… para escrever algo muito criativo, profundo ou militante acerca do 25 de Abril, pelo que vou agir mais como voyeur.

Desde 1984 (quando o fiz para um dos meus primeiros trabalhos do curso de História) que compro a imprensa do dia 25 de Abril, com especial sublinhado nos aniversários quinquenais e decenais. Desde os anos 90, em especial de 1994, que passei a gravar a generalidade dos debates televisivos sobre o tema.

Para além do interesse histórico, são o material para um estudo que ainda não consegui ter condições para fazer sobre a construção da memória do que se passou em 1974. Não é um estudo sobre o que se passou, mas sobre o que foram dizendo aqueles que foram chamados a recriar a memória colectiva para consumo de massas.

Como sou teimoso, devo acabar por fazer a coisa, nem que seja com duas bengalas e uma lupa para ver as letras.

Este ano, não passarei de uma análise superficial sobre os jornais do dia, sendo que até agora só comprei o Sol, que de tão discreto parece assinalar a data por necessária formalidade. Se bem que boa parte dos actuais accionistas só o sejam graças a uma independência nascida de Abril.

Entretanto, fui ouvindo as reportagens da TSF, os debates televisivos e há bocado a reportagem da TVI… poucas coisas novas e muito do costume: auto-legitimações.