Sábado, 15 de Março, 2014


The Cure, Mint Car

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E já agora, só para que conste, ficam aqui as palavrinhas de Carlos Moedas, quando ainda não era secretário de Estado, escritas num blogue em 2010. É longo, mas vale a pena: “No caso da dívida pública […] se Portugal quisesse voltar aos níveis de dívida pública de 2007 […] teria de apresentar um superavit primário das contas públicas (antes de juros) de 6% ao ano durante cinco anos ou de 3% ao ano durante dez anos. Alguém acredita que estes cenários são possíveis a curto ou mesmo a médio prazo? Eu tenho muitas dúvidas, e por isso só nos resta (a nós e a outros) o possível caminho da reestruturação da dívida. Ou seja, ir falar com os nossos credores e dizer-lhes que dos 100 que nos emprestaram já só vão receber 70 ou 80.”

Moedas sabia (e ainda sabe, claro) que “este é um caminho árduo e complicado, a tal parede de que tanto se fala mas que nos permitiria começar de novo. A austeridade é necessária e urgente, mas se mantivermos os níveis actuais de dívida dificilmente conseguiremos crescer a níveis aceitáveis […] e se não crescermos morremos”. Se Moedas sabe isto, os idiotas inúteis talvez não.

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AmanhãIMG_3972

Isto é que vai ser emagrecimento…

… mas um pouco incompreensível que obras deste calibre se encontrem meio ao desbarato por aí, fora do circuito das livrarias, porque andam a ocupar espaço nos armazéns das editoras.

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Vivemos tempos pasmosos de manipulação da relação entre realidade e linguagem. E mesmo da própria causalidade dos factos reais e objectivos, como se alguém tivesse decidido transformar a nossa vida pública num delírio de pós-modernices.

Há desemprego galopante, em especial entre os jovens?

A culpa é de quem está empregado e impede a entrada de novos trabalhadores.

Mas impede como?

Mantendo-se empregado?

Mas se fosse despedido não iria para o desemprego por troca com o que (hipoteticamente) iria para o seu lugar?

No caso dos professores, por exemplo, a saída de um professor com redução da componente lectiva não equivale a um lugar de início de carreira.

Mas a mistificação está alargada a toda a sociedade, a cada diatribe televisiva do alucinado César da Neves ou crónica radiofónica iluminada do avançado mental Camilo Lourenço. Ou comentário contra os “velhos” de governantes ou opinadores na esperança de terem um qualquer lugar ou a fazerem por merecer o que já receberam.

Os “velhos” (parece que se aplica a qualquer pessoa acima dos 40-50 anos) são culpados do desemprego dos “jovens” (estado que parece prolongar-se até aos 35-40 anos).

São conservadores e atávicos. Parece que teriam de abdicar dos eu salário para serem progressistas. Alinharem pelo culto da mediocridade sem refilar. E quando se recusam a isso são vilipendiados a torno e direito pelos maçães-totós e outros borginhos de aviário.

A culpa não é de quem falhou as opções políticas de investimento com os dinheiros que choveram da Europa, preferindo as negociatas endogâmicas ao interesse público, de quem fez contratos ruinosos apostando na inimputabilidade ou nas prescrições, de quem delapidou lucros em gastos sumptuários em vez de os reinvestir de forma produtiva.

Não.

A culpa é dos “velhos” que ainda mantêm o seu emprego e procuram manter um mínimo de qualidade de vida para as suas famílias.

Ide…

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