Não ouvi ou li a entrevista de David Justino à TSF e ao DN. Apenas me chegaram os ecos via síntese jornalística ou post de quem ouviu.

Sobre a questão do profissionalismo dos professores e da sua capacidade de separação entre o que sentem como profissionais perante a tutela e interesses que orbitam a Educação e o seu desempenho na sala de aula só posso dizer do que eu próprio sinto e observo.

Já houve tempos melhores e tempos piores.

Mas uma coisa parece-me evidente… a manta não se consegue estender mais e a cada nova tesourada que leva ainda tende a conseguir cobrir menos, por muito que se queira.

E às vezes já nem se quer, por se achar que é demais. Falo por mim, que muitas vezes acabo a pensar até que ponto vale a pena um tipo ralar-se em fazer mais do que deixar o tempo passar e as coisas estoirarem de vez.

A questão do profissionalismo, para a larga maioria dos docentes, passa pela consciência individual e pelo seu brio, assim como pelo respeito pelos alunos e famílias.

Mas…

… há limites.

E os limites já foram ultrapassados e, se as coisas continuarem como estão e pior ainda se sofrerem novo agravamento (material e/ou simbólico), dificilmente essa consciência, esse brio e esse respeito conseguirão aguentar os níveis de pressão que têm vindo a ser exercidos sobre um grupo profissional de quem os responsáveis políticos desconfiam de um modo absolutamente esquisito. Porque parece que tiveram experiências más no passado e uns acham que os professores são muito conservadores e rígidos (o pessoal do eduquês de esquerda anti-exames, por exemplo) e outros acham, pelo contrário, que são uns laxistas pouco rigorosos (os da direita pseudo-rigorosa e defensora da responsabilização e da eficácia, quando aplicada apenas aos outros) .

Se repararem, nos últimos 20 anos as críticas foram permanentes, mesmo quando de sentido inverso e “apenas” porque parece que os professores não são executores acéfalos de todas as tretas que lhes despejam em cima e ainda pensam pela sua cabeça. Apesar das naturais excepções mas que, suspeito eu, até serão em menor proporção do que em outros ambientes profissionais.

David Justino não está imune a essa desconfiança radical de muitos políticos, nascida da observação mais ou menos pontual de más práticas, que provavelmente até é menor do que em outros “actores” que agora andam muito calados.

Mas penso que ele saberá duas coisas: a primeira é que os professores têm sido o bode expiatório de muitas asneiras de que não foram ou são responsáveis; a segunda é que a corda tanto estica até que se quebra e não é a existência de uma exército de candidatos a uma docência proletarizada que assegura que as coisas possam melhorar.

Muito pelo contrário.

Agora uma última coisa… que não tem a ver com o que é afirmado pelo presidente do CNE… não se deve dar o profissionalismo dos professores por adquirido (mesmo quando há quem afirme o inverso) e muito menos querer forçá-lo através da tentativa de criar complexos de culpa…