Há palavras que alguns dizem ser conceitos que se tornaram uma espécie de vacas sagradas do debate em torno da Educação.

Quem é contra ou ousa criticar é porque é fascista, estalinista, retrógrado, centralista, arcaico, etc, etc, etc.

É o caso de estribilhos como “descentralização”, “autonomia”, “proximidade”, “municipalização”, “liberdade” mesmo quando surgem desligados de qualquer substância concreta correspondente ao seu conteúdo semântico.

Fala-se em “descentralização” quando se quer falar de concentração de poderes ao nível local, recorre-se à “autonomia” sem revelar que é para se aplicar apenas a uma minoria dirigente, exalta-se a “liberdade” que se destina apenas a reforçar privilégios instalados e mesmo a “proximidade” significa que os centros de decisão se vão afastando dos mais directamente interessados.

Usam-se palavras que se pretendem corresponder a conceitos incontroversos quando na realidade se destinam a legitimar práticas que são o seu inverso.

E lançam-se anátemas morais contra quem não vai na conversa.

Contra quem não aceitou um completo relativismo da linguagem e não abdicou de confrontar a retórica com a prática.