Terça-feira, 24 de Junho, 2014


The Raveonettes, Candy

… sobre os protestos de autarcas quanto ao encerramento de escolas.

Sei que estarei a ser pouco justo com alguns, mas a verdade é que a maioria, no fim, ou amocha e assina ou assina desde que lhe passem o cheque e os miúdos que se lixem.

Pelo que… nem vou perder muito tempo, pois já vi isto em anos anteriores e em mais de 90% dos casos foi folclore.

… com o encerramento destas 300.

PS fala num “inaceitável ataque” à escola pública

Contra o “triunfo da escola de Excel”, os socialistas acusam o Governo de negligenciar a qualidade do ensino e de não combater a desertificação do interior ao fechar 311 escolas públicas.

… uma equipa de medianos cepos futebolísticos passar a fase de grupos quando há vontade de fazer alguma coisa.

Passou-se com a Grécia.

Apesar do oportuno penalty fantasma.

Naquele dia, Iavé decidiu aplicar-se na mecânica quântica. “É uma coisa cá minha, já que nunca me deixaram seguir para torneiro….”.

Com método, construíu uma caixa; quer dizer, aproveitou uma que Não-É tinha abandonado por detrás de um cerrado. Algumas marteladas nos dedos depois, seguindo as instruções Norma Dois que a acompanhavam, já bem limpinha e pintadinha, procedeu à experiência propriamente quântica: pegou num exame de Português que por ali passava miando e colocou-o na referida dita cuja, a qual continha um veneno ilocutório, e fechou-a e sete chaves e mais uma, portanto – oito.

E enunciou: “As respostas do exame ao ilocutório estão entrelaçadamente certas e erradas!”

Vocês não imaginam o brado que aquilo deu, os Iaveístas até dançaram entrelaçados em volta do Templo, a multidão delirou em vivas a Iavé, O Grande, talvez maior!

E todos se prostraram em adoração a Iavé!

Bem, todos não, lá no fundo um Profiteu agitava um cartaz.

E Iavé colocou os olhos.

E Iavé conseguiu ler: “Vai estudar, Iavé!”.

 

O insuportável entra na linha do irrevogável do paulinho e do irrepreeensível do poias.  São elementos de frases que não fazem sentido na boca de quem as profere.

Passos pede iniciativas contra desemprego “insuportavelmente elevado”

Se formos a ver bem… é-lhe exigido que tenha uma vida como a maioria dos portugueses (excepto os que foram mandados emigrar).

Como a casa dele não é propriamente uma humilde casinha… está aqui está outra vez a dar (ainda mais) cartas por aí…

O ex-presidente da Câmara de Oeiras vai sair da cadeia esta terça-feira e cumprir o resto da pena em liberdade condicional, por decisão da Relação de Lisboa. Isaltino Morais foi condenado pelos crimes de branqueamento de capitais e fraude fiscal, tendo cumprido um ano de pena em Abril.

A informação foi confirmada à Renascença pelo presidente da Segunda Instância de Lisboa, segundo o qual a ordem de libertação já seguiu para a Carregueira. A decisão da Relação dá resposta a um recurso do ex-autarca de Oeiras.

O tribunal impôs três regras ao ex-autarca: terá de continuar a morar na  sua residência de Miraflores, não pode sair Portugal continental e não pode cometer qualquer ilícito, sob pena de perder a liberdade condicional.

A caminho, ao ouvir a conversa do Humberto Coelho, percebi logo que o encerramento das escolas seria assunto de segunda opção.

Fica para a próxima. Ou não.

Em coerência, fico a ver se teremos Pirlo ou Forlan nos oitavos de final.

… poder dizer aquilo que escrevi mais abaixo e mais algumas coisas. Assim a chuva que cai no deserto não me provoque atrasos.

Já estou sem actividades lectivas e é fora das minhas tarefas não-lectivas pelo que penso não incomodar excessivamente quem se sente menos feliz por eu ocupar, de tempos a tempos, um espacinho mediático fora dos horários-primos.

devil

… em que vários ministros da Educação já deste milénio se juntam em ambiente de tertúlia e exibem os seus pergaminhos em matéria de retrocesso da rede escolar do 1º ciclo em nome do progresso, da racionalidade económica e eficácia dos recursos.

Cada um no seu tom, reclamando o que é seu: David Justino relembrando que foi ele a dar novo alento um processo que já vinha do fim dos anos 80 (enquanto técnico camarário em 89-90 assisti ao início do processo), Maria de Lurdes Rodrigues a destacar que foi ela a principal encerradora de escolas e Nuno Crato a sublinhar que foi no seu mandato que se chegou onde nunca antes se chegara.

Algumas coisas podem dividi-los, mas esta é daquelas orientações políticas que os três partilham e defendem com o mesmo tipo de argumentos: os recursos são finitos, há margem para poupanças, os alunos ficam a ganhar com a deslocação para melhores instalações e assim até se combate o insucesso que será maior nas escolas mais remotas e menos equipadas.

Nem tudo o que afirmam é verdade, nem sequer foi cabalmente demonstrado que o sucesso específico dos alunos deslocados para os centros/caixotes escolares melhorou. Pode ser que tenha melhorado, mas até ao momento isso não foi demonstrado. Há mesmo elementos que indicam que as escolas de turma única têm resultados bem acima da média. E mesmo que sejam verdadeiros alguns argumentos, não foi demonstrado que não seria possível fazer melhor com outro tipo de acção.

Porque não foi demonstrado, por exemplo, que os encargos com o equipamento básico das escolas mais pequenas, de proximidade, é de tal forma incomportável que justifique a deslocação de miúd@s de 6 anos mais de uma ou duas dezenas de km, fazendo-os levantar-se e estar prontos (e regressar) quase uma hora antes (depois) do que precisariam.

A lógica desumanizadora e concentracionária, por baixar o custo médio por aluno, une a lógica da acção de todos os ministros, pois “quando se chega lá, há coisas que é impossível não fazer”.

Discordo.

Pub24Jun14

Público, 24 de Junho de 2014

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