… para discutir as coisas com todas a gente ou quase, procurando fazê-lo com seriedade, mesmo se a partir de uma perspectiva que é a minha. Claro.

Não me lembro de ter recusado qualquer convite ou desafio por causa de quem convidava, por ser mais ou menos próximo dos meus pontos de vista. Recusei algumas coisas, quase exclusivamente por motivos pessoais ou familiares que me impossibilitavam a presença, a deslocação.

Porque sempre achei que quando se abandona o terreno do debate, da discussão, ele fica à mercê dos “outros”, daqueles de quem discordamos.

E porque há sempre a hipótese de se conseguir alguma coisa, inscrever alguma dúvida, mudar nem que seja ligeiramente uma opinião.

Brincando o q. b. dentro do possível.

Mas… a situação foi evoluindo cada vez mais para a pura cegueira, surdez, para conversas em circuito fechado, auto-satisfeitinhas em demonstrar apenas a sua posição de partida, quantas vezes com absoluta desonestidade metodológica e intelectual.

Tornou-se cada vez mais difícil encontrar quem discuta as coisas para chegar a um lado diferente daquele em que está, mas cada vez mais se encontra quem apenas procura enganar quem ouve ou lê.

Se isto é novidade?

Não.

Não sou assim tão ingénuo há umas boas décadas.

Só que agora já começa a cansar e cada vez mais me apetece responder com disparate ao disparate, à desonestidade com o gozo, à auto-congratulação com o silêncio.

Reagir a números de circo e fogo de artifício com castanholas e pegas de cernelha.

Phosga-se, parece que me vai chegando a sensatez…