Partindo desta análise concelhia, a equipa do Cesnova preconiza é que a aposta na prevenção do abandono e insucesso escolar deve assentar num princípio de descentralização e de mobilização das escolas e das comunidades locais. De resto, os investigadores concluem que o sistema de ensino português apresenta “características muito marcantes de gestão centralizada”, o que poderá explicar “o insucesso dos grandes planos de reforma”.

Eu sei que é tentadora a explicação sistémica para explicar o “insucesso” das reformas educativas.

O nosso sistema educativo é maneirinho… não é nada descomunal. Que fala em centralismo estalinista é, quase sempre, ou idiota ou desonesto do ponto de vista intelectual.

Mas se é centralizado, como se explica que acabassem com os CAE e as DRE, que eram estruturas regionais e locais? Ou com as equipas de apoio à escola?

Não eram elos de ligação aos contextos locais?

Funcionavam mal? Em parte ou no todo?

Querem que explique porquê?

Porque eram, em grande parte, estruturas que seguiam uma lógica de matriz clientelar feudal, prateleiras para clientelas partidárias e muitos incapazes de dar aulas e que assim iam descansar (o que por vezes era uma benção para as escolas se depois não aparecessem a dizer que sabiam como se deviam fazer o que não faziam).

Mas se funcionavam mal era simples… corrigiam-se os procedimentos, não se matava a criatura em nome da “racionalização” ou da “implosão”.

Uma administração educativa descentralizada ou desconcentrada não é aquela que tem o MEC no topo e os directores a mandar, de forma autocrática, em cada escola/agrupamento.

É toda uma outra coisa.

E é algo que exige responsabilização, definição de metas e meios adequados para os atingir. Sem caciquismos. Mas acabar com a “cultura do caciquismo” é algo que desgosta a qualquer aparelho partidário.