Terça-feira, 18 de Fevereiro, 2014


Karen O. e Ezra Koenig, The Moon Song

Bob Casale, fundador dos Devo, morre aos 61 anos

Bob Casale

no site da FFMS o tema da “liberdade de escolha”, coloquei hoje o meu segundo texto, que passou a transcrever em seguida. Sei que alguns leitores acham que eu gasto muito tempo a discutir o tema, mas quem assim pensa se calhar não percebe que sair do terreno do debate é entregá-lo por completo ao adversário e abdicar de o analisar de forma racional.

Liberdade Über Alles?

Alguns defensores da “liberdade de escolha” em Educação, no seu sentido mais restrito da gestão, costumam usar uma espécie de argumento que tomam por primeiro e derradeiro que é o de apresentar as suas posições como legitimadas para além de qualquer discussão pelo facto de enunciarem a “Liberdade” como o seu princípio fundamental, absoluto e que, em alguns casos, até é apresentado como baseado numa espécie de Direito Natural.

O argumento tem a vantagem e parecer tão evidente e inquestionável que torna qualquer pessoa que se lhe oponha num inimigo da Liberdade e, quiçá mesmo, da própria Democracia.

Só que isso é errado, não apenas no plano da arrogância da atitude, mas também no plano prático da realidade dos fenómenos sociais e políticos pois se há traço claro na evolução da conquista dos Direitos Humanos tem sido o da necessidade da limitação da Liberdade, enquanto prática absoluta e não regulada, como estratégia essencial para preservar os direitos da maioria dos indivíduos perante o exercício arbitrário das minorias com maior poder.

Aqueles que se afirmam liberais e defensores da liberdade acima de tudo devem reconhecer que essa liberdade se construiu sobre mecanismos de controlo da liberdade desregulada dos poderes absolutistas e das aristocracias privilegiadas.

Por estranho que pareça a alguns, a Liberdade foi maior para mais indivíduos à medida que passaram a existir limitações ao seu exercício em termos absolutos por parte dos mais poderosos. Ou seja, a Liberdade só avança, enquanto valor partilhado pela maioria, quando existe uma preocupação de Justiça, não apenas política, mas também social e económica.

A própria Democracia se baseia num equilíbrio entre as várias liberdades individuais, sendo um velho chavão que a liberdade de cada um deve terminar onde começa a de outro ou quando ela começa a interferir, de forma abusiva, na liberdade alheia.

Pelo que o argumento da Liberdade, assim com L maiúsculo, usado como pretensa arma que dizima qualquer adversário, reduzindo-o a uma menoridade moral e ética, deve ser moderado de forma a adequar-se à realidade da vida em sociedade e não ficar por uma formulação mais apropriada ao estado primitivo da vida selvagem, em que os predadores dominam a selva, a savana e tudo o mais.

A vida nas sociedades contemporâneas, de que a Educação é uma parte essencial, pois desenvolveu-se de forma massificada em paralelo com a afirmação de uma progressiva cidadania universal, exige que a Liberdade seja um valor partilhado.

Alguns defensores da “liberdade de escolha” deveriam, portanto, ter um pouco mais de humildade, porque o facto de invocarem a “Liberdade” não significa que sejam eles os seus maiores defensores. Pelo contrário, não raras vezes defendem soluções políticas de tipo regressivo, em que a Liberdade seria menor para muito mais gente do que a situação actual, pois regressaríamos a um modelo de sociedade menos coeso, mais desigual e em que a desregulação do funcionamento do sistema educativo serviria, muito em especial, aos que já são mais privilegiados.

Temple prof: Pa. cyber charters turning huge profits, sending tax dollars out of state

Fewer teachers. No school building. No heating bill. Same cost.

You’d think Pennsylvania’s 16 cyber-charter schools, which teach home-based students via the Web, would spend a lot less per student than bricks and mortar schools.

Not so.

They collect as much money per student as the state’s brick-and-mortar charter schools. Despite a call from Governor Tom Corbett to do otherwise, the state still doesn’t ask how much it actually costs to educate students in cyber-charters to proficiency standards (nor does it, actually, for any of its schools).

Por cá, já há estudos-piloto que… podem dar para o bem ou para o torto.

A Federação Nacional de Educação (FNE) e a Associação dos Estabelecimentos do Ensino Particular e Cooperativo (AEEP) acordaram esta terça-feira o limite de 35 horas semanais para os professores dos colégios privados, informou a federação sindical em comunicado.

“O acordo assinado esta manhã reconduz todas as situações ao estrito cumprimento do que estipula o Contrato Colectivo de Trabalho [CCT] em relação ao tempo de trabalho dos docentes, o qual não pode ultrapassar, nas três componentes que o constituem, as 35 horas semanais”, lê-se no comunicado da FNE.

Podem usar todos os argumentos e mais alguns, desde o argumento demográfico ao da pretensa eficácia, mas um sistema educativo que perde cerca de 7,5% dos seus quadros (a avaliar pelo quadro abaixo que indica uma saída de mais de 8000 professores e educadores) dificilmente poderá ter o mesmo desempenho que tinha. A curto ou médio prazo.

Acrescendo a isto perdas de mais de 10% no salário e aumentos da carga lectiva.

Isto não é emagrecer o Estado, é fazer bullying profissional, apostando na saída de professores mais caros, para integrar outros – em modo ad eternum – com base no escalão salarial mais baixo, independentemente dos anos de exercício da profissão.

Pode ser uma política, pode ter uma qualquer pretensa legitimidade eleitoral ou ideológica, mas é algo que tem custos enormes a médio prazo, com o incentivo a práticas profissionais e pedagógicas defensivas e conservadoras, devidido ao medo (que este MEC incutiu de uma forma tão perversa quanto so governios anteriores) e ao esgotamento (psicológico e físico, mesmo dos mais “novos”).

Nuno Crato assumiu o papel de carrasco da profissão docente, aceitando como boa a sua proletarização e desqualificação, que só por piada se pode negar com base numa ADD de faz-de-conta e uma prova patética de ingresso na carreira, cuja execução na vertente “científica” vou percebendo ter sido entregue a facções académicas interessadas por demais em demonstrar a sua superioridade e capacidade avaliativa (mas que duvido que conseguissem resistir a uma semana de aulas reais fora da sua zona de conforto).

O que se possa dizer em contrário, só muito residulamente passará de artifícios de linguagem, aqueles mesmos que criticava aos eduqueses, pois o anti-eduquês não se deve definir apenas pelo anti, mas sim pela utilização de uma linguagem rigorosa, adequada aos factos e intelectualmente honesta em vez de enveredar por um relativimo linguístico pós-modernaço.

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Público, 18 de Fevereiro de 2014

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Público, 18 de Fevereiro de 2014

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