Sem vos tomar muito tempo, apenas algumas notas não sistemáticas ou completas.

É verdade que há factores recentes que aumentaram – e não foi pouco – as condições favoráveis ao acréscimo das ocorrências disciplinares nas escolas e salas de aula. Desde logo, o aumento de alunos por turma. E, mesmo se existe quem diga o contrário, o aumento da distância entre o centro de decisão (direcção) e as bases (salas de aula) com os mega-agrupamentos, em especial os que colocam a sede lá longe, longe, das escolazecas.

Mas há coisas que podem ser feitas a partir cá de baixo da pirâmide, a partir de cada um de nós, se possível em grupo disciplinar e a partir daí pressionando os coordenadores de departamento que vão a pedagógico para estes, por sua vez e caso não sejam dos que ocultam informação, pressionarem as direcções e não se ficar tudo pela criação de gabinetes de apoio ao aluno ou de gestão de conflitos.

E há algo muito importante… que é perder o embaraço ou vergonha de partilhar aberta e oficialmente os problemas, não ficando tudo apenas por conversas de corredor e lamúrias fora dos portões das escolas. E há que não ter medo de enfrentar os poderes instituídos, quando são daqueles que deslocam sempre a culpa para os professores e procuram inibir as denúncias. E perder o receio de agir de forma colectiva e partilhada nos conselhos de turma, mesmo que exista sempre por lá aqueles arrasta-pés do costume que tudo querem entravar com conversa mole e fofinha.

Claro que há vezes em que as culpas não estão apenas do lado de lá da sala de aula ou fora dela, na escassa educação dada em casa sobre a forma de se estar em sociedade e respeitar o próximo. Há alun@s que até são muito bons, atendendo aos modelos de proximidade que têm ao dispor. E não falo apenas dos pobrezinhos, a que muita gente gosta de associar a indisciplina, quando há muito jovem fidalgo que não tem qualquer pingo de civilidade nas veias.

Claro que há direcções e respectivas emanações intermédias que são do mais insuportável e acintoso para com muit@s colegas que apresentam dificuldades em gerir as suas aulas. Por vezes, até podem ter razão, mas não é desapoiando quem precisa que se resolve alguma coisa.

Claro que não há equipas, devidamente preparadas para além da boa vontade ou jeito (e nos piores casos, da mera pretensão), para enquadrar e acompanhar desde cedo, num regime de tutorias a sério e não a uma hora por semana, alun@s em que os sinais de problemas são evidentes desde os primeiros dias de aulas.

Mas é importante que as pessoas, mesmo quando as relações pessoais não são as melhores, compreendam que as coisas se resolvem melhor quando todos, ou a larga maioria, age em conformidade com os interesses comuns, a começar pelos dos próprios alunos. E há que evitar a preguiça em preencher o raio do papelinho – seja ele qual for – a relatar o que se passou. E insistir em saber qual foi o encaminhamento dado.

Só assim, agindo, dando o exemplo, se pode ter moralidade para nos queixarmos.

E ignoremos, sempre que possível, a conversa normativa do ministério sobre a necessidade premente de sucesso. E ignoremos, ainda de forma mais firme, a conversa fiada dos bem-intencionados, aqueles que deviam ir encher bem depressa o inferno que, por cá, gostam de ver os outros passar.

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Adenda: o que escrevo, faço-o também como encarregado de educação, a quem aflige muita coisa que aqui opto não (d)escrever. à minha petiza apenas peço que respeito o próximo, professor, colega, funcionário, seja quem for. Apenas com um limite: o da evidente injustiça e desrespeito pelos seus próprios direitos, seja a aprender, seja a fazê-lo sem ter de aturar a imbecilidade alheia.