Divulgo, a pedido da própria:
Assunto: denúncia de irregularidade no Concurso Nacional de Professores
Exs. Srs.,Eu, Marta Sofia Lopes Lira, CC/BI n.º ********, professora contratada com o número de candidata **********, residente em Avenida ****************, venho expor o seguinte:
No passado dia 18 de agosto, segunda-feira, depois do regresso de férias, decidi entrar na plataforma da DGAE e verificar se havia novidades quanto ao Concurso Nacional. Ao fazer login no sistema e ao consultar os documentos disponíveis, verifiquei que tinha recebido, por parte dos serviços da DGAE, no passado dia 12 de agosto, terça-feira, uma “Notificação de Reclamação”, que envio em anexo.
Após leitura atenta do documento, conclui que se tratava de uma notificação da anulação da minha candidatura ao grupo de recrutamento 350 – Espanhol, por, supostamente, não possuir os devidos requisitos habilitacionais, passando a constar da lista definitiva de exclusão da Contratação Inicial/Reserva de Recrutamento, ano escolar 2014/15. No entanto, esta decisão, tomada em nome do Dr. Rui Cruz e validada depois pelo Sr. Diretor-geral Mário Agostinho Pereira, não se compreende e apanhou-me de surpresa, porque a afirmação de que não possuo qualificação profissional para o referido grupo (alegando a DGAE o ponto 2, capítulo V, parte III do aviso de abertura do concurso) não corresponde à verdade. Para além disso, surpreende-me que esta notificação tenha surgido de repente, sem aviso prévio (nem por email, nem por telefone, foi unicamente colocada na plataforma).
No dia 19 de agosto, terça-feira, enviei duas cartas registadas à DGAE e fiz todos os telefonemas possíveis para esclarecer esta situação, pensando que o problema seria de fácil resolução. Na DREN referiram-me que não tinham capacidade para resolver o meu problema, informando-me de que só na DGAE poderia obter respostas. Seguidamente, contactei a escola Secundária José Régio, em Vila do Conde, órgão que me validou anteriormente a candidatura, e a Direção afirmou não ter recebido nenhum pedido de consulta de comprovativos de formação presentes no meu processo individual, considerando, por isso, a minha candidatura válida até ao momento. Depois, no serviço de atendimento da DGAE, as funcionárias não conseguiram dar resposta às minhas dúvidas, aconselhando-me somente a fazer um recurso hierárquico na plataforma (algo não disponível para o concurso de Contratação Inicial) ou, então, a esperar pelas listas de colocações e, posteriormente, reclamar. Isto implica ser injustamente excluída do concurso, não ser colocada e ficar impossibilitada de dar aulas nesta primeira fase. Cabe acrescentar que reúno as condições para a vinculação semiautomática já que tenho 5 contratos anuais, completos e sucessivos. A conseguir o sexto contrato, completo e anual, teria uma pequena hipótese de entrar para os Quadros. Ao ser excluída, como fica a minha situação?…
Em seguida, acabei por pedir ajuda num sindicato (SPN) e aí, mesmo não sendo sindicalizada, os colegas prontificaram-se a redigir uma carta destinada ao Sr. Diretor- -Geral da DGAE e a apoiar-me juridicamente caso, no futuro, a situação não se resolva.
Após vários contactos e não tendo a situação resolvida, decidi viajar do Porto a Lisboa e bater na porta da DGAE. No dia 20 de agosto, quarta-feira, estive presente nos referidos serviços das 12.20h até as 17.20h, aproximadamente cinco horas. Na loja da DGAE não conseguiram dar resposta às minhas perguntas: aconselharam-me de novo a esperar pelas listas de colocação, mas, após a minha recusa e desespero evidente, a coordenadora dos serviços aconselhou-me a apresentar, por escrito, um pedido de audiência ao Diretor-geral da DGAE. Após apresentar esse pedido, tentei saber em que momento poderia ter uma resposta para uma possível reunião, já que moro no Porto e não posso ficar em Lisboa ad eternum. Não obstante, o Sr Diretor-Geral encontra-se de férias, não podendo a sua secretária dar resposta sobre a sua decisão e disponibilidade.
Num outro momento, tentei falar com o Dr. Rui Cruz, um dos nomes que assina a minha exclusão das listas. Primeiramente, recusou receber-me, referindo que não podia abrir precedentes. Após alguma insistência da minha parte, solicitaram-me o meu nome e número de candidata, pedindo-me que aguardasse. Fiquei na expetativa de uma reunião esclarecedora, porém, após mais uma hora de espera, voltei a ser informada de que o Dr. Rui não ia abrir exceções e que teria que apresentar uma reclamação por escrito ou, então, um recurso hierárquico.
No dia 21, quinta-feira, depois de apresentar a situação por escrito ao Provedor da Justiça e à Inspeção Geral da Administração Escolar, voltei a comparecer nos serviços da DGAE e de novo voltei sem respostas, sendo-me recusado, uma vez mais, um esclarecimento presencial por parte do Dr. Rui Cruz. Acabei por fazer um novo pedido de audiência, agora também ao referido senhor. Continuo sem respostas e o tempo a passar.
Esta situação, para além das despesas, do cansaço e do desgaste que me está a provocar, é incompreensível, já que preencho todas as condições para ser opositora ao Concurso de Contratação Inicial/Reserva de Recrutamento, ano escolar 2014/2015, visto ser licenciada pela Faculdade de Letras, Universidade do Porto, no curso Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses e Espanhóis (via ensino, com estágio pedagógico). É também contraditório, segundo estas informações, que se valide a candidatura ao grupo 300 (Português) e me excluam da candidatura ao grupo 350 (Espanhol), quando o curso de origem é o mesmo.
Para além disto, lecionei pelo grupo 350 nos últimos cinco anos com horário completo e anual, ao serviço do Ministério da Educação. Nunca me foi apontada uma situação irregular, tenho todos os contratos assinados com as escolas e recibos de vencimento que comprovam as minhas funções como docente.Será importante referir que após a licenciatura, que me dá qualificações para a docência, conclui um mestrado em Didática de Línguas e Supervisão Pedagógica e estou inscrita no doutoramento também em Didática, como formação complementar. Envio documentos oficiais que comprovam a veracidade das minhas declarações.
Esta é a situação insólita que vos apresento, esperando ter alguma atenção da vossa parte. Espero que haja brevidade na resolução deste assunto, que se supõe ser um mal-entendido, para que não seja prejudicada e excluída injustamente do CI, estando privada do direito a concorrer e a trabalhar. Tenciono avançar pela via contenciosa caso isso aconteça.
Fico ao dispor para mais esclarecimentos. Obrigada.
22 de agosto de 2014
Marta Sofia Lopes Lira
Anexos:





Setembro 2, 2014 at 5:46 pm
É um inferno, colega! Até dá um nó na garganta só de ler a sua exposição. A minha solidariedade e espero que resolva.
Setembro 2, 2014 at 6:07 pm
brincam c’oa vida da gente
com desprezo e violência
espero que a sorte da vida
os brinde com contundência
Setembro 2, 2014 at 6:12 pm
Que o erro seja corrigido rapidamente!
Setembro 2, 2014 at 7:29 pm
A minha solidariedade também . Espero que resolvam isso depressa.
Setembro 2, 2014 at 7:30 pm
Colega, como eu a compreendo. Aconteceu me o mesmo no meu 1anaao de concurso! resultado, passei o Agosto enfiada na DGAE e meti advogada e a Procuradoria Geral ao barulho. Estes dois escreveram p o ME a pedir esclarecimentos e só no fim de Agosto é q me disseram por boca que ia aparecer nas listas de colocações definitivas. Pois o erro foi do ME, uma vez q a escola onde fiz a inscrição tb nao teve culpa (fez td o q o ME mandou na altura).
Só qd ja estava em aulas em Setembro ou Outubro, é q recebi carta registada, volumosa c td o processo do ME, a dar conta do erro deles mas nem pediram desculpas pois que me tinham resolvido a situação.
Todos os colegas q como eu se inscreveram naquela escola, ficaram o ano sem dar aulas pq eu fui a unica a mexer me o verao todo e c advogada e Procurador 🙂
Cont a mexer se como tem feito e verá q no fim é colocada. Boa sorte! nao desista nem entre em parfuso. se o erro é do ME, eles acabarão por lhe dar razao.
Setembro 2, 2014 at 8:23 pm
desculpe comentar fora do assunto mas sabe até que data pode um professor QE ser retirado do concurso de mobilidade interna
Setembro 2, 2014 at 8:44 pm
Colega, não desista, sei,por experiência própria, que vale a pena.
Setembro 2, 2014 at 8:47 pm
É espantosa, a forma como este mec trata os professores.
Inacreditável, se eu não conhecesse estes métodos.
Setembro 2, 2014 at 9:02 pm
Off topic (ou talvez não)
Disponibilizar na Internet tantos dados pessoais [juntos] pode trazer muitos problemas…
Setembro 2, 2014 at 9:32 pm
Exprimo também o meu gesto de solidariedade e a revolta pelo modo como se é tratado pela máquina estatal. A democracia em que vivemos já nem formal é.
Setembro 2, 2014 at 10:02 pm
“Concurso Esterno Extraordinário e/ou do Concurso de Contratação Inicial e Reserva de
Recrutamento, para o ano lectivo de 2014/2015”. devendo essa Instituição informar esteTribunal qual a data em que tal acto foi efectivado.
Porto, 29 de Agosto de 2014″
Setembro 2, 2014 at 10:04 pm
“Proc. n.° 2039/14.0BEPRT Data: 29-08-2014
Intervenientes:
Requerentes: Olga Elisabete Caldas Vieira; Belisa Cassandra da Silva Teixeira; Elisa
Andreia Moreira de Carvalho; Sancha Romana Marinheiro Santiago.
Requeridos: Ministério da Educação e Ciência; Direcção-Geral da Administração Escolar.
Contra-Interessados: Ana Paula Pedroso Fernandes e outros. ”
http://www.dgae.mec.pt/web/guest/info_juridica?p_p_id=110_INSTANCE_k9Dh&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-1-2-1&p_p_col_count=1&_110_INSTANCE_k9Dh_struts_action=%2Fdocument_library_display%2Fview&_110_INSTANCE_k9Dh_folderId=1301378
Setembro 2, 2014 at 10:12 pm
estou do lado das profs mas acho que o espanhol nunca deveria ter sido introduzido como opção. Tá-se logo a ver os alunos tugas a escolherem um idioma por ser parecido e logo mais fácil. Nã!
Setembro 2, 2014 at 10:14 pm
eu falo portinhol se não perceberem ou disserem que não percebem o tuguês, e se se armam em espertos falo inglês e ponto final. Se não percebem o problema é deles que não falam o dioma mais internacional.
Setembro 2, 2014 at 10:15 pm
gostei mto especialmente desta: “Concurso Esterno Extraordinário”
Setembro 2, 2014 at 10:21 pm
kafka, mais um exemplo.
Setembro 2, 2014 at 10:24 pm
E o poder que esta pessoinhas têm de assinar despachos e depois não darem a cara, escondidos atrás das secretárias. Impunes e incompetentes.
Setembro 2, 2014 at 10:43 pm
o y é um cretino
Setembro 2, 2014 at 11:55 pm
18
ob pela parte que me toca mas volto a repetir que nunca deveria ter sido criada a opção de espanhol. Deve ter sido do tempo de “espanha, espanha, espanha” com o resultado da falência de todos os grandes investimentos em Espanha, a começar pela Pescanova, que ainda por cima pescava nas cotas pesqueiras que o lobby espanhol conseguiu em deterimento da área exclusiva portuguesa.
Setembro 2, 2014 at 11:58 pm
de resto os alunos que escolhem a opção de idioma espanhol seguramente que vão arranjar grandes empregos em Espanha. Estão garantidos…
Setembro 3, 2014 at 12:18 am
#9,
Foram inicialmente colocados com a concordância da autora, que entretanto já me enviou documentos “expurgados”.
Setembro 3, 2014 at 1:23 am
Como é que gentinha ao nível das ESEs, “Requerentes: Olga Elisabete Caldas Vieira; Belisa Cassandra da Silva Teixeira; Elisa
Andreia Moreira de Carvalho; Sancha Romana Marinheiro Santiago.”, sem habilitação para o 350 (secundário) pode impugnar toda uma lista de espanhol?
Milagre da justiça portuguesa!
Setembro 3, 2014 at 7:52 pm
A incompetência do MEC revela-se todos os dias.
Setembro 4, 2014 at 12:58 pm
Cara colega, como compreendo. Coragem, não desista. Um abraço