Entre algumas coisas que foram ditas ontem na conversa toda depois das 17 horas, houve uma ou outra que se mostraram – no desânimo do desespero actual – especialmente carentes de perspectiva em relação à evolução da situação dos professores na última década.

Se valter hugo mãe teve o cuidado de sublinhar que a erosão da situação do professorado tem vindo a ser um processo continuado, houve quem, da audiência (não retive o nome, apenas que era um colega mais ou menos da minha idade), em termos mais inflamados, quase ensaiasse uma recuperação de Maria de Lurdes Rodrigues por comparação com Nuno Crato.

Eu percebo a reacção de quem, doendo-lhe fortemente um dente, culpa a dor e quer remédio rápido que a anule, perdendo a perspectiva da origem da dor.

É uma reacção natural, mas fica pela resolução do imediato, não resolve a doença e abdica de determinar a sua origem. É um erro. Grave.

A origem do mal está – para não ir mais longe – em 2005 e num estudo encomendado por Maria de Lurdes Rodrigues a João Freire, seu mentor político e académico, e que lhe foi entregue em Dezembro de 2005 (é essa a data do documento) e que teve uma circulação muito restrita, até eu o ter recebido através de uma fonte ligada ao movimento sindical e ter feito neste blogue sete posts (A Arqueologia do Estatuto da Carreira Docente 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7) a propósito desse guião destinado a domesticar a classe docente, estrangular a sua progressão na carreira e aplainar a sua remuneração.

Que parece ser bom recuperar.

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Parece que muita gente não leu ou já se esqueceu dessas mais de 100 páginas em que João Freire faz um desenho técnico-político da melhor forma de quebrar a força de uma classe profissional, através de uma negociação hábil destinada a criar quotas de progressão, categorias diferenciadas entre professores e tudo o mais que em seguida se viu.

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Até mesmo uma plafonamento da progressão salarial lá está, aquela que agora se está a tentar impor como definitiva, depois de apresentada como provisória.

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Ao colega muito inflamado que falou, respondi que não sei bem se a culpa maior pelos males que nos entrem pela porta é de quem a escancarou se de quem a abriu em primeiro lugar.

No meu caso, não ilibo ninguém, não tenho falta de memória e não estou disponível para recuperar algozes do passado, só porque agora há novos.

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Se for necessário, eu ainda me recordo de quem esteve na Almedina do Saldanha, no lançamento do livro de MLR, a prestar-lhe vassalagem.

Alguns, por não gostarem de Passos Coelho e Crato até agora dizerem umas coisas assim vagas a favor dos professores, até podem enganar os mais incautos. Mesmo na área do PSD já então ela muito admirada, pelos que estão e pelos que gostariam de estar.

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