidos por peritos e cientistas credenciados.
O mercado e os produtos mudam e alteram as suas características muito rapidamente, mas os seres humanos são uma outra realidade que evolui muito lentamente e com uma certa cadência cósmica.
Querer confundir os dois universos e pensar a relação pedagógica como um campo de experimentação e transformação do ser humano, é um caminho perigoso e taumatúrgico: nazismo e comunismo nas suas diferentes facetas.
Setembro 8, 2014 at 2:39 pm
Deixemo-nos de tretas: o mais “perigoso” na Educação – que está a ocorrer na Educação – é perder de vista que ensinar não é uma simples técnica (com as tão perniciosas como consabidas ligações à “produtividade”, à “eficiência”, à “padronização”, ao “adestramento” ou, enfim, à mercantilização), mas sobretudo uma arte, no sentido em que o que se pretende “criar” ou “produzir” é um ser moral, i. e., alguém a quem se deve mostrar apenas o caminho da sua própria emancipação, da sua autodeterminação, que mais ninguém poderá fazer senão o próprio.
A desumanização da escola, a massificação alienante: são esses os verdadeiros perigos – perigos crescentes e cada vez mais insidiosos – que ameaçam a Educação.
Setembro 8, 2014 at 3:59 pm
ora bem..já o huxley o dizia…
Neste Mundo Novo a reprodução humana está inteiramente baseada na reprodução artificial. Dependendo da classe genética a que determinado grupo pertencia (Alfa+, Alfa, Beta+, Beta, Gama, Delta ou Épsilon), eram tratados com substâncias diferentes durante a gestação.
Quanto ao controle e difusão de informações, em geral eram subliminais. Durante a infância, as informações eram transmitidas às crianças por hipnopedia (método de ensinar durante o sono). Esse método não era eficiente quando se precisava raciocinar sobre as informações, essa era a intenção. Não é muito diferente do que acontece hoje em dia com músicas e mesmo com frases de propagandas publicitárias. A diferença está no conteúdo das mensagens: ao invés de usá-las para vender um produto, criavam – se regras morais cujo objetivo era, por exemplo, constantemente afirmar a perfeição do Estado vigente, ou uma receita em forma de versos sobre quantas doses de Soma eram necessárias em cada tipo possível de esgotamento mental (impulso de querer raciocinar).
Como se vê, tratava-se de uma sociedade de autômatos, na qual não era necessário recorrer à repressão violenta porque simplesmente não havia o mínimo risco de ocorrer qualquer tipo de revolta. Uma sociedade em que cada indivíduo se sentia feliz com a função exercida (pois desde o início haviam sido condicionados a exercerem tal função). Pode-se questionar que havia sido eliminada a criatividade humana, e que isto poderia gerar revolta. Não é verdade: a criatividade reprimida era perfeitamente compensada com a ingestão regular do Soma, droga aparentemente inócua que era produzida e distribuída pelo Estado, e que poderia aliviar qualquer desejo de criatividade que o indivíduo sentisse estar reprimida, sem que isto pudesse afetar de alguma maneira a ordem que já estava mantida há muito tempo.
http://assisprocura.blogspot.pt/p/admiravel-mundo-novo.html
Setembro 8, 2014 at 5:46 pm
E claro, que este tipo de sugestao, o de fazer experiencias , so poderia acontecer numa atividade como a educacao, em que as consequencias nao sao imediatamente aparentes.
Facam isso na medicina, e vai ser uma mortandade.Aqui, usam-se os protocolos que resultam. Apenas em casos desesperados se faz tratamento experimental. Talvez nao fosse mau, que os pedagogos pensassem um pouco desta maneira, em vez de fazerem experiencias para afagar o ego e a carreira e cunharem frases sonsas como “cultura da retencao”.