Segunda-feira, 24 de Março, 2014


Chegou-me por mail… ainda não confirmei…

Agora há novas restrições nacionais no acesso internet das escolas. Durante a manhã são interditos os endereços mais populares, do Facebook ao tumblr e atualizações de software. Diz a PT que é para otimizar a largura de banda e que segue instruções da direção geral. Poderemos supor que estas restrições de utilização originam poupanças ao ministério? Ou as restrições no serviço prestado são apenas em benefício da PT, que continua a receber a mesma renda por menos produto? Esta PPP também foi renegociada e não sabíamos de nada?

(…)
Bloqueia o Facebook, mas não o Google Plus; bloqueia o Instagram e o Tumblr, mas não o Flickr; condiciona o Youtube, mas não o Vimeo. Atualiza MacOS e Linux, mas não atualiza Windows, Android e iOs… Critérios altamente democráticos escrutináveis! Percebe-se perfeitamente a lógica!!!

Recordemos… o ex-PM José Sócrates foi convidado para animar um espaço de opinião na RTP.

Antes disso, foi-lhe feita uma entrevista que só abordou de modo muito ligeiro o seu passado de mais de seis anos como PM.

Agora, num espaço que é de opinião e em que José Sócrates, como muitos outros, diz o que entende, sobre o que entende, esquecendo-se do seu passado, decidiram confrontá-lo com esse passado.

É tarde. Ou um bocado desajustado, visto que a mais ninguém é feito contraditório quando despejam as suas opiniões sábias, seja Nuno Morais Sarmento na RTP, Marques Mendes na SIC ou Marcelo Rebelo de Sousa na TVI. Todos eles têm um passado, um presente e mesmo ambições para o futuro com que raramente são confrontados 8excepção às perguntas recorrentes a Marcelo sobre a sua intenção de se candidatar a PR).

O mesmo se passa com muitos opinadores dos canais noticiosos, desde os que falam a solo aos que aparecem em painéis, despejando uma dose brutal de amnésia para cima de nós.

Agora, a RTP decidiu entrevistar Sócrates no seu espaço de opinião, talvez apostando em que ele se irrite e bata com a porta.

Para quando algo parecido – embora numa escala diferente, é certo – com Nuno Morais Sarmento e a sua ligação a um PM que se pôs a andar do país mal lhe cheirou a tacho europeu?

Para quando um espaço de opinião plural, com convidados para além do Centrão, na televisão pública?

Se quem manda na RTP está embaraçado com a presença de Sócrates – e deveria estar, mas não só agora – que o assuma sem pruridos e truques.

Até porque já se viu que em termos de audiência, a coisa não compensa.

Sugestões da A. C.

Concerns about Use of Standardized Tests a Constant over the Years

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California Groups Urge Schools to Spend on Student Support Staff, Not Police

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Like a Wood Duck: Finding Peace in the Classroom

… nas escolas públicas mas, em contrapartida, também sou capaz de encher quase outras tantas com aquilo que é feito, de positivo, para os resolver.

Todos os anos há um pouco de tudo.

A escola é uma espécie de “grande superfície” em termos sociais e humanos. Há muita publicidade enganosa, muita coisa que só serve para encher prateleiras, mas também há coisas e serviços muito bons. Ou que tentam sê-lo.

Há uns 15 anos – para não dar exemplos de maior proximidade – tive uma aluna que foi mãe aos 13 anos e que precisava sair das aulas para dar de mamar à sua bebé. No 6º ano. A gravidez tinha pouco de clandestina, apenas resultando da estupidez familiar que, depois do problema criado, nem queria saber do pai da criança (18 anos) que não pretendia fugir às responsabilidades e tentava ir esperar a aluna A ao portão da escola, dando origem a conflitos, ofensas e altercações quando os avós da criança estavam por perto. Isto dá uma má imagem das escolas públicas? Talvez, embora não seja sua a responsabilidade, antes pelo contrário, pois na escola tudo se fez para facilitar a vida à jovem mãe, ela própria uma criança que tratava a filha quase como um brinquedo.

No mesmo ano tinha o aluno I., com 15 anos, incapaz de escrever o nome sem ser na forma de desenho, com uma capacidade menmónica reduzidíssima, ao ponto de só saber ir dar à escola porque o caminho era em linha recta e de não conseguir fixar o alfabeto, embora andasse na escola há 9 anos. Estava então no 5º ano e passava por estar “incluído”, porque assim era determinado superiormente. Não sei se a sua presença incomodaria algumas pessoas e se seria uma prova da inutilidade da escola pública para resolver os seus problemas. Que ninguém diagnosticava correctamente, por falta de meios humanos verdadeiramente especializados na escola e incapacidade financeira da família para o encaminhar para quem pudesse fazer um diagnóstico a sério e delinear uma qualquer estratégia para lidar com as suas incapacidades.

Em outros anos, tive casos – tanto! – de pequena (ou já média) marginalidade nas escolas onde passei, nas turmas a que leccionei. Situações que desaguavam nas salas de aula, porque a escolaridade é obrigatória, porque por vezes eles não faltam de forma sistemática como há quem assim deseje, porque há quem ainda os tente manter nas aulas a tentar aprender algo . Enfrentando comportamentos nem sempre os mais adequados. Ouvindo e aturando o que não desejaria. Que devem ser denunciados, assim como a dificuldade em lidar com eles por motivos burocráticos e ideológicos (sejam os de matriz desculpabilizadora, seja os de matriz repressiva). Para os quais devem existir soluções não facilitistas. Porque o facilistismo do sucesso à força não se combate com outros facilitismos, os da desistência.

Mas de quem é a responsabilidade disto? Quais as alternativas? Era disso que eu gostava de ouvir falar sem ser apenas na base do “ele precisa é de um ofício, que isto não lhe interessa nada”.

O que eu gostava é que às lamúrias sucedesse algo mais.

Sem ser apenas atirar com os problemas para debaixo do tapete ou ignorar que eles vêm de fora para dentro dos portões da escola e que o colapso não é das escolas públicas mas sim de grande parte da sociedade, que a generalidade dos governantes actuais considera não ser para remediar, enquanto outros de um passado mais ou menos recente achavam que se poderia mascarar com políticas “de sucesso” obrigatório.

Adoro diagnósticos. Em especial os óbvios.

Sabem o que adoro mais?

Tratamentos eficazes.

…e realmente MFMónica parece ter percebido nesta entrevista que o ataque a matar, assim a atirar às canelas sem piedade e muita adjectivação, alinhando pelo sensacionalismo que dá muito nas vistas, pode ter efeitos muito, muito negativos para o que se diz querer defender.

A denúncia do que está errado não se pode fazer de forma a obliterar tudo o que até vai estando bem.

Eu sei que há quem tenda a aderir de forma muito visceral à visão dantesca das escolas públicas mas, penso eu de que…, faria bem melhor em combater por todos os meios disponíveis aquilo que considera estar mal. A emoção é essencial até ao ponto em que não apaga por completo uma visão racional das coisas.

As forças vão faltando, eu sei, mas é um investimento…

Os exemplos das piscinas e dos sapatos de marca… pois… enfim… não melhoram muito as coisas…

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