Segunda-feira, 7 de Julho, 2014


 

Dgaé era uma invejosa, queria um Templo maior do que o de Iavé, O Grande, Talvez Quiçá Maior.

Foi por isso que gerou – tecnologicamente – o Erro!

 

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The Ramones, Beat on the Brat

Beat on the brat
Beat on the brat
Beat on the brat with a baseball bat
Oh yeah, oh yeah, uh-oh.

What can you do?
What can you do?
With a brat like that always on your back
What can you do? (lose?)

… então seria de esperar que a experiência visasse concelhos com problemas evidentes ao nível do insucesso e abandono escolares, certo?

Errado!

Eu demonstro, com base nos dados de um estudo do Cesnova (Atlas da Educação), coordenado por David Justino e divulgado recentemente, exactamente sobre “Contextos sociais e locais de sucesso e insucesso” (atlas-da-educacao)

Vejamos os dados para o Ensino Básico, os primeiros 9 anos de escolaridade, de acordo com o Atlas.

Identificam-se 5 clusters com características específicas distintivas, sendo que o cluster 1 se distingue por um abandono escolar acima do esperado, o cluster 2 é marcado por um forte insucesso escolar, o cluster 3 por baixos níveis de retenção, o cluster 4 por um sucesso nos exames conseguido através de níveis elevados de retenção e o cluster 5 pelo sucesso escolar.

Perante este cenário… a que clusters deveriam pertencer os concelhos escolhidos para experiências destinadas a melhorar a situação escolar?

Clusters 1, 2 e 4, correcto?

Errado!

Os 9 concelhos identificados na peça do Público, nomeadamente os 3 que se afirma estarem mais entusiasmados com a ideia, estão TODOS nos outros clusters, o 3 e 5 que são os que apresentam cenários menos problemáticos e mais favoráveis.

Cluster3Cluster5

Melhorar a situação da Educação, elevando níveis de insucesso e combatendo o abandono escolar?

Não, obrigado… isso dá trabalho.

 

Não era para levar a sério.

Era só palhaçada.

Se formos bem a ver, as negociações e o envio dos documentos eram só para animar a malta!

Era só uma brincadeira…

Pelo menos, garante-se, até final do mandato.

morreu.

 

Vejamos a mensagem que se pretende passar:

Crato garante que municípios não vão gerir carreira ou salários de docentes no próximo ano

Agora leia-se com atenção a declaração, tecnicamente irrepreensível, pois Crato sabe que está quase de saída e que em 2015-16 já não será ele a prestar contas:

“Eu sei o que vai acontecer no meu mandato e o que está em causa no meu mandato é, no próximo ano lectivo, haver uma transferência de competências para os municípios que não inclui a gestão dos salários e a contratação de professores. Não inclui. Continuará a ser feita pela administração central. E o que está em causa em linhas gerais é um maior envolvimento local na melhoria da educação, é só isto. Não vale a pena especularmos”, afirmou.

Por acaso vale a pena especularmos e, mais importante, vale a pena especular porque a FNE está mortinha por fazer mais este frete ao MEC, ao ponto do seu líder ir à televisão defender a medida, em mais uma tentativa de branqueamento da acção da tutela.

O governante foi questionado à saída de uma reunião com a Federação Nacional da Educação (FNE) sobre a proposta de descentralização de competências deste ministério para as autarquias e que inclui a possibilidade de estas serem monetariamente compensadas, caso consigam gerir as escolas com menos docentes, mas garantiu que tal não irá acontecer.

Garantiu que não vai acontecer? Até quando vale a garantia? Porque, como o passado demonstrou, houve outras garantias que também tiveram um prazo muito curto, justificado com declarações como esta “o que está em causa no meu mandato”…

… para poupar uns tostões, é porque já não há mais nada do que a aridez economicista a guiar uma acção desprovida de interesse pelos alunos.

Há mais razões do que bons resultados para evitar o encerramento de escolas pequenas.

E há muitas formas de obstar a um seu eventual isolamento, reforçando laços com outras escolas do agrupamento (não foi para isso que os criaram?) e equipando-as de forma satisfatória, de modo a tornar atractiva a fixação de populações jovens.

Mas o país é para fechar fora das cidades, longe do litoral ou de alguns locais para férias, pelo que é inútil ir em busca de coerência nas palavras do actual MEc e dos que o antecederam e que fazem fila a reclamar a primazia no encerramento de escolas, ou porque começaram o processo (Roberto Carneiro), ou porque o recomeçaram (David Justino) ou porque fecharam mais (M. L. Rodrigues).

Como declarei para a peça, não há demonstração empírica de que “aqueles” alunos das escolas encerradas melhoraram os resultados nos centros acaixotados escolares. As médias valem o que valem e não me digam que é melhor para as crianças… elas podem habituar-se, como eu a uma dor de dentes na falta de um dentista, mas daí a ser bom…

DN7Jul14

Diário de Notícias, 7 de Julho de 2014

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