Recordemos… o ex-PM José Sócrates foi convidado para animar um espaço de opinião na RTP.
Antes disso, foi-lhe feita uma entrevista que só abordou de modo muito ligeiro o seu passado de mais de seis anos como PM.
Agora, num espaço que é de opinião e em que José Sócrates, como muitos outros, diz o que entende, sobre o que entende, esquecendo-se do seu passado, decidiram confrontá-lo com esse passado.
É tarde. Ou um bocado desajustado, visto que a mais ninguém é feito contraditório quando despejam as suas opiniões sábias, seja Nuno Morais Sarmento na RTP, Marques Mendes na SIC ou Marcelo Rebelo de Sousa na TVI. Todos eles têm um passado, um presente e mesmo ambições para o futuro com que raramente são confrontados 8excepção às perguntas recorrentes a Marcelo sobre a sua intenção de se candidatar a PR).
O mesmo se passa com muitos opinadores dos canais noticiosos, desde os que falam a solo aos que aparecem em painéis, despejando uma dose brutal de amnésia para cima de nós.
Agora, a RTP decidiu entrevistar Sócrates no seu espaço de opinião, talvez apostando em que ele se irrite e bata com a porta.
Para quando algo parecido – embora numa escala diferente, é certo – com Nuno Morais Sarmento e a sua ligação a um PM que se pôs a andar do país mal lhe cheirou a tacho europeu?
Para quando um espaço de opinião plural, com convidados para além do Centrão, na televisão pública?
Se quem manda na RTP está embaraçado com a presença de Sócrates – e deveria estar, mas não só agora – que o assuma sem pruridos e truques.
Até porque já se viu que em termos de audiência, a coisa não compensa.
Março 24, 2014 at 5:13 pm
Esta “entrevista” acaba por denunciar a má-fé que, afinal, se ocultava na cedência, por parte da RTP (e da sua tutela do governo) de espaço de antena a Sócas. Quem manda na RTP não estava tanto interessada em franquear uma oportunidade e um espaço de pluralismo, mas mais em manter Sócas debaixo dos focos da opinião pública para manter Seguro sob pressão e o PS refém do passado socretino, já que este poderia ser brandido a cada semana.
Embora Sócas mereça ser devidamente confrontado com o seu passado no poder, o modo e o tempo como isso foi feito (e parece que é para continuar) evidenciam uma orientação tendenciosa, visando envolver e atrapalhar o PS com esse período de governação – enquanto os “comentadores” do PSD saem favorecidos por podem continuar a debitar livre e impunemente as suas opiniões.
À medida que se aproximam as eleições, estas manobras infelizmente não surpreendem e tornar-se-ão mais comuns.
Março 24, 2014 at 10:46 pm
Quem semeia rtp’s – colhe rtp’s.