Segunda-feira, 16 de Junho, 2014


Primal Scream, Rocks

 

Diz o têcê que o Costa é inconstitucional.

 

… e ainda bem.

Reuniões de avaliação à hora do jogo.

Cruza-se os dedos que o MEC não tenha bloqueado aqueles sites manhosos e projecta-se no hiperactivo?

Austeridade e efeitos perversos

 

Paul Krugman, prémio Nobel da Economia, no seu recente livro «Acabem com esta crise, já!» publicado na Editorial Presença, 2012, mostra com provas empíricas e raciocínios lógico-dedutivos que a política da austeridade não conduz a resultados práticos positivos pois faz crescer o desemprego, diminuir o PIB, aumentar as falências e produz efeitos contrários aos esperados como seja o desequilíbrio das finanças públicas. Com efeito, as empresas falidas e os desempregados deixam de pagar impostos e a segurança social, logo menos receita para o Estado e para a Segurança Social. Entretanto a despesa com a segurança social aumenta devido ao aumento dos desempregados.

A política da austeridade, que é no final de contas uma política de poupança forçada nuns casos e desejada noutros, tem efeitos perversos contrários àquilo que seria suposto prever.

Para percebermos o conceito de «efeito perverso» vou dar um exemplo simples retirado do trânsito: Imaginemos que quero deslocações mais rápidas e cómodas num espaço urbano qualquer. Em vez de usar transportes públicos compro um carro para as minhas deslocações e a coisa parece resultar se for só eu e mais alguns a fazer o mesmo. Mas imaginemos que por um processo de imitação todos pensam e agem de igual forma, quer dizer, todos se deslocam de carro: as estradas e ruas entopem, engarrafamentos brutais, desgaste de combustível e de nervos, perdas enormes de tempo e energias: conclusão – é mais rápido andar de bicicleta ou mesmo a pé! Todos querendo fazer o bem acabaram por produzir o mal.

Na economia passa-se o mesmo. A política da austeridade, que conduz à poupança forçada de muitos e à poupança voluntária de outros tantos com o medo da crise, faz com que não haja investimento com medo de que não haja retorno, pois o consumo diminuiu e também diminui o consumo porque o valor das reformas e pensões e salários baixou e outros querem poupar: a loja não vende e abre falência e manda gente para o desemprego; a fábrica não produz porque já não tem a quem vender e abre falência mandando mais umas centenas ou milhares para o desemprego. Conclusão: a poupança que parece ser uma coisa boa se for praticada só por algumas pessoas ou empresas, torna-se numa coisa má se for generalizada (Se os restantes países europeus também praticam a política da austeridade a quem vai Portugal vender os produtos destinados à exportação?)

É esta situação que se passa atualmente em Portugal. Os níveis de poupança subiram e isso é dado como uma boa notícia por aqueles que não percebem os meandros da economia. Na prática é uma má notícia porque significa menos procura, menos consumo, menos comércio, menos indústria e menos trabalho, menores ganhos. Depois a poupança do Estado no corte das pensões, no corte ao investimento público, também produz os mesmos efeitos: paralisação da economia. Todos querendo poupar, publico e privados, todos julgando fazer o bem acabam por produzir o mal: desemprego, diminuição do PIB, empobrecimento, miséria e fome. A austeridade, como remédio da crise, torna-se no seu próprio alimento: gera crise que gera mais austeridade que gera mais crise. É uma profecia auto-realizadora!

Não há dúvida que os nossos políticos adeptos da austeridade e poupança são “inteligentes”: desenvolvem uma política que tem como resultado o inverso do desejado ou esperado! Será que eles sabem o que são «efeitos perversos» na economia?

 

Penafiel, Zeferino Lopes

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