Segunda-feira, 2 de Junho, 2014


 

Começaram as privatizações no PS. O pai google explica porquê.

 

 

Seth MacFarlane (2014), A Million Ways To Die In The West

A especialidade do IAVÉ… atirar as culpas para os professores… nunca assumir as suas falhas ou responsabilizar-se pelo mau planeamento da coisa…

“Ao contrário do inicialmente previsto, o IAVE vem comunicar que a divulgação de resultados do teste Key for Schools dos alunos a frequentar o 9.º ano de escolaridade não poderá realizar-se no próximo dia 4 de junho”, quarta-feira, avançou hoje o Instituto de Avaliação Educativa em comunicado, sem adiantar outra data para a publicação das notas.

Segundo o IAVE, o atraso deve-se à fraca adesão dos professores, já que só 800 dos 1200 que fizeram a formação para classificar as provas “têm estado efetivamente envolvidos no processo”, justifica o instituto. A participação é voluntária e não remunerada.

Palavras de elogio só para os que aceitaram trabalhar para aquecer as falanges…

 

… qualquer coisa, não importa como…

Embora esta seja a situação ideal os responsáveis efectivos escaparem impunes, porque a responsabilização entre nós só funciona num sentido… nunca vai para cima.

Parece “filho sem mãe nem pai” o contrato de Ministério da Educação com João Pedroso

O original:

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A cópia:

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Os meirelles:

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Os mininos:

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Os emplastros:

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Sugestão da São Carneiro:

As atuais classes sociais

Passo agora a uma outra falácia, muito em voga nas argumentações favoráveis ao sacrifício quase exclusivo dos trabalhadores do sector público, por serem “despesa”, e que se encontra muito na retórica de um Pires de Lima quando decide assumir as roupagens exclusivas do empreendedor.

2. É necessário cortar nos salários dos funcionários públicos, pois são “despesa”, porque no sector privado “já foi feito o ajustamento” e porque é deste sector que “depende o crescimento da nossa economia”, enquanto o Estado se limita a “absorver os nossos impostos” e os seus trabalhadores têm o lugar “seguro”.

Vamos lá por partes…

Em primeiro lugar, devemos relembrar com a devida intensidade que o primeiro “ajustamento” (e o segundo e o terceiro) se fez desde muito cedo (ainda antes da “crise financeira” de 2008) no sector público com o congelamento da progressão nas carreiras, por exemplo, dos professores. Só para quem anda nisto de má fé é que pode ignorar que esse congelamento, a par de um aumento do horário dos professores nas escolas, implicou uma desvalorização acentuada do valor da hora de trabalho, bem como permitiu reduzir desde os inícios do primeiro governo de Sócrates o número de professores nas escolas, apesar do aumento das tarefas a cumprir. Só alguém com muita falta de memória ou evidente falta de carácter pode dizer que não foi pelos funcionários do Estado que começaram os cortes salariais, sem hipótese de escapatória, aos quais se juntou o aumento dos impostos, pelo que foram aqueles funcionários a sofrer triplamente (redução salarial, aumento do horário de trabalho, aumento da carga fiscal) o famigerado “ajustamento. E desde 2010 a fórmula tem sido sempre a mesma…

Em segundo lugar, pode sempre considerar-se “despesa” o pagamento a funcionários que prestam serviços públicos que, caso não existissem, teriam de ser pagos pelos cidadãos ou, de forma indirecta pelo Estado (seja através de acordos na área da saúde ou com cheques e contratos na área da Educação), sem que esteja provado que isso melhoraria os ditos serviços ou permitiria poupanças às finanças públicas. O que é profundamente desonesto é apresentar aos cidadãos como “despesa” e, pior, como se fosse um encargo supérfluo o pagamento a profissionais que desempenham funções altamente qualificadas e sem as quais esses mesmos cidadãos teriam de pagar muito mais do que a parcela dos impostos reservada para essas áreas de acção do Estado. O que não é dito à população é que um “Estado Magro” ou, como gostam de dizer, mais racional e eficaz, se traduzirá inevitavelmente por maiores despesas particulares de todos, não compensadas pela descida dos impostos. Para além de que há serviços como a Justiça, a Segurança Pública, a própria Defesa, que só podem conceber-se como áreas a privatizar ou a assegurar pela “sociedade civil” num contexto de retrocesso civilizacional para níveis do século XIX. Quanto às “áreas sociais” (Saúde, Segurança Social, Educação) são a marca distintiva das sociedades contemporâneas, industriais ou mesmo pós-industriais, em que a regra do egoísmo do recebes-apenas-o-que-pagaste e eu-pago-apenas-o-que-quero-receber foi abandonada em favor de princípios de coesão e solidariedade social. Isto nem é uma questão de Esquerda/Direita, pois o alargamento das funções do Estado para estas áreas não foi exclusivo de uma corrente político-partidária, sendo mais a consequência de uma concepção de sociedade que pode ser partilhada por ideologias que, em outros campos, podem ser adversárias. O welfare state do pós-II Guerra Mundial não é, em muitos países ocidentais, um património exclusivo de uma “Esquerda despesista” como os tardo-tatcherianos nos querem fazer acreditar.

Em terceiro lugar, gostaria ainda de sublinhar que nada me entusiasma mais do que um sector privado empreendedor e pujante que alie os seus princípios liberais a uma prática coerente com tais princípios. O que a mim espanta sempre é que quem defende um radical liberalismo teórico, acabe quantas vezes a encostar-se ao Estado, seja para colocar pessoas de confiança em postos chave do aparelho político-administrativo, seja a angariar contratos e parcerias com o dito Estado, como se não fosse possível agirem por si mesmos e mostrarem o seu empreendedorismo de sucesso sem ser na base das PPP em que os negociadores públicos estão, sem período de nojo adequado, na administração das empresas a que concessionaram serviços ou com quem estabeleceram contratos em nome do interesse público e que se descobre estarem “blindados” apenas para um dos lados. O que eu considero “despesa” a sério e da gordurosa em múltiplos sentidos é o Estado pagar rendas de milhões que vão muito para além do serviço prestado a operadores privados, enquanto regateia tostões a quem presta um efectivo serviço público. O balanço dos últimos 10-15 anos é demolidor e trágico no que diz respeito ao que andamos todos a pagar em juros de dívidas contraídas de forma “engenhosa” para canalizar verbas da União Europeia, que raramente se traduziram em factores de desenvolvimento económico ou de aumento da produtividade nacional. Basta ver o investimento em alcatrão e cimento armado em direcção, quantas vezes, a nenhures, pois continua a faltar tudo o mais num país que se tornou tão assimétrico como há 150 ou 200 anos.

Regressando ao tema dos “ajustamentos”, para finalizar por agora, seria bom que se dissesse que a única estratégia que por cá se conhece é a do downsizing. Há menos lucros ou prejuízos? Despede-se pessoal, reduzem-se as operações, paga-se menos. O que quase nunca se faz? Responsabilizar quem tomou as erradas decisões de gestão porque, afinal, todos são amigos e todos sabem que quem hoje perdoa amanhã será perdoado.

E a culpa é sempre do mexilhão, privado ou público.

Adenda:

A dívida pública portuguesa aumentou 5.213 milhões de euros, para 225.897 milhões de euros, em abril face a março, devido ao financiamento concedido a três empresas públicas de transportes, divulgou hoje o Banco de Portugal (BdP).

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