Daqueles que confundem candidatos desempregados a professores contratados, sem dar aulas, na lista de espera dos centros de emprego com os professores em exercício nas escolas, a tempo inteiro e generalizam a partir daí.

E que fazem essa confusão de forma voluntária.

O Alexandre Homem Cristo, assessor partidário quando não se afirma investigador, é um deles e não tenho problemas em dizer-lho sem rodeios.

Esta crónica é uma lástima.

Mas é uma lástima com intenções claras, talvez as mesmas que o façam dizer coisas a visitas estrangeiras que não correspondem minimamente aos factos sobre a “liberdade de escolha” em Portugal.

(sim, eu ainda me lembro do que ouvi dizer a uma investigadora americana sobre o que lhe terão dito durante uma certa viagem do Algarve para Lisboa)

Como ando cansado de véus, cortesias e etiquetas, em especial com malta que não usa de meios limpos parta argumentar, gostaria de deixar aqui bem claro que o Alexandre Homem Cristo, se acredita no que escreveu, é tudo menos “investigador”.

Porque ele sabe que estes professores só muito residualmente estão a dar aulas. Não relativizo os erros, mas também não os hiperbolizo. São, talvez, o resultado de uma formação bolonhesa, pouco rigorosa, é certo, mas da responsabilidade dos desgovernantes sucessivos, quantos deles da área política e da afeição política de AHC.

Ele é apenas mais um “coiso” a falar de Educação em nome de uma agenda que passa por estabelecer laços entre o poder político-partidário com capacidade para legislar em interesse próprio, grupos privados com capacidade financeira para financiar “investigações” truncadas e interesses empresariais no sector que só ganham com o amesquinhamento da escola pública e dos seus profissionais.

E digo isto de forma clara e aberta, porque conhecer alguém pessoalmente não me impede – nunca impediu – de lhe dizer o que penso, quando mete as duas patorras na poça de lama.

Perante a declaração que ele faz que “Portugal tem maus professores. E não é por acaso: é fácil tornar-se professor” eu diria que Portugal tem péssimos investigadores armados em articulistas. E não é por acaso, basta terem as conexões e cunhas certas para conseguirem “investigar”, assessorar e depois opinar.

E AHC sabe que eu sei que ele sabe que eu sei.