Terça-feira, 22 de Abril, 2014


David Byrne e Morcheeba, Dance on Vaseline

Era a edição relativa aos 40 anos da Educação pós-25 de Abril.

É interessante como em 5 anos o tom das intervenções dos telespectadores mudou radicalmente. Houve tempos em que eu quase pedia uma armadura para me defender das acusações de todos os lados sobre os professores. Desta vez, tudo muito mais compreensivo.

Quanto ao meu ar aparentemente mais sisudo deve-se em boa parte ao facto que já estava a antecipar o trabalho intenso do 3º período.

Quanto ao resto, em segmentos de poucos minutos, sem levar cassete para descarregar, é o melhor que consigo fazer. Apesar de ser das vezes em que fui mais mainstream, ainda levei com uns mails de protesto a dizer que mais valia eu ficar calado.

Temos pena… 🙂

Notas emocionais a uma facada de Maria Filomena Mónica

A propósito de A Sala de Aula

ACostaProcurando olhar as coisas como foram, sem hiperbolizações adjectivantes.

Ou seja, procura ser um livro de História e não de política a posteriori.

Este texto de Henrique Monteiro é verdadeiramente anedótico. Para ele o que interessa são os ordenados nonminais e não o que as pessoas recebem efectivamente.

Ou seja, no limite, se uma pessoa mantiver um ordenado nominal de 2000 euros mas receber apenas 1200 devido a impostos e cortes, perdeu menos salário do que alguém que recebe 2000, mas viu o valor nominal descer de 2200 para 2190.

Sofismas de quem se acha probo e acima de qualquer suspeita de delírio.

Decreto-Lei n.º 60/2014. D.R. n.º 78, Série I de 2014-04-22, do Ministério da Educação e Ciência

Estabelece um regime excecional para a seleção e o recrutamento do pessoal docente dos estabelecimentos públicos da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário na dependência do Ministério da Educação e Ciência.

Dá sempre imenso jeito à agenda para além da troika do Governo e a articulismos e bloguismos de liberais cristãos-novos. É uma espécie de estudo em regime de outsourcing com custo incorporado nos 78 mim milhões de euros: FMIAbr14.

Nacos interessantes para desenvolvimento após as europeias.

FMIAbr14(…)

FMIAbr14b

25 de Abril, 40 anos depois…

2. A Guerra Colonial e a Descolonização

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A guerra colonial poderia, com mais tempo, ser ganha militarmente?

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Nenhuma guerra com as características da que foi travada nas colónias africanas de Portugal foi alguma vez ganha, mesmo por países europeus com muito mais recursos militares, demográficos e económicos, como foi o caso da França, Espanha, Bélgica ou Reino Unido. Todos estes países acabaram por negociar e conceder a independência às colónias africanas que ainda detinham nas décadas de 50 e 60 do século passado.

No caso português, o que as forças armadas poderiam fazer, e fizeram-no, foi aguentar militarmente a situação de forma a ganhar tempo e margem de manobra para o governo encontrar uma solução política. Algo que o Estado Novo se recusou obstinadamente a fazer, respondendo à cada vez mais grave situação militar nas colónias à maneira das campanhas de pacificação dos finais do século XIX. Assim sendo, o que é espantoso não é a perda do império africano em 1974-75, é o facto de Portugal ter conseguido conservá-lo durante tanto tempo.

Das três colónias portuguesas, a Guiné era claramente, em 1974, um caso perdido. A utilização de mísseis terra-ar por parte do PAIGC retirou aos Portugueses a supremacia aérea e forçou a retirada das forças portuguesas de uma vasta parte do território que já não conseguiam controlar. A independência guineense tinha sido unilateralmente declarada no ano anterior, de imediato reconhecida por mais de 80 países.

Em Moçambique, a desmoralização das tropas portuguesas perante o fracasso das principais operações militares com que se procurou conter a Frelimo e cortar as linhas de apoio de países vizinhos, bem como o crescente à-vontade com que os guerrilheiros se movimentavam pelo território, atacando alvos militares e civis, tornavam a derrota militar inevitável num futuro próximo.

Onde, do ponto de vista estritamente militar, Portugal se encontrava numa posição mais sólida era no vasto território angolano. Paradoxalmente, o facto de existirem não um, mas três movimentos independentistas, favorecia as posições portuguesas, pois os três exércitos de libertação, além de lutarem contra os portugueses, também combatiam entre si. Mas mesmo aqui a conquista da independência, tendo em conta os interesses geoestratégicos em jogo e o envolvimento das grandes potências no apoio aos diferentes movimentos independentistas, era apenas uma questão de tempo.

Uma “descolonização exemplar” teria sido possível?

Talvez, se tivesse sido feita muito mais cedo, antes de os movimentos independentistas nas colónias terem sido empurrados para a luta armada pela absoluta intransigência do governo português em estabelecer qualquer tipo de diálogo ou negociação.

Nos anos 50 e 60 seria possível negociar uma autonomização progressiva dos territórios até à completa independência, com salvaguarda dos interesses dos colonos e dos investimentos portugueses e a participação progressiva das elites africanas na gestão política e administrativa dos territórios.

Seria a oportunidade histórica para comprovar as teses sobre o carácter intrinsecamente diferente do colonialismo português, da portugalidade multirracial que eventualmente se preservaria mesmo após o fim do domínio político directo sobre as “províncias ultramarinas”. Mas seria também pedir de mais, convenhamos, a uma ditadura retrógrada e conservadora e a um ditador que, nunca tendo visto mundo, era incapaz de perceber as voltas que esse mesmo mundo deu depois da II Guerra Mundial.

Em 1974, depois de uma guerra colonial em três frentes que levava mais de uma década, a única legitimidade que os movimentos de libertação reconhecem é a das posições conquistadas à custa de incontáveis mortos e feridos e imenso sofrimento humano. E as tropas portuguesas no terreno mais não pretendem do que regressar rapidamente à metrópole, onde as condições políticas também não permitiam o envio de novos contingentes para as colónias em substituição dos que voltavam.

Em 1974/75 fez-se a descolonização possível, em circunstâncias extremamente adversas. Em boa verdade, não há descolonizações exemplares, desde logo porque as colonizações também nunca o foram…

FMI quer mais reformas, consenso e salários mais baixos

Isto da parte de quem repetidamente falha cálculos e previsões, que lamentou os efeitos inesperados da austeridade e que era necessário uma nova fase nas políticas de reajustamento?

O “sistema” está entrópico. Aceleradamente entrópico.

Já é um feito evitar as colisões frontais e os despistes aparatosos nas mais ligeiras curvas.

 

Está tudo na mesma. Ou pior. E ainda não cheguei à sala de aula.

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