Quinta-feira, 20 de Março, 2014


Americam Authors, Best Day of my Life

Overstatement.

… numa escola privada…

Futuro do território educativo Montijo e Alcochete em debate

No próximo sábado, dia 22 de Março, terá lugar o Seminário “Que futuro para o território educativo dos concelhos de Montijo e Alcochete”, entre as 9h30 e as 17h30, na Escola Profissional do Montijo. Uma organização do Conselho Municipal de Educação do Montijo, da União de Associação de Pais e Encarregados de Educação do concelho do Montijo e da Federação Regional Setúbal Associações Pais (FERSAP).

Este texto também já foi divulgado, pelo menos, pelo Aventar que também respeitou o anonimato de quem remeteu, que dá aulas numa das escolas envolvidas:

Como convencer famílias carenciadas a assinarem contratos de fidelização de 36 meses?

O “esquema” é simples:

– com a conivência de alguns Directores de Escolas Públicas, as famílias dos alunos começam por ser contactadas telefonicamente;

– “doutoras” extremamente simpáticas convidam as famílias a comparecerem na escola, durante o fim de semana e no horário mais conveniente;

– com tamanha disponibilidade e simpatia, debaixo do tecto da Escola Pública, ninguém duvida da idoneidade das empresas envolvidas e muito menos dos objectivos que se propõem atingir;

– com a promessa de soluções milagrosas para o insucesso escolar dos seus filhos e de os preparar convenientemente para o “importantíssimo” Exame de Inglês do Cambridge, utilizando técnicas de marketing irresistíveis, os pais quase assinam de cruz um contrato de fidelização de 36 meses com pagamentos por débito directo!

Sim, leu bem, 36 (trinta e seis) meses!!!

Durante 3 anos, aos sábados, os alunos irão supostamente aprender a estudar e aprender inglês. Tudo isto nas instalações da Escola Pública que, pelos vistos, ou não tem professores ou são uns incompetentes…

Todavia, levantam-se algumas questões. E se os alunos não gostarem? E se os resultados prometidos não surgirem? E se os pais ficarem desempregados? E se mudarem de escola?

A estas perguntas, uma das empresas responde assim: «No caso de não adaptação, será feita uma reavaliação pela Directora Pedagógica, conjuntamente com outros profissionais certificados com experiência e formação nas áreas de desenvolvimento e problemáticas da infância e adolescência, procurando uma solução mais adequada às reais necessidades do aluno.» Ou seja, ninguém o mandou “assinar de cruz” sem primeiro saber se os quase 3000 euros  lhe fariam falta no futuro…

Espinho, Vila Nova de Gaia, Penafiel, Covilhã, Porto, Viseu, Lisboa, Vila Franca de Xira, Póvoa de Santa Iria, Almada e Portimão são apenas alguns exemplos de localidades onde a promiscuidade entre escolas públicas e empresas privadas parece ter-se instalado…

O Ministério da Educação e Ciência terá conhecimento disto? Quanto pagam, se é que pagam, as empresas privadas pela utilização dos espaços públicos? O que ganham as Escolas Públicas? Quem paga aos funcionários para manterem as escolas abertas ao fim de semana? E se o serviço for descontinuado, poderão os pais pedir reembolso aos respectivos directores escolares?…

Estas são apenas algumas das questões que, com a sua ajuda, eu gostaria de ver respondidas…

Atenciosamente,

E é assim que algumas pessoas, em nome de algum empreendedorismo relvista, ajudam a descredibilizar isto tudo.

Todo o sistema bolonhês é uma enorme treta com mestrados a fingir que valem alguma coisa.

Entretanto, enquanto não existir uma verdadeira monitorização da qualidade dos cursos, alongá-los pode traduzir-se apenas em mais crédito horário para os respectivos professsores e mais propinas para as instituições.

A quantidade (mais um semestre mal amanhado) não substitui a qualidade (necessidade de rever quem ensina e o que ensina aos futuros professores). Sobre isso… nada.

Mestrados mais longos para quem quer ser professor

Novas habilitações para a docência e vinculação de 2000 professores aprovadas em Conselho de Ministros.

O comunicado oficial está aqui.

… ou então faz que se convence.

Entrevistado por alunos do 1.º ciclo de uma escola de Mem Martins, para o número especial da revista VISÃO, o ministro da Educação diz-se convencido de estar “a fazer as coisas certas” para que o “ensino seja mais exigente”

Eu que sou adepto de exames, por diversas razões que já me cansei de repetir, acho que isso não chega e tudo deve ser enquadrado numa visão global do que entendemos por “exigência” e “qualidade”, algo que – cada vez mais – Nuno Crato revela não ter ou, se tem, é de forma muito simplista e redutora.
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Parece ser sina nossa ter ministr@s que pensam ser donos da única versão correcta de fazer as coisas (e quantas vezes é apenas uma das formas erradas) e avançam por ela de forma desembestada.

Estão a decorrer negociações para a regulamentação dos concursos de professores. Não tenho dado grande atenção ao assunto porque perdi, num passado mais ou menos recente, qualquer interesse num processo que é uma formalidade que pode ser torpedeada por despacho ou portaria a qualquer momento.

Sei que isso não me ganha muitos amigos, mas se existir novo processo de vinculação extraordinária sem ser integrado num concurso nacional com regras claras, apenas se acrescenta distorção a algo que o MEC pretende desregular e localizar com argumento pífios.

Aliás, o MEC nem sequer está muito interessado em negociar, mas apenas em cumprir o preceito legal de ouvir os sindicatos e seguir em frente. A FNE protesta mas daí não tira consequências, enquanto a Fenprof se mantém onde sempre esteve, neste caso com boas razões.

Já não tenho grande paciência para isto. Há uns anos iria ler as propostas e contra-propostas e tentar apontar as incongruências (como exigir aos contratados a classificação mínima de Muito Bom para efeitos de renovação de contrato, quando eles não podem ter mais do que essa classificação), as armadilhas, as omissões.

Neste momento, tudo isso é escusado porque nenhum documento é mais do que um simulacro, a desmentir à primeira curva do caminho.

E a vida é demasiado importante para se perder tempo com palhaçadas.

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