Sábado, 8 de Março, 2014


Lorde, Team

Adoro politólogos. São uma espécie de comentadores de política só que em vez de lerem o Correio da Manhã no café estão na Universidade e vão à televisão.

No resto, indistinguem-se nos inconseguimentos das suas previsões, com duas meras excepções: António Costa Pinto porque diz coisas tão vagas e gerais que acerta sempre, mesmo quando falha, e Joaquim Aguiar porque é tão confuso que ninguém percebe o que diz e, por consequência, se acertou ou falhou.

Mas todos eles – com a possível honrosa ressalva do André Freire – pararam em termos teóricos nos anos 90 quando se divulgou com enorme sucesso a tese de que “as eleições se ganham ao centro”.

Ora… nem Seguro, nem Passos Coelho são especiais inovadores e para as europeias atiraram os dois para o centro com Assis e Rangel que, com poucas divergências e muito sentido de Estado (mas o segundo tem postura mais engomada), estão ao colo um do outro no espectro político.

Qual a maior diferença?

É que Rangel está à frente de uma coligação que tem um partido inteiro para cobrir o seu lado direito pelo que pode instalar-se com um discurso inócuo ao centro, enquanto que o Assis se quer instalar ao centro, deixando a esquerda toda entregue à concorrência, talvez com a esperança de que o Bloco esteja em perda irremediável e o PCP não consiga ir muito longe dos dois dígitos.

Só que, mesmo num dia mediano, PCP e Bloco devem levar uns 15% do eleitorado à esquerda do PS e à direita do PSD tudo entra no mesmo saco.

O Tó Zé não percebeu isso.

Não percebeu que o centro ficou perdido, pois o Paulo Rangel tem um ar muito mais alinhadinho ao centro (mesmo se as suas convicções podem ser bem mais à direita) conservador, enquanto o Assis parece um miscasting seja em que perspectiva for, até porque depois de tantos disparates do passado só um distraído, surdo e analfabeto funcional o pode considerar “estruturante” da esquerda pequenina.

E o Tó Zé não percebeu isso e que está entalado numas eleições que deveria ganhar com uma enorme vantagem.

Porque ficou parado nas teorizações politológicas dos anos 90, não percebendo que nessa altura Guterres ganhou “ao centro” porque Cavaco Silva tinha deixado o PSD dizimado e o CDS num táxi e que Sócrates ganhou porque o adversário era o líder das santanettes.

Entretanto, a Terra girou umas vezes e era tempo do Tó Zé deixar de ter miúfa dos adversários internos e dos “esquerdistas”.

E vai passar a noite das eleições num sobressalto.

As opiniões do novo membro do CNE – Ramiro Marques

E eu que estava convencido que o RM tinha vilipendiado a MLR mais do que qualquer outr@ ministr@.

… no fim de um encontro em que, em apenas 3 horas, parece ser possível resolver tudo sobre o sector.

Nada de novo. O elenco é o conhecido de encontros de Ciências da Educação desde os anos 90 do século passado. Sampaio da Nóvoa abrilhanta, mas o resto é cinzento, muito cinzento.

Está nos três canais noticiosos. O discurso é chato, as inflexões de tom demasiado programadas, anémicos os aplausos da plateia.

Caça ao voto com umas piscadelas de olho muito fraquinhas.

Booooorrrrriiiiinnnngggg….

Pub8Mar14

Público, 8 de Março de 2014

Para quando a prescrição ou absolvição de Rendeiro?

O que fez de mal, afinal, Oliveira e Costa para ter ido parar à prisão? Abusou mais do que é permitido pelas leis das malfeitorias de colarinho branco?

Lançado ontem… é obra de peso a todos os níveis como disse o João Esteves, um dos seus directores e a alma danada (a par da professdoa Zília Osório de Castro e das coordenadoras mais “executivas”) que conseguiu colar as partes de um projecto de anos, tudo por entre um horário de aulas de professorzeco, no que isso tem de profundamente digno.

Tenho por lá seis textos de âmbito temático (“advogadas”, “funcionalismo público feminino”, “operárias”, “prostituição”, “regentes escolares” e “telefonistas”), quase todos resultantes de investigações intermédias entre o mestrado e o doutoramento e já com uns anos. Outros poderiam ter sido feitos, mas o tempo (são textos reescritos quase todos ali a partir de 2007-08) e o espaço (o dicionário tem mais de 900 páginas e os meus textos são dos mais longos) não o permitiram.

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Como também disse o João, tem qualidades e defeitos. Que não se esqueçam as primeiras por parte de quem terá todo o direito de corrigir os segundos. Se possível, fazendo e não apenas enunciado.

O relatório está no novo site do CNE. Tem outros dados interessantes, mas vou concentrar-me em dois, avisando desde já que os intervalos temporais são demasiado curtos. No entanto, permitem detectar e medir o que já nos era óbvio.

Em primeiro lugar que as eleições de 2009 foram o campo privilegiado para a demagogia de Sócrates e que isso se reflectiu no aumento da despesa, mesmo se esse acréscimo não foi totalmente atípico para esse período. Em segundo, que o ajustamento que se seguiu a 2010, ainda com Sócrates, foi acima de qualquer outro entre os países analisados. Se entre 2008 e 2010 os gastos cresceram mais 9 pontos do que a média, o ajustamento que se seguiu foi de 11 pontos acima da média.

Faltam dados para 2012 e 2013 que demonstrarão que esse ajustamento se tornou absolutamente brutal e dificilmente comparável com qualquer outra realidade próxima.

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Para 2012 temos alguns dados, desde logo os relativos aos níveis de emprego dos recém-licenciados. A evolução é demolidora. Portugal é o país, depois da Grécia e Croácia, em que a sua empregabilidade caiu mais, quase 15 pontos em apenas 3 anos.

Monitor2013Esta tendência, que continua a acentuar-se, retira muito do sentido numa aposta familiar e individual na extensão da Educação. O que é trágico, visto que de acordo com os dados do relatório de 2012, os benefícios públicos, mas em especial privados, dessa aposta são muitos altos para a sociedade.

Ou melhor, eram… antes da Educação ter passado a ser uma não prioridade.

Monitor2012

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