… que pretenda ser de não-ficção sobre um qualquer tema acerca do qual se pretende esclarecer em vez de fazer propaganda é verificar se a bibliografia apresentada contém, entre as referências a outros estudos, pelo menos 10-20% de títulos que possam servir de contraditório para as teses expostas.

Quando na bibliografia apenas se encontram obras e autores com os quais se concordava à partida e cujas teses se defendem, ou mesmo de mentores pessoais, já se sabe que estamos perante uma fraude. Uma treta que enuncia as teses adversas como coisas do género “há quem diga que…” ou “é costume dizerem que…”, mas fugindo sempre a contraditar no concreto e truncando a informação fornecida ou adulterando mesmo os dados apresentados como “objectivos”.

Hoje, enquanto fazia uma criteriosa selecção de aquisições em agradável promoção numa Bertrand, tive o prazer de encontrar uma das mais recentes dessas tretas que não vou nomear, pois decidi fazer o mesmo que um trio da vida airada estende por mais de 200 páginas com um tipo de letra arejado, margens muito amplas e parágrafos curtos, parecidos com os de um guião para actores esclerosados de 3ª linha…

E ainda têm a distinta lata de falar em “isenção” quando não passam de moços de recados.