… enquanto a “autonomia” e a “descentralização” se traduzir na concentração dos alunos para fazer os exames nas escolas-sede.
Directores dizem que os exames do 4.º e do 6.º ano vão fechar as escolas aos restantes alunos
Pela primeira vez, os alunos fazem os exames finais do 1.º e do 2.º ciclos nos mesmos dias, segunda e quarta-feira, ainda com as actividades lectivas a decorrer.Os directores dizem que na maior parte das escolas será impossível acolher os estudantes do 5.º, 7.º, 8.º e 9.º anos. Os pais protestam.
Os pais protestam?
Eu sou pai, irei coadjuvar num dia e vigiar no outro e a petiza sem aulas. A mãe também irá vigiar. Não há vóvós por perto…
Mas não é por isso que protesto.
É por causa da imensa hipocrisia de dizerem que tudo se concentra nas escolas-sede por razões técnicas quando é apenas por desconfiança.
Maio 13, 2014 at 10:04 am
Desconfiança?
Então e os meninos dos colégios privados, também vão fazer as provas à escola-sede, ou fica, como é habitual, tudo em família?
Desconfio muito das desconfianças selectivas…
Maio 13, 2014 at 10:22 am
Fechar escolas?
Há autênticos malabarismos: passeios a pé, miúdos fechados em pavilhões desportivos e todo um conjunto de trocas e baldrocas e estratégias, para “aguentar” os miúdos na escola.
Fechar escolas?
Os miúdos vêm! E as escolas aguentam, Ai aguentam, aguentam!
Até ver! (como diria o Sérgio Godinho).
Maio 13, 2014 at 10:33 am
Uma perspectiva pela qual se tem frequentemente abordado a temática dos exames neste blogue tem sido a de considerar os exames, ou melhor, mais exames, a mais disciplinas e anos de escolaridade, como uma medida necessária e boa em si mesma, para depois se criticar as condições concretas em que os mesmos são implementados.
Independentemente da justeza das críticas, com as quais no geral até concordo, discordo da ideia dos exames bons-em-si-mesmos que acabam por ser desvirtuados pelas más decisões políticas e técnicas do ministério ou da sua extensão examinocrata, Iavé ou coisa que o valha.
Porque a realização de exames a um universo alargado de alunos envolve sempre uma logística complexa que, sobretudo em escolas e agrupamentos que em muitos casos já funcionam no limite das disponibilidades materiais e humanas, determina que a mais exames e épocas de exame correspondam necessariamente menos aulas dadas.
Um calendário de exames alargado implica forçosamente o encurtamento do 3º período ou, caso se realizem exames antes do ano lectivo findar, interrupções das aulas.
É o paradoxo da examocracia, os alunos têm menos aulas, ou seja, menos tempo lectivo para aprender e consolidar matérias, mas têm melhores resultados porque fazem exames.
Não sei até onde poderia ser levada esta lógica perversa, mas talvez com exames de mês a mês pudéssemos a breve prazo ultrapassar os finlandeses, os coreanos e todos os outros que costumam ficar bem classificados nos rankings da praxe.
Corolário disto tudo, os “três meses de férias” para os alunos, como no tempo do Estado Novo, tempo suficiente para, uma vez despejada a matéria, se esquecer quase tudo o que se aprendeu.
Maio 13, 2014 at 10:42 am
Qual 3º período? Há algum 3º período? Nem neste ano nem no próximo!
Maio 13, 2014 at 10:45 am
O Ministério da Educação continua a cometer atropelos atrás da atropelos! Resultado do fundamentalismo dos exames!
Maio 13, 2014 at 11:59 am
– Os exames, por si mesmos, não são bons ou maus, a não ser para os fundamentalistas pró ou contra. Tudo depende da política educativa e do contexto em que se inserem. O que no nosso caso resulta paradoxal: o actual contexto do nosso sistema educativo justifica-os, mas a política educativa em vigor atribui-lhes um papel perverso que eles não deveriam ter: o de certificarem a bondade dela.
– Sejamos francos: os exames, no fundo, representam um princípio de desconfiança ou, quando menos, de dúvida, em relação às aprendizagens, quer dizer, em relação ao trabalho dos professores e do alunos. E o aparato burocrático associado mais não faz do que explicitar tal princípio. Não podemos é querer ter simultaneamente sol na eira e chuva no nabal: se queremos exames, temos que ter consciência que teremos de arcar também com esse princípio de desconfiança ou dúvida. O que reforçará a desconfiança estrutural que parece que no MEC se tem em relação aos professores…
Maio 13, 2014 at 12:37 pm
Tendo na devida conta todos os reparos, resta um princípio, sem o qual o ensino nunca será o que deveria ser: o da avaliação externa rigorosa e consequente.
Isto é óbvio em qualquer projeto.
Maio 13, 2014 at 12:51 pm
Os “benefícios”, dizem eles, da concentração (agrupamentos); das economias de escala, do fazer muito com pouco …:
Alunos dos 7º aos 12º anos SEM AULAS ou encafuados a “fazer de conta que se faz qualquer coisita” que:
– as suas salas de aula estão ocupadas com as crianças dos 4º e 6º anos
– que os seus professores (os professores dos 7º aos 12º anos) estão a vigiar os pequenos ou ocupados a preparar e controlar toda a muita logística associada…
– que os professores dos 7º aos 12º anos andam, para além dos seus horários, a participar em reuniões para leitura de normas e preparação das vigilâncias destas provas (que as dos seus alunos virão mais tarde) … se sobrar tempo e disponibilidade emocional preparem, então, as suas aulas…
– que os professores dos alunos que estarão a fazer exames podem ocupar o tempo a fazer algo “muito mais útil” que trabalhar (aulas, apoios, vigilâncias…) com os seus alunos…
-…
A escola vista como uma central de produção de cervejas: hoje interrompe-se a produção de Heineken que numa lógica de “just in time” há uma encomenda de sagres a preços competitivos para o produtor que lhe poderá permitir um encaixe de lucros não previstos… os tempos, os prazos e as funções da escola reformulados em função dos mercados, da especulação ou da propaganda…
… as AULAS, SÃO (como se pode verificar em diversificadas situações, nomeadamente na avaliação dos professores) MEROS APÊNDICES DA ESCOLA… o discurso, claro, é outro.
Maio 13, 2014 at 1:00 pm
É tudo In the Name of Scourge. Whip it good para domesticar a acromunidade escolar
Maio 13, 2014 at 1:03 pm
7
A “avaliação externa rigorosa e consequente” de ” qualquer projecto” deverá decorrer após o seu término!
No seu decurso serão avaliações intercalares para controle e eventuais reformulações e não deveriam interferir com a concretização de outros projectos… mas isto implica visão global, estratégica e muito planeamento – o que é pedir muito às múltiplas entidades e organismos do ministério da educação… para além de que, quanto mais externalidades, mais se agrava a coisa…
Maio 13, 2014 at 1:09 pm
#7
Percebo o seu ponto de vista, do qual nem discordo.
Mas atenção que não se devem inverter as prioridades: a avaliação não se deve constituir como o fim ou o resumo do ensino, como parece no fundo preconizar um certo discurso influenciado pela ideologia meritocrática.
Parece-me óbvio que qualquer projecto educativo deve é apostar prioritariamente na qualidade das aprendizagens (o que requer o devido investimento e condições aos mais diversos níveis). A avaliação virá depois; ela só por si não confere qualidade: pode, quando muito, é confirmá-la ou certificá-la. Ou mistificá-la. Que é o que está a suceder com as actuais orientações educativas.
Maio 13, 2014 at 1:26 pm
É preciso ter uma visão global da educação e das escolas quando se pensa em criar exames. E isso não existe nestes calendários que transformaram os exames em eventos na escola.
Exames de avaliação final só deviam aparecer depois das aulas. A escola passava de “modo aulas” para “modo exames”. Isto poderia permitir mais concentração de exames na mesma semana (vários anos em exame no mesmo agrupamento mas em dias diferentes por motivos logísticos) e permitiria menos tempo para o calendário de exames. Também facilitaria a preparação dos professores para os exames e a preparação dos alunos para exames (com aulas de apoio para exames).
Assim não vamos lá, pois os exames do 12.º estão condicionados pelo processo de seleção para a universidade e acabamos por colocar os restantes X dias antes!
Em anos que a Páscoa seja tardia… não há aulas no 3º período (onde supostamente as normas da escola impõem 2 testes por período e reuniões de avaliação).
Mude-se a Páscoa, mudem-se os regulamentos da escolas, mas nunca se mudem a cabeça das pessoas que decidem!
Maio 13, 2014 at 1:51 pm
#11
Nos testes que faz aos seus alunos não verifica uma correspondência directa entre as notas queeles obtêm (ou que lhes atribui) e a ideia que tem, a priori, dos conhecimentos reais da matéria que eles possuem?
Conhece alguém que defende que a avaaliação, por si só, “confere qualidade” ao ensino?
Maio 13, 2014 at 2:26 pm
#13
– Não há essa “correspondência directa”. E já agora, mal de mim e dos meus alunos se o que eles aprendem se pudesse resumir aos/nos momentos de avaliação.
– Conheço. E há um que você também conhece: Nuno Crato. A sua política educativa decorre, objectivamente, desse pressuposto (embora, claro, ele não o admita explicitamente).
Maio 13, 2014 at 2:31 pm
#11
Evidentemente!…
#13
“…e a ideia que tem, a priori, dos conhecimentos reais da matéria que eles possuem?”.
Mas é “a ideia que (se) tem” que podem estar em causa, não acha?!
Entre outras coisas.
Maio 13, 2014 at 2:43 pm
#13
“Conhece alguém que defende que a avaaliação, por si só, “confere qualidade” ao ensino?”
Mas pode e deve constituir uma motivação extra, para alunos e professores.
E introduzir maior rigor na classificação, quando ela se justifique, o que também é um fator de motivação, para quem gosta de trabalhar e ver o resultado justamente reconhecido.
E possibilitar ajustamentos e correções no sistema, o que também se traduz no aumento da qualidade.
Por tudo isto e muito mais, “a avaliação externa, rigorosa e consequente” é indispensável
Maio 13, 2014 at 2:51 pm
Ou seja, a avaliação séria não é uma questão de confiança ou da falta dela, mas uma imposição pela natureza da coisa.
Maio 13, 2014 at 4:29 pm
Pelo que já me contaram, não é só o que se passa nos colégios privados que gera desconfiança, o que se tem passado em algumas EB1 e EB23 também tem que se lhe diga.
Maio 13, 2014 at 4:52 pm
#16
De acordo.
Podem-se dar muitos exemplos da necessidade da avaliação externa, no nosso sistema de ensino. Quem dá aulas no secundário sabe bem a situação em que chegam muitos dos alunos nas disciplinas em que não há exames (e.g. Inglês).
Maio 13, 2014 at 5:07 pm
#15
“Mas é “a ideia que (se) tem” que podem estar em causa, não acha?!
Entre outras coisas.”
Exacto. E se, por exemplo, um professor não encontra uma relação directa entre a nota dos testes e a percepção que tem do domínio da matéria pelo aluno, deve repensar a forma como faz os testes, as questões que escolhe e, naturalmente, a forma como avalia as respostas. Em última análise deve ainda repensar a forma como ensina (se enfatiza o importante, se clarifica o que é difícil e complexo, etc.). Claro que a forma de ultrapassar estas e outras questões depende também da experiência (mas não só) do professor.
Maio 13, 2014 at 9:38 pm
No caso que conheço os docentes da EB (2,3) não são suficientes para as vigilâncias do 6º ano – salas grupo e salas com condições específicas para alunos NEE. Não se consegue um suplente por cada sala. Acresce que são os mesmos docentes que, de manhã, vigiam o 4º ano – Como pode haver aulas?
Disparate? Sim, provas nesta altura do ano.
Maio 13, 2014 at 9:46 pm
#1
Se frequentarem um colégio com 2º ciclo fazem os exames na escolinha do costume. Caso contrário têm liberdade de escolha, ou vão a uma escola pública ou a um colégio da zona… Até nestes pormenores se vê a parcialidade deste MEC.
Só me surpreende que não haja ninguém a contestar judicialmente esta flagrante descriminação dos alunos das escolas públicas.
Maio 13, 2014 at 9:48 pm
Como justifica que nenhuma escola privada mande os alunos para casa nestes dias?
Maio 13, 2014 at 9:50 pm
em #23 referia-me ao #21.
Maio 13, 2014 at 9:51 pm
Daniel – os professores da escola privada não vigiam, mandam os alunos fazer provas nas escolas públicas.
E nos colégios onde podem realizar provas há meios humanos de apoio e vigilância que as escolas públicas não têm
Maio 13, 2014 at 10:09 pm
#18
Menos revista-da-sala-dos-profs e esse preconceito passa… No mega aqui do sítio, os doutores do secundário e da eb23 achavam estranhíssimo os bons resultados de uma Eb1 teip (da ribeira do Porto), o ano passado lá foram os miúdinhos da ribeira ao Liceu realizar os exames, sob vigilância atenta da doutorice, e toma lá!: A escola da ribeira foi a melhor do agrupamento… 4 alunos com nível 5 a matemática (em 16) e média global de 3,4 neste exame.
E os resultados dos alunos dos doutores? negativos, na maioria das disciplinas.
Maio 13, 2014 at 10:13 pm
#25
Aqui no porto fazem nos colégios. Têm quase todos 2º/3º ciclos. E sim, continuam com aulas. Aulas mesmo.
Maio 14, 2014 at 9:01 am
Eu estou escalada para vigiar os quatro exames. Como poderia ainda dar aulas aos meus do 8º e 9º ano?!…..
Vou estar muitas mais horas na Escola.
Quem corrige os meus testes?
Quem faz os meus testes?
Quem prepara as minhas aulas?
Maio 14, 2014 at 9:45 am
Esqueci-me de referir que no dia do exame de Inglês fiquei sem aulas a um nono.
Esta semana vou ter mais uma reunião por causa dos exames do 4º e 6º ano.
Terei reuniões para os exames do 9º e………..
Maio 14, 2014 at 8:32 pm
Concordando com exames, como pai e professor, acho que estes deviam ser depois das aulas acabarem. E, nos colégios, continuam a passar-se coisas estranhas (alunos com respostas exatamente iguais dentro da mesma sala…). Ora, sendo Nuno Crato um homem da Matemática e da Estatística, não poderia tirar a prova dos nove a estes casos. E, em vez de deslocar alunos, porque não se deslocam professores (pagando o estado as deslocações…). Era bem melhor para os alunos e tirava-se algumas dúvidas…
Maio 14, 2014 at 9:42 pm
Mais grave do que não terem aulas para os colegas realizarem provas é marcarem as sessões de Speaking do famoso exame de IngLês – Key for Schools para as tardes em que os alunos têm aulas, obrigando-os a faltar, quando as escolas identificaram os turnos livres. Desse cambalacho já se aceita tudo.