Segunda-feira, 7 de Abril, 2014


 

o que leva um ministério implodido  a ser levado por um que tão levado é.

 

José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto, Mudam-se os tempos, Mudam-se as Vontades

… parece que vai ser feita à força.

Federações sindicais frisam que professores podem recusar corrigir testes de inglês

Na semana passada, o Ministério da Educação e Ciência indicou aos directores escolares que deviam inscrever docentes na formação exigida por Cambridge aos correctores do teste de diagnóstico, apesar de a legislação determinar que a actividade é para voluntários.

Andam a ser nomeados voluntários, por vezes de forma mais do que duvidosa, mas nada como esperar para que se saiba tudo aquilo que o MEC é capaz de fazer quando se ensarilha nos seus próprios passos.

Divulgada, com gosto, a pedido do autor, pois quando se quer polémica e debate, nada como debater e polemizar.

Carta à Sra Professora Maria Filomena Mónica - 29.Mar.2014 (1)Carta à Sra Professora Maria Filomena Mónica - 29.Mar.2014 (2)Carta à Sra Professora Maria Filomena Mónica - 29.Mar.2014 (3)

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seguritatis

Portugal está a perder empresas de elevado crescimento há quatro anos consecutivos

 

Duas runiões para cinco disciplinas e já está!

 

in·jú·ri·a

(latim injuria, -ae, injustiça, prejuízo, dano, insulto)
substantivo feminino

1. Acto ou expressão altamente ofensiva. = INSULTO

2. Violação do direito de outrem.

3. Estrago, detrimento.

“injúria”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/inj%C3%BAria [consultado em 07-04-2014].

Há quem a confunda com “opinião não elogiosa”.

Um debate intelectual exige ideias, argumentos e não que alguém se ache acima da crítica e que, por eventual falta de perspectiva, não perceba todas as implicações dos seus actos ou escritos.

Faz-se “debate intelectual” quando alguém que não partilha ideias com outrem, não se nega a debatê-las.

Há muita gente que me critica porque insisto em debater a “liberdade de escolha”, que não considero ser a melhor opção, neste momento, para a Educação em Portugal.

Mas não me nego a debater o conceito e a sua prática.

O mesmo com quem discorda da avaliação ou quem concorda com esta ADD.

A negação do “debate intelectual” acontece quando se pretende impor uma opinião única, baseada numa mistura de preconceitos com olhares parcelares sobre um fenómeno, não abrindo espaço para o contraditório, que se considera “injurioso”.

Não é uma questão de currículo.

É toda uma outra coisa.

 

As crianças que ficam para trás

Deixar o território nacional é tão vulgar que o mundo académico mal se debruça sobre os efeitos nas crianças que ficam para trás. Mas eles notam-se em escolas como a EB 2/3 de Cinfães.

Falo de Maria Filomena Mónica que demorou muito pouco tempo a desancar-me por ter ousado considerar que o seu mais recente livro não é o nec plus ultra da investigação sobre o quotidiano escolar em Portugal.

Diz MFM que em Portugal não há condições para um debate intelectual.

Não sei porquê.

Um debate intelectual só tem condições quando louvaminhamos alguém? Quando não lhe prestamos vassalagem? Eu bem sei como as coisas são… eu bem sei o que se esperaria que eu fizesse, em nome das aparências e conveniências. Que elogiasse ou me calasse.

Mas estaria a ir contra aquilo em que acredito e isso é que aquele livro é um bom livro, mas que de pouco adianta em relação a outro que cita, de Bárbara Wong, sobre a sala de aula e que, sem pretensões academistas, é bem mais plural nos olhares que transmite.

No artigo que foi publicado ontem critiquei a formulação e as ideias expressas por MFM num livro com uma sustentação empírica fraca e uma evidente tentação sensacionalista. Não questionei a pessoa ou investigadora, mas um produto do seu trabalho. Que é um bom livro na base do impressionismo de um certo estrato de professoras de escolas secundárias da Grande Lisboa mais de umas alunas que estavam a escrever diários na sala de aula em vez de estarem a fazer o seu trabalho.

MFM fez um livro olhando a sala de aula com um funil. Está no seu direito. Não me irritou que muita gente se sentisse bem com aquele retrato. Pelo contrário, eu sei que muita gente está assim. Mas não estamos todos assim. Ainda, pelo menos.

Indo à metáfora do médico, a mim não adianta ter um diagnóstico hiperbolizado, que me pode paralisar de tão negativo e deixar sem esperança. Porque naquele livro não existe esperança, só retratos desesperados. Não há uma referência equilibrada ao que se conseguiu, apenas ao que funciona mal.

Está no seu direito não gostar de ser criticada e considerar que o país sociológico é a sua coutada pessoal. Que eu não estou ao seu nível de argumentação e que deve ir buscar o sacramental Eça em sua defesa. Eu preferiria Bordallo. Menos cosmopolita, mais genuíno.

Mas o meu texto ia muito além de MFM e a ela refiro-me apenas uma vez. Já MFM constrói o seu texto apenas para tentar atingir uma pessoa, o que faz com moderada habilidade e imensa falta de pontaria, apesar de eu ser um alvo fácil de acertar.

Foi com tanta sede ao pote que se queixa de coisas que não escrevi. Disparou em piloto automático porque alguém em Portugal – que coisa, que coisa! – ousou não se lançar de rojo perante o que escreveu.

Essa atitude é que inviabiliza qualquer debate sério de qualquer assunto. Ou então faz um debate em circuito fechado, com aqueles que ou nunca lá puseram os pés nos últimos anos ou de lá tiraram os pés logo que puderam.

Mas ainda bem que se irritou, cara MFM.

Divertiu-me.

Já é alguma coisa nos dias que correm.

Justiça- o trajo e uma toga

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