Entre nós o debate de ideias é uma coisa predominantemente endogâmica e quase tribal, com a pessoalização dos ataques a substituir um confronto mais transparente de ideias e argumentos.

As coisas azedam com facilidade e tornam-se acrimónias que provocam alinhamentos de cliques académicas e/ou políticas. Por vezes, justifica-se que se apontem as incongruências entre boas teorias e más práticas pessoais. Em outros casos, nem por isso.

Eu sou um elemento estranho a esses debates em forma de tertúlia aconchegada ou a esses confrontos entre trincheiras contrárias. Ando pela terra de ninguém. E só comecei a passear por lá quando houve possibilidade de me expressar sem filtros alheios, ou seja, quando o mundo dos blogues se abriu e amadureceu. Antes disso, aguentei com uma paciência que me é pouco reconhecida, vetos e anátemas diversos, fruto de vértebras pouco flexíveis.

Vem isto a propósito do facto de admitir, sem problemas, que não gosto de virar a outra face a qualquer bofetada e que gosto de ripostar, fazendo-o quase sempre num registo apropriado ao tom usado pelo “outro lado”. A escolha das armas do confronto, a truculência ou a civilidade da coisa, deixo-a aos outros.

Dito isto… sei até que ponto quem anda pela terra de ninguém, sem fidelidades tribais, disparando para aqui e ali é vulnerável a fuzilarias diversas. É algo adquirido de que não me queixo e que até aprecio, para não enferrujar o mau feitio.

E sei até que ponto, o tempo e a amplitude da antena que é concedida a “mestiços” depende muito do ponto até ao qual eles não excedem um nível aceitável de incómodo para quem apenas os tolera em nome de um pluralismo que se encena.

Já várias vezes me anteciparam o fim do tempo de antena e eu mesmo me senti tentado pelo vanishing act sem explicações profundas.

Mas há sempre algo que a dado ponto – é pretexto, eu sei – me impede de agarrar nos livros e só ler.

piu-piu