Talvez não tivesse aquele estilo mais apurado de Duby, mas Le Goff foi o grande inspirador de muita gente enamorada pelo imaginário medieval. Acabei a frequentar o mestrado de Descobrimentos e a completar o de História Contemporânea, mas o gosto pela História das Mentalidades foi modelado pelo que escreveu, tanto no plano da teorização como da investigação concreta, escrita sempre numa linguagem capaz de atrair qualquer um.
Duvido que alguém que tenha feito o curso de História a partir dos anos 80 lhe tenha escapado, no bom sentido. Se escapou, é pena, porque perdeu muito. Ou então, fez a coisa mal feitinha.
Falta por aqui o Le Naissance du Purgatoire, na edição da Gallimard, comprado já bastante depois de acabar o curso, quando houve dinheiro para esse prazer.

Abril 1, 2014 at 5:28 pm
Nem mesmo nós os de Línguas e Literaturas Modernas lhe escapamos e ainda bem!
Abril 1, 2014 at 5:44 pm
Abril 1, 2014 at 7:58 pm
Abril 1, 2014 at 8:17 pm
#0
Eu foi um de química analítica, já deve ter andado por aqui.
Abril 1, 2014 at 8:25 pm
Creio que ” A Civilização do Ocidente Medieval” foi das leituras que mais prazer me deu… Mais um Mestre que se vai… Por cada pedaço de História que morre, outro nasce… RIP Le Goff…
Abril 1, 2014 at 9:43 pm
Não só os dos cursos de História. E o primeiro contacto foi ainda no 12º ano.
Abril 1, 2014 at 10:13 pm
Duvido que nos tempos que correm se formem historiadores e se escrevam obras com o interesse, a originalidade e a profundidade que possam ombrear com estes livros, hoje clássicos, dos anos 60, 70 e 80.
A superficialidade das modas e do consumo imediato, a pressão da produtividade e dos muitos “papers”, a omnipresença de romances e livros de divulgação histórica escritos por especialistas, não em história, mas em literatura “light”, tudo isso tende, a meu ver, a afastar leitores da História.
E volta-se com demasiada facilidade a endeusar a acção individual de uns quantos predestinados, a história dos acontecimentos, a história-narrativa, a pequena-história, tudo aquilo, afinal, que Braudel, Le Goff, Duby e tantos outros fundamentadamente criticaram e conseguiram superar.