… de escasso agrado para os actores institucionais na área da Educação, embora pudessem ser bastante úteis para vida concreta das escolas.

Eu explico-me rapidamente… em tempos de desgovernação alegadamente liberal que pretende uniformizar carreiras na função pública, numa avassaladora tentação indiferenciadora capaz de fazer gemer de inveja qualquer bom ditador do proletariado, eu defendo uma tendência inversa em matéria de horários e remunerações de professores.

Concretizando…

Mantendo a estrutura-padrão do horário lectivo e não lectivo para todos os professores que assim a desejassem manter, deveria ser aberta a possibilidade de, por iniciativa dos próprios ou mesmo proposta da gestão das escolas, ser flexibilizado esse horário, para mais ou menos horas com a devida compensação remuneratória.

Porque há que ser muito franco… há quem por dedicação ou falta de outra ocupação, efectivamente pode estar na escola (e está em condições para isso) mais tempo do que o regulamentado, seja em aulas ou outras tarefas e há quem, por muitas, desvairadas e/ou justificadas razões, só faria bem a si mesmo e a quem o rodeia se estivesse menos tempo em aulas ou na escola.

Isto não seria um método para fazer engenharia de horários, pois não poderia implicar que o aumento das horas de uns levasse à dispensa de outros, vamos lá a entender-nos.

Nem seria para toda a gente começar a fazer rendilhados.

Seria para adequar o horário às capacidades de cada um, em articulação com o interesse da escola no sentido de um trabalho mais eficaz com os alunos.

Se alguém, para além do horário lectivo, pode dispensar mais 10 ou 12 horas (em vez de 3 ou 4) não lectivas semanais à escola para tarefas relevantes com tutorias ou mediação escola-família, animação de actividades extra-lectivas, porque não deve isso ser compensado em vez de se esperar pela boa vontade ou voluntariado?

Se alguém, em contrapartida, não se sente em condições para assegurar um horário completo, mas pode leccionar 70 ou 75% do seu horário, porque não fazê-lo com o correspondente ajustamento salarial que esteja disposto a sofrer?

Mantendo sempre o padrão-base e o cálculo da hora e trabalho para estas variações, assim como o tipo de vínculo laboral.

E, como parece evidente, permitindo uma ligeira (e justificada) margem de autonomia financeira às escolas que agora não existe.

Será esta uma ideia demasiado liberal para vós?

Ou estão a ver obstáculos inultrapassáveis que eu não estou aagora a vislumbrar.