Sábado, 26 de Abril, 2014


Linkin Park, What I’ve Done

Can Teaching’s ‘Revolving Door’ Be Stopped?

Is misused neuroscience defining early years and child protection policy?

The idea that a child’s brain is irrevocably shaped in the first three years increasingly drives government policy on adoption and early childhood intervention. But does the science stand up to scrutiny?

… em que a maldade humana parece ser o que predomina em certos espíritos, a par da mentira, da tentativa de manipulação e da vontade de fazer o mal a outrem por não se ter mais nada dentro que valha a pena.

Não sei se esperava, como encarregado de educação, ter de aguentar aquilo que nunca aguentei como professor, de certas criaturas que a natureza fez com que progenitassem contra todo o bom senso. E depois percebe-se que os rebentos não podiam ser de outra forma, pois a cepa original já estava estragada.

 

A forma como o 25 de Abril surge nas principais publicações semanais da nossa imprensa de notícias é bem diversa e revela duas atitudes quase diametralmente opostas.

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A Visão e o Expresso (actualmente pertencentes ao mesmo grupo empresarial) investiram bastante na efeméride, desde a a realização de debates e a preparação de revistas específicas em edições anteriores (Expresso) à produção da revista com um grafismo e conteúdos à maneira de há 40 anos (Visão).

Nesta semana, o Expresso traz ainda um caderno especial dedicado à reprodução de muitas primeiras páginas da imprensa de 25 de Abril de 1974, para além de abordagens no caderno principal, no Actual e na Revista.

Já os casos da revista Sábado e do semanário Sol revelam uma atitude muito diferente e optam por tratamentos do tema claramente baseados no “lá terá de ser” e na preguiça.

A Sábado deixa a cargo de crónicas com 40 anos de Gabriel Garcia Marquez sobre o 25 de Abril a maior parte do espaço dedicado ao tema, no que seria uma opção curiosa como anexo a outra coisa. Mas o resto é escasso e muito pobre, revelando um desinteresse muito grande, só faltando mesmo a encomenda de uma peça a Rui Ramos a relativizar tudo o que se passou, como aconteceu há uns anos com a passagem dos 100 anos da República. O grande interesse da revista é o ex-pião-maçon Silva Carvalho que, em meu entender, nem dignifica a espionagem (que é algo bem diverso da mexeriquice à conta do Estado), nem a Maçonaria (que sempre me constou ensinar as suas gentes a serem discretas) com o seu desejo imenso de falar e acertar contas muito cedo. Se aliarmos esta opção à do Correio da Manhã, conclui-se com há um certo grupo empresarial na área da comunicação que acha dispensável assinalar de forma c0ndigna os 40 anos de Abril.

Já o Sol opta por incluir um portefólio de imagens mais do que conhecidas e ao nível de um manual escolar do 3º ciclo e dar a palavra a Rentes de Carvalho, a nova coqueluche sénior da nossa literatura, que nem sequer vivia em Portugal em 1974, mas que diz ter começado a preparar o livro – cujo tema parece ser o 25 de Abril –  em 1962 mas que apenas é publicado em 2014. Confesso que não o li, mas já ouvi várias pessoas a desmentir factualmente diversos episódios lá relatados, o que acabou por me tirar a vontade de o comprar. O destaque da 1ª página do jornal vai para o inefável Durão Barroso (aquele que parece acha que Cavaco, Soares e Sampaio ou Eanes não passaram de burros) e o da revista para o muito divertido Vasco Palmeirim que, com um pouco mais de atenção, poderia ter aceitado aparecer na capa de outra edição. Acho eu, que sou esquerdista e vermelho.

25 de Abril, 40 anos depois…

6. E se a Revolução não tivesse existido?…

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Como teria evoluído Portugal sem o 25 de Abril?

A construção de cenários hipotéticos é um exercício sempre arriscado. Mas não é muito difícil antever que boa parte dos graves problemas políticos, económicos e sociais do período revolucionário e pós-revolucionário teriam ocorrido mesmo que não tivesse havido uma revolução a 25 de Abril ou esta tivesse sido neutralizada pelas forças do regime.

As longas filas de automóveis junto às bombas de gasolina surgiram ainda em 1973, resultado da escassez de combustíveis provocada pela crise petrolífera. A subida em flecha dos preços dos produtos petrolíferos foi um dos principais factores que fez disparar as importações portuguesas a partir desse ano e ocorreria mesmo que não tivesse havido revolução. A maior parte da década de 70 correspondeu a um período de crise económica internacional à qual não ficaríamos imunes, qualquer que fosse o regime político vigente no país.

A retirada das tropas e dos cidadãos portugueses da Guiné, onde a derrota militar era uma evidência, originaria uma primeira vaga de “retornados”, que provavelmente engrossaria com o regresso também de muitos moçambicanos, perante o agravamento das condições de segurança na segunda maior colónia portuguesa, que as forças armadas tinham cada vez mais dificuldade em controlar.

Em Espanha, a transição rápida e indolor para a democracia em 1975, após a morte de Franco, o ditador que, ao contrário de Salazar, planeou a sua própria sucessão, delineando uma solução de continuidade para o regime de que tinha sido fundador, tornaria ainda mais insustentável a sobrevivência isolada do último dos fascismos europeus.

Apesar de algum reformismo, sobretudo nas áreas da economia e da educação, a abertura marcelista provou ser insuficiente para enfrentar e resolver os graves problemas do país e o desfasamento em relação ao resto da Europa Ocidental. Nesse sentido a revolução foi, não só uma inevitabilidade, mas também a oportunidade para se fazerem, a partir daquele momento libertador, as mudanças adiadas ao longo das décadas anteriores. A pobreza endémica no mundo rural, o analfabetismo, as elevadas taxas de mortalidade, a emigração em massa, são exemplos de graves problemas estruturais que só em democracia foi possível reconhecer, enfrentar e, em grande medida, resolver.

É certo que o período revolucionário, com a descoberta da liberdade e da democracia, o debate e o combate ideológico, a tomada de medidas radicais de política económica norteadas sobretudo pela tentativa de corrigir as profundas desigualdades e injustiças sociais existentes, criou também novos e graves problemas e abriu profundas clivagens e contradições na sociedade portuguesa. Mas trouxe igualmente as chaves para a resolução desses e de outros problemas e conflitos: a liberdade de expressão que torna possível o debate de todas as ideias e a eleição democrática que permite escolher em cada momento eleitoral os políticos e as políticas que a maioria considera mais adequados para enfrentar os desafios que se colocam à nossa vida colectiva. E também substituí-los quando já não servem, ou quando a má escolha se tornou evidente.

A democracia, o tal sistema em que existem sempre alternativas, embora os novos e mais sofisticados fascismos dos nossos dias muitas vezes nos queiram convencer do contrário…

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