Domingo, 23 de Março, 2014


Black Lips, Justice After All

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Seria interessante ter disponíveis as estatísticas dos alunos apoiados pela Acção Social Escolar não apenas no ensino público ou mesmo no ensino privado dependente do Estado mas também no ensino privado do topo dos rankings.

Só para conhecermos.

Porque há quem tenha exigido que o MEC facultasse – e bem – o máximo de informação às famílias mas… depois… não corresponda da mesma forma.

Parece que a transparência só é boa para os outros.

Ano lectivo de 1977-78, 7º ano unificado, História.

Lição nº 1 quase em meados de Novembro…

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Ainda estou para perceber como acabei em História, não apenas porque a minha rica professora do 7º ao 9º ano me passou a detestar (malfadado caso único de continuidade pedagógica), ali pelo 8º ano por causa do futebol nos intervalos, mas também porque mais um bocadinho e na Pré-História já havia omoletes. Fiquei-me pelos croneletes.

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Eis os dados mais recentes disponíveis na DGEEC para os alunos nos ensinos público e privado (2011/12):

Alunos Regular

No ensino básico há 13,6% de alunos regulares no ensino privado, valor que sobe para os 22,3% no ensino secundário.

Agora vejamos a distribuição dos alunos com NEE no ano lectivo de 2012/13, a partir de dados com a mesma origem.

AlunosNEE

Pois… no ensino básico apenas 4,6% dos alunos com NEE estão em escolas privadas e no ensino secundário apenas 5,2%.

Excluindo os alunos que levantam maiores problemas de insucesso e implicam maiores encargos é mais fácil “gerir”, subir nos rankings, apresentar custos médios mais baixos.

Mas este tipo de comparações escapa muitas vezes à agenda comunicacional. Alguém me indica o último artigo de fundo sobre este assunto?

… mesmo se as projecções assumem que a tendência demográfica regressiva não será contrariada, em especial ao nível dos fluxos migratórios.

É verdade que o 1º ciclo corre o risco de perdas na ordem dos 10%, mas esta redução poderia permitir melhorar as condições de aprendizagem de muitas crianças, mas já sabemos que estas projecções – úteis – se destinam principalmente a justificar cortes ou mecanismos de “mobilidade”. Ou seja, esta redução nunca deveria estar associada a um aumento do número de alunos por turma, o que é um absoluto contra-senso.

Por fim, estes números já são conhecidos há mais de um mês.

Primeiro ciclo perde 40 mil estudantes em sete anos

Em termos regionais, o Alentejo é a região mais afectada. Até 2018, deve perder 15% da população estudantil inscrita no ano lectivo 2011/2012.

Claro que, se a lógica é a de continuar a fechar serviços públicos, dificilmente se inverterá um processo de perda mais grave no interior do país.

E, claro, penso que seria quase desnecessário sublinhar que a redução do número de docentes nos últimos anos foi, em termos relativos, superior. Só entre 2007-08 e 2011-12 a redução do número de professores do 1º ensino público foi de 32.105 para 27.264 e desde essa altura não parou…

Não venham, portanto, com as conversas do costume.

Marques Mendes fala em cortes de até 1700 milhões em 2015

O número é atirado de forma oficiosa usando quem não se importa de cumprir a missão. Fica-se à espera das reacções. Acerta-se ou não a estratégia, conforme essas reacções.

Isto é tão básico, tão previsível que se mantém a dúvida: são eles que são assim tão básicos e estúpidos ou apenas pensam que nós é que somos?

Pedi a um grupo de amig@s alguns dados sobre os orçamentos das respectivas escolas/agrupamentos, para fazer um cálculo – mesmo na base, com as verbas efectivamente gastas pelas escolas – do custo médio por aluno em diversos contextos.

Se alguém tiver disponíveis esses dados e mos quiser enviar por mail, agradeço. Ou se quiser deixar aqui esses cálculos. Melhor ainda se os tiverem para diversos anos.

Até agora, para agrupamentos de dimensão semelhante na zona da DRELVT, os valores andam muito próximos em termos de encargos com o pessoal e despesas adicionais. Depois variam é as verbas para os apoios económicos, conforme o perfil socio-económico das famílias.

Isto não se destina a qualquer estudo “científico” mas tão só para perceber as variações, as disparidades eventualmente existentes e perceber até que ponto é possível conhecer uma realidade sem ser a partir de cálculos macro ou tipo-FMI que muitas vezes misturam demasiadas coisas.

Logo que ache que há elementos vagamente relevantes, eu divulgo-os por aqui.

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